20/03/2017

O lado bom da vida - Matthew Quick
(livro e filme)

O Lado Bom da Vida

O Lado Bom da Vida foi o primeiro livro que eu li esse ano. Era um daqueles livros que estavam na minha estante já há bastante tempo, mas eu nem me lembrava de ter ele. Não sei nem dizer se ganhei ou comprei, nem tinha tanta vontade de ler, mas eu quis dar uma chance por ser do Matthew Quick, que escreveu Perdão, Leonardo Peacock, uma leitura que — estou sempre repetindo aqui no blog — me marcou muito. 

Se em Perdão, Leonard Peacock o autor trata de um tema delicado como suicídio, em o Lado Bom da Vida ele escreve sobre um tema tão delicado quanto: transtornos mentais, e como eles afetam a vida das pessoas. 

No livro, Pat acaba de ser liberado do hospital psiquiátrico, graças ao esforço de sua mãe, e está voltando para casa. Inicialmente, nós não sabemos o que aconteceu ou como ele foi parar lá, somente conseguimos entender que foi algo muito ruim, que abalou Pat de tal forma que ele não consegue se lembrar do acontecido com clareza. De volta para casa, Pat se prepara para o que ele chama de "Fim do Tempo Separados", que é o momento em que vai reencontrar sua esposa, Nikki. Sua preparação inclui ser um bom esposo para Nikki, o que significa ler os livros que ela indica para seus alunos (Nikki é professora), malhar e se alimentar bem (Pat é obcecado com academia), fazer coisas que tinha prometido a Nikki que faria, ser, enfim, uma boa pessoa. O problema é que Nikki pediu divórcio, e fica claro para o leitor que talvez o Fim do Tempo Separados nunca chegue. Mas Pat acredita que eles vão voltar, por mais que todas as evidências apontem o contrário: todos evitam mencionar o nome de Nikki, as fotos e lembranças do casamento dos dois "misteriosamente" sumiram e Nikki tem uma ordem de restrição, proibindo Pat de ficar perto dela.

13/03/2017

Falando com estranhos

Foto por Steinar La Engeland
Eu tenho um método infalível de puxar assunto com estranhos em ponto de ônibus. Estou sempre usando esse método para tentar conversar com alguém, mesmo que por um momento, só pra ver o que algumas pessoas tem a dizer. O método é bem simples, e tomando os devidos cuidados, dá pra ser usado com qualquer pessoa que esteja no ponto. Eu vou até alguém que parece potencialmente interessante, munida da minha expressão mais simpática e pergunto "você está esperando ônibus pra onde?". A pessoa responde, e eu explico o lugar para onde quero ir, explicando que não conheço as linhas de ônibus e não sei direito qual ônibus pegar (atualmente já tenho noção, mas ninguém precisa saber). Se a pessoa for gente boa e conhecer as linhas, ela vai me indicar quais ônibus posso pegar, e vai engatar uma conversa. Se a pessoa for gente boa e não conhecer as linhas, ela vai contar da própria dificuldade e vai engatar uma conversa. Algumas pessoas não dão muita confiança e deixam a conversa morrer. Acontece.

09/03/2017

Leonard Peacock e minha "batalha diária"

Leonard Peacock e minha batalha diária
Foto por John-Mark Smith
Escrevi esse texto em março de 2016. A despeito do tempo, sinto que ele é tão atual e eu já tive essa reflexão tantas outras vezes que eu senti que deveria postar. Editei alguns trechos e tentei atualizar um pouco com o resultado desse pensamento, que vem me acompanhando desde o ano passado. Ainda que as palavras sejam antigas, o sentido permanece atual. Posso dizer, com facilidade, que foi um insight que mudou minha vida.

Quando li Perdão, Leonard Peacock (um livro que sempre deixo bem claro que me marcou muito), fiquei bastante tocada com um trecho em que Leonard e seu professor conversam sobre uma batalha diária, a batalha que temos que lutar todos os dias para não sermos destruídos pelo mundo. O diálogo é o seguinte:

— Minha vida vai melhorar? Você acredita mesmo nisso? — pergunto, embora eu saiba o que ele vai dizer, o que a maioria dos adultos sente que precisa ser dito quando lhe fazem esta pergunta, embora a enorme quantidade de evidências e experiências de vida sugiram que a vida das pessoas fica cada vez pior até elas morrerem. A maioria dos adultos simplesmente não é feliz, isto é um fato.
Mas eu sei que soará menos mentiroso vindo de Herr Silverman.
— É possível. Se você estiver disposto a fazer com que isso aconteça.
— Acontecer o quê?
— Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária.

Fora de contexto, talvez não seja tão marcante assim. Mas eu vou dar um spoiler: Leonard está com a arma velha de seu avô nas mãos, prestes a se matar, e a única pessoa que parece se importar com ele — seu professor — está tentando impedi-lo de fazer isso. Esse trecho me marcou demais, principalmente porque eu não tinha pensado na vida como "uma batalha diária". A minha visão era muito parecida com a do Leonard: a vida fica cada vez pior até todo mundo morrer. Esse tipo de pensamento não te dá muita força pra levantar de manhã e ir viver. Quando li isso, muitas coisas se tornaram claras para mim.