14/08/2015

Dá pra ser Psicólogo e blogueiro?


O título do post parece ser estranho, mas tive esse questionamento enquanto pensava na Mel, que, para quem não sabe, é formada em Psicologia. A Mel não exerce a profissão, primeiro porque ela trabalha com o blog, segundo pelo motivo que vou falar logo logo.

Quando a gente começa a estudar Psicologia percebe que, para ser psicólogo (o oficial agora é "psicóloga", já que tem mais mulheres que homens) temos que tomar cuidado com algumas coisas. Parece bobagem para quem está fora da área (e até para quem está entrando nela), mas algumas coisas que você expõe sobre sua vida podem interferir na sua relação com o paciente. Interferir para melhor, interferir para pior, depende. 

Eu, falando sinceramente, não como estudante de Psicologia, mas como uma pessoa que adora dar pitaco nas coisas, acho que isso é mais da postura dos próprios psicólogos (e de nós, estudantes), do que um grande problema em relação aos pacientes. É que algumas vezes gostamos de parecer que somos super sérios, fodões, perfeitos e donos da verdade. 

Se você jogar no google "psicólogo" vai encontrar imagens de um cara barbudo (de preferência), com terno, olhar sério e acompanhando um cliente sentado em um divã. A imagem do psicólogo é neutra nessas imagens. Quase como aqueles bonequinhos de porta de banheiro. E é isso que ouço várias vezes na faculdade "você tem que aprender a fazer cara de paisagem", "um psicólogo tem que tomar cuidado com suas atitudes", "você não pode chamar muita atenção para você", "cuidado com a imagem que você passa aos seus pacientes"... Eu ainda não entendi porque. Por que meus pacientes (agora chamados "clientes") não podem saber muito sobre mim? Você deixa de ir a um dentista porque descobre que ele curte Game of Thrones? Deixa de ir a um médico porque ele é flamenguista? Não digo que os conselhos estão errados ou que devem ser ignorados, devemos sim tomar cuidado com o que fazemos, falamos ou transmitimos, mas isso é independente da profissão que a pessoa segue. Aliás, deveríamos levar isso pra vida, em qualquer hora e lugar, porém, coisas mínimas não deveriam interferir na relação com um profissional. 

Eu sei que um psicólogo defendendo uma ideia tem mais peso que uma "pessoa comum" defendendo a mesma ideia. Sei disso porque vivo isso, sendo apenas estudante. "Marina estuda psicologia, se ela disse é porque é verdade". "A psicóloga disse no rádio que isso é assim e assim, se disse é porque é verdade", "o que a psicologia pensa desse assunto?" Já ouvi essas frases de pessoas que conheço, e sei como é. Como disse ali em cima, a psicologia tem essa imagem de ser a dona da verdade, senhora do mundo, detentora da sabedoria absoluta sobre a humanidade, onde analisamos as pessoas só de olhar pra elas. E a culpa é nossa. Tem coisa melhor que você estar ali, na rodinha de amigos, conversando sobre determinado filme, e falar que personagem tal age de tal modo porque ele é narcisista? Ou então você conversar dois minutos com uma pessoa e falar uma característica óbvia dela (que ela mesmo nem percebeu) e ela ficar super impressionada? Tem como não sentir orgulho quando o personagem psicólogo da série (meio misturado com a psiquiatria, às vezes) desvenda todo o paciente em um estalo? É uma sensação boa, mas isso tudo é exagerado. 

Somos psicólogos, mas antes disso, somos humanos. E agora, voltando ao assunto do post, depois dessa volta toda, pode um psicólogo ser blogueiro, e manter um blog que não seja sobre psicologia? Pode um paciente saber coisas de seu psicólogo e ainda assim, continuar o atendimento normalmente? Eu não sei. Não tenho ideia. Se a ideia era responder a pergunta, e se você veio aqui pela resposta, me desculpe. Pretendo levar essa questão adiante, perguntar a um professor, obter uma explicação. Fica óbvio que dependendo da resposta, vou ter que tomar uma decisão no futuro. Não gosto muito da ideia. Mas ainda assim, até lá, muita coisa ainda vai rolar. 

26 comentários:

  1. Sabe eu me vi um pouco nesse texto, eu sou professora, formada no magistério e me formo em pedagogia este ano, as vezes eu tenho receio de dizer, ou publicar algo em redes sociais, pois querendo ou não as pessoas me olham como "a" professora, mas também sou um ser humano. Complicado, né?
    Bj

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    1. Exatamente isso Yasmin! Algumas profissões são mais complicadas por causa da imagem que temos delas. Professores para mim sempre me parecem aquela criatura séria e disciplinada, e que é só professor. Depois que adicionei alguns professores no meu Facebook a visão mudou um pouco, mas alguns ainda tem essa imagem. Somos humanos também né?

      Obrigada por comentar!

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  2. Adorei a questão do post, é um debate muito interessante. Na minha ~humilde~ opinião de quem não entende muito de psicologia, acho que seria muito bom se os psicólogos tirassem um pouco essa cara de paisagem, e se mostrassem mais humanos aos pacientes, eu pelo menos, me sentiria mais confortável em conversar com um psicólogo assim do que com um que parece um ser sem emoções. Se ele/ela fosse blogueiro então, seria muito legal ><
    Gostaria de ver outros posts sobre o assunto, pois como eu disse é uma questão muito interessante!

    ♥ Rendas e Doces

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    1. Eu também penso assim Adália! Até porque não gosto dessas pessoas que mais parecem robôs do que gente. Fico mais tranquila quando conheço alguém e descubro que ela é uma pessoa normal, principalmente em redes sociais hahah'

      Pretendo trazer mais posts sobre o assunto sim, gosto de posts que geram debates ^-^

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  3. "a psicologia tem essa imagem de ser a dona da verdade, senhora do mundo, detentora da sabedoria absoluta sobre a humanidade" - Haha, esse é um grande problema que tenho com a psicologia enquanto estudante de Ciências Sociais. Porque muitas vezes os psicólogos 'roubam" nosso espaço por causa dessa fama - assuntos que eram para ser tratados por sociólogos, antropólogos, etc acabam sendo discutidos na grande mídia por psicólogos, que são quem as tevês, rádios, jornais etc chamam pra discutir certos assuntos. Irritante isso aeHaeheahea

    Outro problema que particularmente tenho com a psicologia é metodológico. Hoje em dia imagino que isso tenha parado um pouco mas antigamente fazia-se uma pesquisa com umas 100 pessoas dos EUA e de repente os resultados eram declarados como "a forma como o ser humano funciona©" sem considerações mais profundas sobre educação, cultura, sociedade, enfim... Bem complicado.

    Quanto a essa questão do psicólogo ser mais humano, um psicólogo que achei fantástico foi o do livro "O lado bom da vida". Muito bom! O autor de "O carrasco do amor" (que também escreveu umas ficções populares bem boas, tipo A cura de Schopenhauer e Quando Nietzsche chorou) parece ser bem legal também.

    Enfim, bela reflexão!

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    1. shaushuashua' sei como é. Muitas vezes assuntos que eram pra ser discutidos por psicólogos acabam sendo falados por psiquiatras, médicos (clinico geral) e por padres, é tenso. Acho que isso acontece também pela dificuldade de explicar pro senso comum que essas profissões também tratam do assunto. Eu só fui descobrir que existem antropólogos na faculdade, e pensava que quem se forma em sociologia só podiam ser professores... Pois é.

      Ah essas pesquisas geralmente são pseudo-psicológicas haha' Elas só ficam mesmo na internet, porque pelo menos até agora, nunca estudei isso na faculdade. Tem que ver muito de onde vem a pesquisa, porque é comum esses estudos surgirem do nada e tentaram falar sobre todos os povos e culturas. Até porque, a própria psicologia não é uma ciência única, tem um monte de correntes teóricas e cada uma fala uma coisa...

      Ainda não li O lado bom da vida, mas eu tenho ele aqui. Vou deixar separado pra ler, não sabia que tinha psicólogo

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  4. Eu não acho que um psicólogo pode (nem deve) ser totalmente imparcial, viver com cara de paisagem. Sei disso porque sou paciente (e o termo correto, na minha opinião é paciente, porque "me trato") há anos e consigo reconhecer as nuances na cara de paisagem da minha terapeuta muito bem.

    E ao longo do tempo também percebi que encontrar algo em comum com o psicólogo é essencial pra manter uma terapia saudável, afinal, você abre seu coração ali naquela cadeira (sofá, divã etc).

    Ótimo post! Adorei a discussão :)
    Abraços

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    1. Detesto essa ideia de falar "clientes". Soa tão comercial, parece que estou vendendo alguma coisa pra pessoa, e a relação sempre soa como 'vendedor-cliente'. Não gosto muito da ideia da cara de paisagem, ninguém quer falar com alguém que não demonstra nada né?

      As reclamações que mais ouço de adolescentes que os pais querem levar ao psicólogo são "eu nunca vou conseguir me abrir para alguém que não conheço". E é verdade, ninguém vai se abrir pra um completo desconhecido. Tem que ter confiança, e você só pode confiar naquilo que você conhece.

      Obrigada pelo comentário!

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  5. Apesar de ter mais mulheres que homens nessa profissão, atualmente... quando falam sobre psicologia o que vem na minha cabeça é essa imagem de homem barbudo que vc disse no google rs..

    Eu acho que é possível sim, não é expor pacientes nem nada, mas vocês ficam por dentro das coisas que acontecem com mais profundidade e acho que isso ajuda a enxergar as coisas de uma forma diferente.. ou será que falei besteira? rs

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    1. hahahah' eu também tinha essa imagem na minha cabeça, um cara tipo o Freud... Mas a verdade é que na Psicologia os homens são minoria. E minoria mesmo! Na minha sala tem mais ou menos 10 homens, pra 30 mulheres. E é assim em todas as turmas do curso (a minha é a que tem mais homens, pra você ter noção). Isso porque nós temos poucas pesquisadorAs na Psicologia, a maioria das correntes famosas foram fundadas por homens.

      Besteira nada, faz todo sentido. A gente muda o tempo todo e a Psicologia e as Psicólogas tem que estar sempre se atualizando pra acompanhar as mudanças.

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  6. Pra ser sincera odeio psicólogos!! Já tive desentendimentos com uma professora que estudou psicologia, odeio aquelas mulheres de RH metidas á psicólogas hahahahah. Não desrespeitando a profissão, jamais. Mas é algo pessoal mesmo.

    http://heyimwiththeband.blogspot.com/

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    1. hahahahh' que triste saber isso! (apesar de estar rindo). Não sei o que houve pra você não gostar de psicólogas, mas espero que encontre alguém um dia que desfaça essa imagem que você tem <3

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  7. Posso falar besteira, afinal não sou da área hahahaha. Mas acredito que o problema em se expor para o paciente é justamente por ele poder imaginar qual será sua reação e o que você vai pensar de certos assuntos... sabe? Sendo que durante uma seção é necessário ser o mais neutro possível né? Por isso não é recomendando terapia entre amigos; Certo...? hahahahaha. Devo estar falando só besteira!!
    Mas como a gente costuma se abrir completamente nas postagens, imagino que a resposta a pergunta seria "não". Bom, não sei! hahahahaha. Como tudo está em constante mudança, vai ver o futuro da psicologia é completamente oposto ao que é hoje né?
    Adorei o post, a reflexão e a abertura para discutir o assunto, Marina! Muito bom!
    Beijoss

    Clareando Ideias

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    1. Besteira nada, tá certinha. Mas é isso que eu questiono sabe? Essa "neutralidade", essa coisa de ter que ser um quadro em branco pro paciente preencher... Sou gente também, essa neutralidade que falam é praticamente impossível.

      Terapia entre amigos e família (psicologo ser da família do paciente) não é recomendado por essa questão, e também porque o paciente pode mexer com questões que dizem respeito ao psicólogo. Tipo, já imaginou você atender sua irmã, e ela começar a falar uma coisa da sua mãe que você jamais aceitaria? Como diria minha professora, a mãe de uma pessoa é uma, a mãe da irmã dessa pessoa é outra.

      Eu espero que o futuro da psicologia seja bem diferente mesmo! Até porque a sociedade tá mudando e a gente tem que acompanhar essa mudança, se não fica uma coisa atrasada, obsoleta. Quem sabe né?

      Obrigada pelo comentário e pela participação <3

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  8. Olha, acho que desde que não exponha pacientes, pode ser um ambiente rico para troca de informações. Isso se o blog for sobre psicologia séria.
    Não sei, acho que não tem nada de mais, quando a ética imperar.

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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    1. E se o blog for pessoal e deixar completamente de fora o ambiente de trabalho, será que rola? hahaha Não conheço um blogueiro-psicólogo que não fale sobre psicologia no próprio blog ^^

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  9. Oi Marina,
    Tudo bem?
    Confesso que fiquei na dúvida quanto a pergunta do título. Entendi a dúvida porque se eu precisar de uma psicóloga e descobrir que ela odeia Harry Potter, bem, ela pode ter suas razões, mas vai me irritar bastante e eu posso até decidir não consultá-la talvez. Mesmo que ela não fale mal do bruxinho nas sessões (imagino que se não for pertinente ela não fará), mas imagina eu encarar uma pessoa que escreveu um textão esculachando a série em seu blog.
    Passo por coisa semelhante como escritora. Tenho que pensar muito bem no que vou escrever. Mesmo sendo um pouco mais livre para defender meus pontos de vista (acho que a maioria dos leitores querem isso), evito entrar em discussão sobre assuntos que eu tenho aversão. Principalmente na internet onde não temos como saber quem atingirmos.
    Difícil viver com humano. Partiu morar com cães! Hahahahaha....

    Beijussss;
    http://hipercriativa.blogspot.com.br/
    https://www.facebook.com/BlogMenteHipercriativa

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    1. Um psicólogo não pode induzir um paciente a esse tipo de coisa (gostar ou deixar de gostar das coisas) assim como falar mal delas, então acredito que não ia acontecer. Mas falar mal da série em um blog poderia acontecer, e como será que isso ia ficar? Vivo me perguntando isso...

      uhuahusahsau' acho que vou morar com cães mesmo! Posso fazer o que quiser sem ficar me preocupando com o que vão achar de mim ou se isso vai afetar a relação

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    2. Pois é, nesse aspecto que eu penso. Na conversa com o paciente ele não vai falar mal nem nada, mas se eu descubro um blog com uma opinião assim tão forte pode alterar minha relação com o 'psicólogo' com certeza.

      Hahahahaha... cães são sempre excelentes companhias! :D

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  10. O engraçado é que quando eu li o assunto do post a primeira coisa que pensei foi "isso não é regra, é coisa de psicólogo pra parecer superior" e vc disse exatamente isso algumas linhas depois kkkk
    Bem, como vc disse, pode parecer bobeira pra quem não é da área, e a verdade é que a maioria das coisas da psicologia parecem bobeira pra mim. É por isso que eu larguei a carreira depois de dois anos de faculdade.

    "Eu ainda não entendi porque. Por que meus pacientes (agora chamados "clientes") não podem saber muito sobre mim? Você deixa de ir a um dentista porque descobre que ele curte Game of Thrones? Deixa de ir a um médico porque ele é flamenguista? " - Questões muito bem levantadas, realmente amei esse post.
    Foi o texto sobre psicologia mais sincero que eu já vi uma pessoa da própria área escrever, de verdade. Saiba que vc ganhou uma fã.

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    1. Eu amo a profissão que escolhi, mas não posso negar que tem um monte de besteiras e manias de psicólogo tentando ser superior aos demais mortais kkkkkkkk

      Estou no meu segundo ano de faculdade também e essas coisas me chamam muita atenção, me irritam às vezes, e eu espero que muita coisa mude no futuro. Não pretendo desistir, mas já passou pela minha cabeça algumas vezes... Complicado né?

      Fico feliz que tenha gostado do post *--*

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  11. Minha psicóloga me ajudou muito e não foi fazendo-se de super-humana ou ficando com cara de paisagem. De vez em quando ela usa ela mesma como exemplo em algumas situações em que estou com dificuldade, sei muito da filha dela, do marido dela, sei que ela teve fobia de cachorro por muito tempo e tals. Nada disso interferiu negativamente no meu tratamento, muito pelo contrário: Me passou até mais confiança e me fez vê-la mais como alguém que está querendo me ajudar. A mesma, inclusive, é a mais requisitada no meu estado.

    Ótima postagem <3

    Beijos, kawaii-world.net!

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    1. Muito legal saber disso. Eu penso que deveria ser exatamente assim: saber mais de um psicólogo deveria dar mais segurança pra pessoa e deveria ser até recomendado quando a gente começa a se formar, mas acontece justamente o contrário. A maioria das pessoas que conheço que querem ir a um psicólogo, mas não vão, usam o argumento de que "eu não conseguiria me abrir para um desconhecido". Não deveria ser assim. O psicólogo tá lá pra ouvir a pessoa e ajudar, ser um "desconhecido" só vai tornar o trabalho mais difícil.

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  12. Olha Marina, quando eu era estudante, eu pensava a mesma coisa. As pessoas não podem me julgar pelo o que escrevo, ou pela roupa que visto. O que importa é minha sabedoria, minha competência. Mas infelizmente, a duras penas, eu descobri que não era assim. As pessoas simplesmente não conseguem separar a vida pessoal da profissional. Muito pelo contrário. É através da análise da sua vida pessoal e do seu psiquê, que elas julgam sua capacidade profissional. Na minha área é ainda pior. Como você sabe, sou advogada. Não só as coisas que eu penso de forma íntima me descrevem para meus clientes, mas também, se meu carro é do ano e se meu terno é de marca.

    Uma vez, depois de já formada, fui participar de um curso de Postura do Advogado. Na primeira aula, o professor falou o seguinte: "Sei que quem é recém formado, vai julgar o que vou dizer, não vai entender e vai ficar revoltado. Mas advogado, tem que usar o terno mais caro e seu carro tem que ser do ano. Que divida em mil prestações, que pague para o resto da vida, mas invista na sua imagem, porque o cliente não tem condição de analisar sua capacidade técnica de plano, a primeira vista. Seu cliente não entendi nada sobre direito, ele não sabe sobre as coisas espetaculares que você carrega na memória sobre os direitos humanos. Seu cliente sabe que você é um bom advogado, pelo carro que você anda, pela roupa que você veste. Ele julga se você é competente, pelo aspecto do seu escritório. São essas coisas que ele tem pra avaliar se você é um advogado de sucesso ou não."
    O professor ainda falou da bolsa da advogada, que deve ser sempre linda e que suas unhas deve estar sempre feitas.

    Eu já tinha 2 anos de advocacia quando fiz o curso e já tinha observado esse tipo de comportamento nos meus clientes e nas pessoas ao meu redor. Como eu tive muitas dificuldades no começo da carreira, pude perceber a diferença de tratamento, de quando eu era mais simples e de quando eu passei a me vestir melhor, a ter um carro, etc. Até o tratamento nas secretarias dos tribunais melhora.

    Quanto a publicação de pensamentos, não é diferente. Pior é que eu odeio usar meu Facebook, por exemplo, pra ficar postando coisas relacionadas ao meu trabalho. Milhares de pessoas me disseram que se eu fizer isso, eu irei melhorar minha imagem profissional, mas não vejo isso com bons olhos. Na verdade, acho horrível perfil de advogado que fica tirando selfies nos tribunais e falando de causas processuais, as vezes até expondo seus clientes.

    É claro que, em se tratando de Facebook, eu procuro não ficar publicando pensamentos íntimos. Como eu faço no meu blog, por exemplo. E inclusive, você pode reparar que no meu blog, eu sou "Sabrina Liddell", justamente pra não relacionar meu nome profissional com meu principal lazer: que é escrever "trivialidades".

    É bem complicado, depois que a gente forma, sabe?

    Por exemplo, eu trato meus amigos, de forma informal, sempre. Sorrio bastante, nunca deixei de ser quem eu sou pra eles. Mas eu percebo preconceito deles com relação a mim, por causa disso.
    Por exemplo, eles vivem me jogando indiretas do tipo: nossa, conheci um advogado super sério, que fala super bem.... Meio que me diminuindo por eu ser espontânea com eles, por eu ser brincalhona. É como se eu tivesse perdido o direito de ser a Sabrina, podendo ser apenas advogada, até com meus amigos mais íntimos.

    Antes de formar, eu julgava muito mal aquela figura de advogado, que nunca deixa de ser advogado. Aparece na padaria, no domingo de manhã de terno e gravata, conversa sempre com formalidade, chegando a ser até um pouco arrogante. Não julgo eles mal, porque hoje eu vejo que é só assim que as pessoas respeitam o profissional. Só podemos deixar de ser advogado, quando chegamos em casa, sozinhos no quarto. É bem triste isso.

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    1. Isso me lembrou muito uma tirinha que vi outro dia, falando que a pessoa entra na faculdade (inocente) como uma borboleta, e depois de um tempo na vida profissional vira um jacaré. Acho que nem é por vontade própria, mas a gente tem que se adaptar as circunstâncias se quiser sobreviver né?

      Você percebe que a coisa tá feia quando existe um curso de Postura do Advogado. Poderia ser um curso de postura ética (que nem deveria existir, de qualquer forma), mas, pelo que entendi, é um curso sobre a imagem do advogado.

      Também não gosto de profissionais que ficam compartilhando coisas sobre a profissão no facebook. Mas já vi muitos sites falando pra fazer esse tipo de coisa, porque uma empresa ou cliente pode visitar seu perfil pra avaliar você profissionalmente. Pra mim isso soa como receber uma visita em casa pra ver se você pode ser contratado em um emprego, mas é a nossa sociedade, é assim que funciona.

      Já tinha reparado o Liddell, só não imaginava que era pra separar as duas coisas. Me pergunto se vou ter que fazer isso um dia, mudar o nome pra manter um espaço na internet, deixar de ser eu mesma pra ter uma postura profissional, deixar de falar bobagem com os amigos pra parecer mais séria...

      Nunca mais vou ver esses advogados que só andam de terno da mesma forma. Também julgava mal, mas depois de ler seu comentário mudei de ideia quanto a eles. Talvez seja pelos motivos que você citou

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  13. Olá sou a Iolanda, e achei o post muito pertinente, nós que temos uma profissional que é esteriotipada é complicado nos expormos, pois sofremos um "preconceito", mas em resumo acredito que possa ter um blog um pouco mais pessoal sim, em algumas linhas da psicologia não precisa ter a "cara de paisagem" por exemplo a cognitiva comportamental (TCC) e a Comportamental a dinamica com o paciente/cliente é algo de interação e dependendo do caso pode ser algo mais descontraído, então não precisa ter uma distancia tão grande da "humanidade do psicólogo" rsrs , então não sendo nada que envolva a ética profissional, acho muito válido, pois diminiu a "distancia" entre a psicóloga como um ser do outro mundo que não tem gostos e vontades como qualquer outra pessoa.

    bjo meninas!

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