20/08/2018

Do que tem feito eu me sentir em paz

Imagem em tom púrpura de uma flor de lótus boiando ao lado de um lírio
Foto por Devanath
Às vezes eu me pego pensando em vir aqui, escrever algo, um texto grande como eu costumava fazer. Ultimamente tenho escrito pouco, me expressado pouco. Na verdade, tenho feito tudo um pouco devagar. Diminuí o ritmo, e isso está se mostrando nas coisas que ando fazendo. Sempre escrevi bastante porque pensava bastante, e também pensava rápido, e as ideias iam se acumulando. A solução era escrever. Hoje não está mais assim. Tomo o meu tempo, e desacelerando um pouco, conseguir apreciar mais o que está a minha volta. Tenho me sentido em paz dessa forma.

Quase todo dia antes de deitar para dormir, leio algumas frases Budistas que salvei no meu pinterest. Budismo para mim tem sido calmaria em meio à uma tempestade. Tinha deixado de lado minhas leituras dos ensinamentos do Buda, mas depois de um tempo afastada, voltei. Sempre me fez bem e sempre me deixou tranquila, mas por falta de tempo, e talvez por dar crédito demais as torcidas de nariz alheias, me afastei. Hoje voltei a ler, estudar e colocar em prática algumas coisas. Pretendo, talvez no futuro, me dedicar oficialmente a essa filosofia. Ainda não sei. Por enquanto deixo como está. Estou em paz dessa forma.

Ando seguindo um dia de cada vez. Muitas pessoas me perguntam o que vai ser do meu futuro. Do fundo do meu coração, respondo que não sei. Em relação aos meus planos, digo com sinceridade: ainda não planejei. Tinha receio de admitir essa verdade: de que acredito que o futuro é incerto e é inútil planejar muito a longo prazo; muita coisa acontece, nada sai como esperado. Mas por viver em meio a pessoas que estão sempre um passo a frente, sempre um dia adiante, sempre pensando no futuro, acabei me adaptando. E acabava fazendo planos também, apenas para me adaptar. Atualmente respiro e digo para mim: uma respiração de cada vez, um dia de cada vez, um passo de cada vez. Também é um ensinamento budista, e estou em paz por segui-lo. Meus planos para o futuro nunca funcionaram, sempre acaba me limitando e me frustrando. Tenho deixado as coisas seguirem seu rumo, e na maioria das vezes me surpreendo: a vida me traz mais do que eu esperava. Está sendo bom. Estou em paz com isso.

Percebi que me levo pouco pelo medo. É engraçado, porque sempre me vi como medrosa. Mas o medo mesmo, não me impede. Tenho me visto como corajosa. Não aquela coragem que as pessoas tanto falam, que não sente nada, que não pensa em nada, que passa por cima de tudo e não se permite ser frágil. Me sinto frágil, mas também corajosa. Acho que é preciso sim, ter muita coragem pra ser frágil. Admito: sou medrosa, e às vezes um pouco frágil. Ainda há muito o que fazer, mas estou em paz, assim mesmo. Estou caminhando, um passo de cada vez.

Estou em paz porque, eu estava — e ainda estou — em um momento muito, muito difícil da minha vida. Estou passando por um período turbulento, e acreditava que nunca conseguiria me sentir em paz. Ainda tenho muito o que caminhar, mas o pouco de paz que ando sentindo, o pouco de tranquilidade, eu não acreditava ser possível. E estou em paz por perceber que é. Não sei como vai ser daqui para frente, e no momento não estou preocupada. Hoje estou em paz, amanhã já não sei. Continuo seguindo um dia de cada vez.

13/05/2018

Por enquanto, um adeus

Foto por Oldiefan

Passei as últimas semanas pensando em como escreveria esse post. Um capetinha em um ombro, um anjinho no outro, e um diálogo entre nós três: "são seis anos escrevendo nesse espaço", "sua alma está ali", "insiste só mais um pouquinho", "vamos só esperar"... Eu não queria que isso fosse uma despedida, mas é. Precisa ser. Chega um momento em que é preciso definir prioridades, e minha saúde mental é uma delas. Não que escrever nesse blog traga prejuízos para minha saúde mental: manter esse blog sempre me trouxe alívio. Mas, ultimamente, por vários motivos, escrever tem sido frustrante. Entre um texto pela metade e outro, percebi que talvez seja melhor não insistir, e que, por mais que eu não goste de pensar nisso, talvez seja melhor deixar o blog de lado. Percebi que precisava ficar longe, cuidar de mim, e segurar a barra o máximo possível, até que as coisas cheguem no lugar. Tomei minha decisão. Pensei em deixar o blog apenas parado e voltar quando pudesse, mas não consegui fazer isso, me senti culpada. Por respeito a esse espaço, por respeito a quem se dedicou a ler, por respeito ao tempo que me dediquei escrevendo, decidi que o melhor a fazer era me despedir, e voltar se (ou quando) eu me sentisse em condições para isso. Às vezes é preciso coragem pra desistir. Ainda não me caiu a ficha, mas estou me despedindo.

Andei desativando algumas redes sociais. Falei em março sobre minha rotina corrida. Parece que foi ontem, mas já tem alguns meses. Estou ficando muito cansada. Nunca pensei que os últimos períodos de uma graduação fossem tão desgastantes. Mas é. As responsabilidades são enormes, e as cobranças (nossa e dos outros) são ainda maiores. Os conteúdos das disciplinas mexem conosco, e a prática — o contato com as pessoas que nos procuram, na maioria das vezes com um grande sofrimento — mexe mais ainda. Não tenho tempo para escrever, e quando tenho, não quero. Deixar o blog em aberto me fazia pensar que eu precisava voltar aqui, e dar alguma explicação. Me sentia culpada. Eu não tenho muito o que dizer: estou cansada, estou triste, estou desanimada, e preciso cuidar disso. 

Isso é um adeus. Isso significa que eu não vou mais escrever, nem postar, nem atualizar o layout ou as páginas... Pretendo voltar um dia. Quem sabe, no final do ano? Ainda tenho muita coisa para dizer, mas nesse momento, isso precisa ficar um pouco de lado. Vou sentir falta desse espaço e de todas as pessoas que conheci por aqui, mas não tenho condições de continuar agora. Estou dizendo adeus, mas espero que seja um "até logo". Me mandem boas energia, por favor!.

04/04/2018

...esta é a terra de ninguém. Sei que devo resistir, eu quero a espada em minhas mãos"

Foto por 3888952, só porque eu gostei

Post-desabafo. Cuidado com gatilhos! Dê uma lida no post da primeira estrofe da música pra entender o contexto

Sábado foi meu aniversário. Meu aniversário costuma ser uma data muito importante pra mim, e acho que o nome do blog deixa isso bem claro. Não sou de comemorar, nem fazer festa. Mas mantenho uma tradição desde os 15: escrevo uma carta, pra ler no aniversário do ano que vem. Ano passado esqueci da carta e li meses depois, mas ainda assim escrevi outra, pra ler esse ano. A cada ano, escrevo determinado número de perguntas, relacionadas a idade que estou completando, pra responder no próximo ano. No ano seguinte, respondo as perguntas na carta, e crio outras. Com 16 anos, escrevi 16 perguntas, e respondi as 16 quando fiz 17. Escrevi mais 17 perguntas pra responder quando completasse 18. Fiz isso até completar 20, e voltei para 15, porque estava chato demais criar perguntas novas (pois é). 

Mantenho essas cartas guardadas até abrir a próxima, e então jogo fora. Sempre tenho uma aberta, e outra fechada. A de 2016 joguei fora logo que li a de 2017, e escrevi a de 2018. A ideia é ter sempre uma carta aberta, que fica durante o ano todo, e outra fechada, que ainda será lida.