13/05/2018

Por enquanto, um adeus

Foto por Oldiefan

Passei as últimas semanas pensando em como escreveria esse post. Um capetinha em um ombro, um anjinho no outro, e um diálogo entre nós três: "são seis anos escrevendo nesse espaço", "sua alma está ali", "insiste só mais um pouquinho", "vamos só esperar"... Eu não queria que isso fosse uma despedida, mas é. Precisa ser. Chega um momento em que é preciso definir prioridades, e minha saúde mental é uma delas. Não que escrever nesse blog traga prejuízos para minha saúde mental: manter esse blog sempre me trouxe alívio. Mas, ultimamente, por vários motivos, escrever tem sido frustrante. Entre um texto pela metade e outro, percebi que talvez seja melhor não insistir, e que, por mais que eu não goste de pensar nisso, talvez seja melhor deixar o blog de lado. Percebi que precisava ficar longe, cuidar de mim, e segurar a barra o máximo possível, até que as coisas cheguem no lugar. Tomei minha decisão. Pensei em deixar o blog apenas parado e voltar quando pudesse, mas não consegui fazer isso, me senti culpada. Por respeito a esse espaço, por respeito a quem se dedicou a ler, por respeito ao tempo que me dediquei escrevendo, decidi que o melhor a fazer era me despedir, e voltar se (ou quando) eu me sentisse em condições para isso. Às vezes é preciso coragem pra desistir. Ainda não me caiu a ficha, mas estou me despedindo.

Andei desativando algumas redes sociais. Falei em março sobre minha rotina corrida. Parece que foi ontem, mas já tem alguns meses. Estou ficando muito cansada. Nunca pensei que os últimos períodos de uma graduação fossem tão desgastantes. Mas é. As responsabilidades são enormes, e as cobranças (nossa e dos outros) são ainda maiores. Os conteúdos das disciplinas mexem conosco, e a prática — o contato com as pessoas que nos procuram, na maioria das vezes com um grande sofrimento — mexe mais ainda. Não tenho tempo para escrever, e quando tenho, não quero. Deixar o blog em aberto me fazia pensar que eu precisava voltar aqui, e dar alguma explicação. Me sentia culpada. Eu não tenho muito o que dizer: estou cansada, estou triste, estou desanimada, e preciso cuidar disso. 

Isso é um adeus. Isso significa que eu não vou mais escrever, nem postar, nem atualizar o layout ou as páginas... Pretendo voltar um dia. Quem sabe, no final do ano? Ainda tenho muita coisa para dizer, mas nesse momento, isso precisa ficar um pouco de lado. Vou sentir falta desse espaço e de todas as pessoas que conheci por aqui, mas não tenho condições de continuar agora. Estou dizendo adeus, mas espero que seja um "até logo". Me mandem boas energia, por favor!.

04/04/2018

...esta é a terra de ninguém. Sei que devo resistir, eu quero a espada em minhas mãos"

Foto por 3888952, só porque eu gostei

Post-desabafo. Cuidado com gatilhos! Dê uma lida no post da primeira estrofe da música pra entender o contexto

Sábado foi meu aniversário. Meu aniversário costuma ser uma data muito importante pra mim, e acho que o nome do blog deixa isso bem claro. Não sou de comemorar, nem fazer festa. Mas mantenho uma tradição desde os 15: escrevo uma carta, pra ler no aniversário do ano que vem. Ano passado esqueci da carta e li meses depois, mas ainda assim escrevi outra, pra ler esse ano. A cada ano, escrevo determinado número de perguntas, relacionadas a idade que estou completando, pra responder no próximo ano. No ano seguinte, respondo as perguntas na carta, e crio outras. Com 16 anos, escrevi 16 perguntas, e respondi as 16 quando fiz 17. Escrevi mais 17 perguntas pra responder quando completasse 18. Fiz isso até completar 20, e voltei para 15, porque estava chato demais criar perguntas novas (pois é). 

Mantenho essas cartas guardadas até abrir a próxima, e então jogo fora. Sempre tenho uma aberta, e outra fechada. A de 2016 joguei fora logo que li a de 2017, e escrevi a de 2018. A ideia é ter sempre uma carta aberta, que fica durante o ano todo, e outra fechada, que ainda será lida.

28/03/2018

"Tenho os sentidos já dormentes, o corpo quer, a alma entende...

Por Deus nunca me vi tão só / É a própria fé o que destrói / Estes são dias desleais... 



Imagem de um relógio de ponteiro

Quando eu acho que não existe mais possibilidade de ficar sem tempo livre pra fazer alguma coisa, a vida me surpreende e me arruma mais responsabilidades pra cumprir. Escrevi sobre o tempo em agosto do ano passado, na época do BEDA. Pensar em BEDA nesse momento é quase um delírio. Tem dias que eu literalmente não tenho tempo nem para comer: preciso fazer um lanche rápido na rua, já que cozinhar se torna impossível. 

Estou no 9º período do curso de Psicologia. Poucas vezes falei sobre meu curso por aqui, o que é uma surpresa: esse foi o único aspecto da minha vida que sobrou. Tudo foi morrendo aos poucos, até desaparecer por completo. Mantenho alguns hobbies e assisto séries no final de semana. Encaixo um pouco de lazer nos poucos minutos que existem entre uma responsabilidade e outra. Não fossem esses minutos de lazer, eu já teria surtado. Faço quatro estágios, dois obrigatórios, um extracurricular, um de licenciatura... tenho as disciplinas comuns do curso, mais uma que fiquei devendo, além do projeto da monografia, que preciso escrever esse mês. Meu guarda-roupa está uma bagunça, tenho uma pilha de roupas pra lavar e não sei quando vou fazer isso.