15/01/2018

"When the time is right, it'll happen..."

Quando for o tempo, vai acontecer

No último post comentei que várias vezes sentei para escrever algo, mas não consegui. Isso (ainda) não mudou. O último semestre de 2017 foi tão cansativo que sinto necessidade de repetir isso mais uma vez. Foi tudo tão corrido e tão excruciante que, mesmo depois que minhas férias começarem, e mesmo continuando apenas no estágio, não tinha energia pra fazer absolutamente nada. Sobrevivi da última semana de novembro até ontem, apenas cumprindo com minhas obrigações, passando todo o tempo livre deitada, e somente hoje que eu tive ânimo pra me dedicar a algum hobby, sem precisar me arrastar ou sentir vontade de desistir o tempo todo. 

Achei que talvez fosse melhor me afastar e deixar tudo em stand-by, mas sem perder de vista que seria temporário, que era uma fase e logo eu estaria bem de novo. Confesso que várias vezes pensei que nunca ia conseguir sair da letargia que eu estava. A gente tem dificuldade de imaginar o futuro sem se deixar influenciar pelas emoções do presente: tudo sempre parece eterno. No meu cansaço, pensei que talvez estivesse doente, fisicamente doente, e comecei a marcar minhas consultas — ou ao menos pensar nisso.

Excluí definitivamente meu Facebook — pra nunca mais voltar —, desativei todas as notificações do whatsapp, desinstalei o Instagram, deixei o blog de lado e me mantive longe de redes sociais nas últimas semanas. Não tenho me sentido bem em nenhum desses lugares e resolvi me afastar. No fundo, uma vontadezinha de aparecer por aqui ou postar no Insta ainda existia: eu não queria desistir, mas também não queria aparecer. Mantive quase como mantra uma frase com a foto do Buda que li no Pinterest: "não apresse nada. Quando for a hora certa, vai acontecer". Sempre que me sentia mal por não fazer o que eu gostaria de fazer, sempre que eu me cobrava pelo tempo que estava parada sem fazer nada, repetia "quando for a hora certa, vai acontecer". E assim foi.

Hoje depois do almoço resolvi escutar um Podcast. 56 minutos de duração, primeiro Podcast que ouço na vida. Fiquei maravilhada com o formato. Deixei os alto falantes ligados, e meu apartamento encheu de vida. Foi como ter os três rapazes do Podcast (Uma semana na vida) conversando dentro da minha casa. Até respondi algumas coisas pra eles, mesmo sem eles conseguirem ouvir. Tive vontade de gravar também.

Depois do Podcast, lavei roupas, meditei, comi biscoito, joguei Tarô. Ainda não aprendi a jogar, mas ando aprendendo bastante. Uma das cartas que saiu para mim foi o Arcano 6, A Indecisão. Pelo que entendi, uma carta que fala sobre diversos caminhos, possibilidades. Também saiu o Eremita, o Arcano 9: alguém que saiu em busca de si mesmo e agora volta com os resultados da jornada. Não consegui interpretar sozinha, obviamente, e tive que recorrer ao Dr. Google. Não faço a menor ideia se estou certa.

Depois de tudo isso, abri o editor do blogger, e sem perceber, comecei a escrever. E o texto fluiu, sem eu precisar forçar. Ficou até grande, e eu dei mil voltas, como costumava fazer (principalmente antes de aprender a enxugar hehe). 

A gente vive num mundo onde tudo tem de ser feito depressa, pra ontem! Não é a toa que tem muita gente sofrendo de algum tipo de ansiedade — e eu também. Nesse tempo todo que passei desanimada (e que não sei se vai ou não continuar), percebi que não era só o desânimo, a vontade de ficar parada: mas a minha cobrança e falta de paciência em cima disso. Porque eu queria ficar bem, e queria ficar bem logo. Porque é assim, não é? "Está todo mundo bem, o tempo está passando e eu estou desperdiçando meu tempo parada nessa casa". Tirar um tempo pra descansar não é um desperdício, mas uma necessidade. E a gente precisa exercitar a paciência e a confiança de esperar que as coisas vão acontecer, quando for a hora. Vale pra tudo: do post no blog ao tema do TCC. Só espero não me esquecer disso nos próximos dias.  


28/12/2017

Retrospectiva ~31DM~ 2017

Retrospectiva 2017
Foto que tirei em Uberlândia. Morrendo de saudades de lá ♥
Perdi a conta de quantas vezes sentei na minha cadeira e abri o blogger pensando em escrever alguma coisa. Não sei quantos textos deixei pela metade. O segundo semestre de 2017 foi uma loucura, e eu não consegui escrever. Pensei que seria melhor não insistir, deixar as coisas como estavam. Deixei. Quando me dei conta, já era Natal, e, ao contrário do que pensei que aconteceria, não quis desistir e deixar esse blog de lado, mas senti vontade de dar continuidade a tradição de fim de ano da blogosfera: fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu no blog durante o ano

Sobre o 31 de Março em 2017: Escrevi 56 posts, (57 com esse) e participei do BEDA em Agosto. Foi minha primeira participação nesses 6 anos de blogosfera, e amei a experiência, apesar de não querer participar de novo. O blog ficou desatualizado nesse segundo semestre, e também resolvi abrir um perfil próprio pro 31DM no Instagram

2017 foi um ano 3 em 1, e tudo o que escrevi no início do ano parece ter sido escrito por outra pessoa. Não consigo acreditar que tudo o que aconteceu esse ano, realmente aconteceu esse ano. É só comigo essa sensação de que aconteceu coisa demais pra um ano só?

A sombra do vento
Esse ano reli A Sombra do Vento. Foi maravilhoso reler Zafón depois de tanto tempo ♥

Meus posts favoritos de 2017:

Mantendo a tradição com os posts que mais gostei do ano (porque também já não lembro como encontra os mais acessados), eis uma seleção com quatro posts dos 56 que escrevi esse ano (foi difícil escolheeer):

  • Minhas fotos do Desafio Primeira de Jan/2017 - Eu fiz um post sobre as fotos, sim! Participei várias vezes do Desafio Primeira no Insta, mas essa foi a vez mais divertida! Eu estava disposta a fotografar todos os dias e planejei várias fotos com antecedência, pra fazer bonito. O resultado está no post. Tenho vontade de participar de novo, porém, no momento, estou sem tempo pra fotografia.
  • Falando com estranhos - Esse post deu a uma coluna, organizada na tag Crônicas. Postei algumas conversas com estranhos que tive, e deixei várias outras em rascunho, esperando para serem postadas. Esse post é um dos meus queridinhos, porque escrevi sem pretensão nenhuma, e tive um retorno muito bacana. Em 2018 espero ter mais conversas pra contar (˘⌣˘ )
  • DIY: Como complicar a vida em passos simples - Eu queria ser igual essas blogayras famosas que fazem tutoriais extremamente criativos de coisas extremamente fofas, tipo o Math, que eu admiro muitão. Mas infelizmente algumas pessoas não nasceram com o dom de deixar a vida mais bonita, então fiz um tutorial da única coisa que sou especialista em fazer: desgraçar a vida de todas as formas possíveis. Vem cá aprender comigo como fazer!!

2017 foi um ano louco e eu confesso ter perdido um pouco a prática em relação a blogar, e preciso (de novo) reinventar isso aqui. 2018 é meu último ano de faculdade e também o ano de escrever o TCC, então, apesar dos meus planos, é provável que eu passe bem menos tempo por aqui. 

E pra você que está lendo e me acompanhou até aqui, meus mais sinceros agradecimentos. Cada visita e cada comentário enchem meu coração de alegria  Feliz 2018!!

30/10/2017

Ser oco

Ser oco
Foto por 56April
Caminhava pelo parque, sozinho. O vento passava direto. Não batia em seu rosto. O perfume das flores à sua volta não impregnava suas roupas. O canto dos pássaros lhe era indiferente. O calor do sol, tão brilhante e vivo, não tocava sua pele. Tudo trespassava seu corpo. Nenhum estímulo o afetava. Apesar do tom opaco e frio de sua pele, o homem não era um fantasma. Ao contrário, como todo o mundo, era feito de carne, embora fosse oco por dentro. Cobria-se com grossas camadas de roupa e usava uma máscara discreta, que lhe cobriam as feições. Temia que seu verdadeiro rosto pudesse deixar transparecer aquilo que ele realmente era. Temia que se o olhassem nos olhos —  olhassem verdadeiramente em seus olhos — pudessem ver que por trás deles não havia nada. O nada o assustava. Parecia lhe corroer. Doía, e apontava algo que ele não sabia como preencher. Todos os outros eram feitos de carne e osso, mas ele era composto por nada. 

Como era possível? Como era possível que, mesmo sendo feito de nada, sentisse como se algo o corroesse por dentro? Ser vazio parecia tomar todo seu espaço. Ser vazio o consumia, como se o vazio constituísse algo por si só. Poderia alguém assim existir?

Desejava ser como as outras pessoas. Não que ele fosse único, mas porque ele era ele, e queria deixar de ser. Desejava ter o que os outros tinham, mas não sabia se os outros tinham algo. Seriam todos ocos, e assim como ele, cobriam-se com máscaras e disfarces? Seriam todos vazios, e fingiam carregar algo dentro de si? Não sabia dizer. Sabia que, por mais que quisesse, por mais que desejasse, não teria outra possibilidade: só poderia ser. E assim seria.