05/12/2018

Sobre o projeto 101 em 1001

Imagem com fundo rosa de um bolinho em formato de coração, empilhado em cima de outros bolinhos

Para quem não está familiarizado com termos blogosféricos, 101 em 1001 é um projeto que consiste em criar uma lista de 101 itens, e tentar cumprir todas essas metas em 1001 dias, que dá cerca de três anos. O projeto foi moda durante alguns anos atrás na blogosfera, e praticamente todo blogueiro criou uma lista dessas, ao menos uma vez. Inclusive eu mesma.

Minha lista foi criada no início de 2014, e meu prazo acabou no final de 2017, porém, somente agora estou de fato finalizando o projeto. No último ano cheguei a fazer um post com algumas considerações sobre o 101 em 1001, já apontando as dificuldades que encontrei, e também já apontando que provavelmente não conseguiria completar a lista, nem mesmo criar outra. Dito e feito, não terminei minha lista, mas cumpri 46 das 101 metas, ficando com algumas que se tornaram incapazes de serem cumpridas, como terminar um projeto de 365 Days (uma foto por dia durante um ano).

Como eu mencionei ano passado, o projeto acaba perdendo o sentido, visto que o prazo é muito longo, e mudam nossos objetivos, nossas prioridades, e algumas metas acabam passando até mesmo despercebidas depois de cumpridas. Apesar disso, não foi uma experiência completamente negativa. Serviu como aprendizado: não pretendo mais participar de projetos tão longos, mas já estou planejando projetos mais curtos para (tentar) colocar em prática nos próximos anos. O que é blogar sem fazer listinha de projetos inúteis, não é mesmo? xD

Link para minha lista: 101 coisas em 1001 dias

27/11/2018

Algumas considerações sobre estar quase formando

Imagem colorida com o título do post ao centro
Eu não faço a menor ideia se a concordância do título está certa. Mas vamos que vamos
Tem tanta coisa que eu gostaria de escrever, comentar, compartilhar, que não sei muito bem por onde começo. 2018 foi um ano corrido, pra dizer o mínimo. Último ano de faculdade, mil coisas para fazer... nunca achei que daria conta. Passei por muita coisa, aprendi muita coisa, e acabei encontrando uma força que nem sabia que tinha. Estou formando, e carregando comigo uma série de aprendizados. 

Não vou mentir: não vou sentir falta das aulas, dos slides, dos trabalhos em grupo (Deusa me livre!!), das provas intermináveis, das centenas de relatórios, das noites em claro... Também não vou sentir falta das (poucas) festas que fui, os churrascos que participei, os rolês que marcaram comigo. Eu vou sentir — e inclusive já estou sentindo — falta daqueles pequenos momentos que não foram controlados, marcados, que a gente costuma nem se importar; Vou sentir falta de sair de sala, de saco cheio, e topar com alguém no corredor. Sentar um pouco, pra reclamar e fazer hora, pra ficar menos tempo dentro de sala. De almoçar com alguém antes de ir pro estágio, e chegar no estágio caindo de sono por estar de barriga cheia. De sair da aula e ir comer pipoca na rua. Ou, no auge do desespero, chegar mais cedo na faculdade pra se reunir e estudar. Vou sentir falta de sentar no sol nos intervalos, quando tava muito frio, e da sensação gostosa de faltar aula só porque estava chovendo. Vou sentir falta porque, mesmo que venham outros cursos, e outras pessoas, nunca mais vai ser a mesma coisa. Acho isso bonito, mas também um pouco triste. Ou seria o contrário?

Escrevi e apresentei meu TCC. É engraçado, olho para esse texto e tenho vontade de colocá-lo em Arial 12, Espaçamento 1,5 linhas. Não consigo desver as coisas em ABNT rs.

20/10/2018

Uma performance no meio da rua

Foto de um pequeno aglomerado de pessoas deitadas no chão umas sobre as outras

Sexta eu tive, sem sombra de dúvidas, uma das melhores experiências da minha vida até o momento. Participei de uma performance artística, em público, no meio do calçadão de Juiz de Fora. O local mais movimentado da cidade no horário mais movimentado: a hora do rush.

Como eu fui parar nessa situação? Não sei direito. Ano passado participei de um momento de jogos do Teatro do Oprimido, em Uberlândia. Entre os jogos, participei de um que precisávamos rolar no chão, uns por cima dos outros. Na quinta-feira, um amigo que participou desse jogo comigo me mandou uma mensagem: "bora rolar no chão de novo Marina?". Era um convite pra oficina do Mercúrio Líquido. Na quinta-feira deitei no chão de uma galeria, pra aprender a performance, na sexta, apresentei a performance em público, com mais outras 13 pessoas.

Eu não vou explicar a performance, porque arte não se explica. Vou descrever, e cada um reage como quiser. Uma pessoa deita no chão, e as outras deitam com ela, ou por cima dela, ou por baixo... Não importa. Deitam até se formar uma massa, um único corpo, sem contorno, respirando em conjunto. É isso. Tudo feito em silêncio. Um corpo se move, os outros movem junto, se ajustando, se integrando, escorrendo feito líquido mesmo. Um líquido pesado: Mercúrio Líquido. E apresentamos no meio do calçadão.

Vou falar da minha experiência. Em primeiro lugar, foi libertador. Quem me conhece sabe: sou tímida demais, tenho medo de me expor e o julgamento alheio me preocupa muito. Mas nesse momento, esqueci de tudo isso. Eu só estava ali, deitada no chão do calçadão, completamente relaxada, deitada sobre os corpos de outras pessoas. Até senti o sol bater no meu rosto, foi lindo.

Bom, calçadão não é um lugar onde se costuma deitar, logo, nossa performance gerou estranhamento. Críticas, muitas críticas, comentários negativos, teve até quem disse que aquilo era o Apocalipse.  Teve quem gostou, aplaudiu, elogiou. Teve até quem quis participar, colocou criança pra tirar foto. Um senhor foi atrás de nós ao fim da performance. Sentiu necessidade de falar sobre o assunto. Gostando ou não, quem passou por nós reagiu de alguma forma. Pensou.

Partimos do pressuposto que toda reação é válida: as pessoas tem o direito de achar o que quiser. Aliás, o objetivo não é concordar, é incomodar, fazer pensar, romper com a lógica mecânica de todo dia: acordar, comer, trabalhar, comer, ver TV, dormir, acordar... Enfim, a rotina. Muita gente associou o que via a política. Era político, mas não tinha a ver com eleições. Mencionaram candidados, e não preciso dizer de que lado imaginaram que estávamos. Não era sobre candidatos, mas era político. Porque é assim: arte é política, independente de falar ou não de candidatos.

Saí de lá renovada. Com energia pra correr maratonas. Percebi que quero trabalhar com algo assim: arte, corpo, público, cotidiano... Ainda não sei como, mas vou encontrar meu caminho. Estou muito feliz com a experiência. Quero participar de outras. Queria poder eternizar o momento.

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