16/01/2016

Traças, bagunça e as coisas que temos

Bagunça
Uma boa bagunça, pra ilustrar
Dia desses tava de boa no meu quarto, quando de repente, vi uma traça caminhando pela parede. Não era uma traça qualquer, dessas que a gente vê aos montes em casulos por aí, era uma traça prateada, horrorosa, que eu soube na hora que se alimentava de livros. Me bateu um desespero muito grande, e no outro dia eu já estava tirando todos os meus livros do lugar, botando tudo no sol e limpando o quarto todo. Não sei se consegui acabar com as desgraçadas bichinhas, mas depois disso vi umas duas ou três, matei elas e nada. Diz minha mãe que a limpeza foi tão intensa que elas foram embora. Mas eu não confio, e já estou me preparando para uma nova limpeza antes de voltar as aulas. Eu praticamente moro numa caverna, minha casa é escura e úmida, temos muitos problemas com mofo e poeira, e com a quantidade de livros que tenho, não é de admirar que tenha aparecido algumas malditas traças. Já sofreu desse problema?

Mas a questão aqui não são as traças. As traças são assuntos para outro post. A questão é que, enquanto limpava tudo, percebi o quanto eu tinha muita coisa. Eu tirei tudo do meu guarda-roupa, todas as roupas e tralhas que eu guardava e coloquei no sol, fiz o mesmo com os livros e objetos da minha estante (que na verdade é um armário). Depois fiz aquela limpeza. Passei uns produtos que dizem que espanta traças, e tem cravo da índia pra tudo que é lado no meu quarto. E no meio dessa arrumação toda — que demorou dias — comecei a ver minhas coisas, coisas que sempre pensei que ou a) eu tinha pouco (poucas roupas, poucos sapatos, etc.) ou b) eram fundamentais para minha existência, como coisas inúteis, sem sentido e que estavam me consumindo. Vi que meu guarda-roupa está lotado de roupas que não me servem, não gosto e não uso, mesmo que eu sempre separe uma peça ou outra para doação ou lixo, dependendo do estado dela. Vi o quanto de papel eu estava guardando, a grande maioria lixo ou coisas que trazem sentimentos ruins, como meu papel de reprovação na auto-escola (?), vi que eu possuo uma quantidade muito grande de cosméticos e maquiagens, mesmo sendo uma pessoa que normalmente não usa esse tipo de coisa. Eu vi muitos e muitos excessos, e principalmente, vi excessos de livros.


Nunca pensei que poderia me desapegar dos meus livros. Nunca. Mas estou revendo minha decisão. Não posso prometer que vou doar todos, esvaziar a minha estante e parar de comprá-los, mas quem sabe, doar um ou outro, alguns livros que li mas que mesmo gostando, não fazem tanta diferença assim? Sempre quis ter uma estante lotada e tudo mais, porém hoje percebo que a tal estante lotada que sempre quis está sendo um peso nas costas. E já carrego peso demais. O problema não é só as traças, o problema é que, com o tanto de livros que tenho, evito comprar outros por falta de espaço, e evito limpar com maior frequência porque dá um puta trabalho tirar tudo do lugar, limpar tudo e colocar tudo no lugar de novo. Estou até pensando em comprar um Kindle e passar a dar prioridade a livros digitais. Odeio o fato de ter que esperar algumas semanas pra começar uma leitura porque o livro ainda não chegou pelo correio. Amo o cheirinho do papel, o "sabor" dos livros nas mãos, mas se for pra ficar guardado atraindo traças sem ninguém ler é melhor passar adiante, certo? E o mesmo vale para outras coisas.

Já tem um tempo que estou tentando viver uma vida mais minimalista, mesmo sem saber se esse é o termo correto para usar. Diante de tanto estímulo para consumir, consumir e consumir, me parece que o único modo de viver plenamente é nadando contra a corrente. Já tinha falado sobre isso aqui no blog, sobre retirar os excessos, guardar menos coisas, limpar a mente. Estou mais focada nisso do que tudo, e atualmente minha meta de vida é ter um guarda-roupa como esse:

Talvez eu esteja exagerando, mas se conseguir trocar meu guarda-roupa atual por um menor já está valendo
Minha arrumação no quarto contagiou minha mãe. E ela começou a arrumar um guarda-roupa da bagunça que temos aqui. Odeio quartos de bagunça, nos últimos dias descobri que esse tipo de cômodo nada mais é do que um lugar para jogar aquilo que não queremos e não precisamos, mas não sabemos o que fazer com eles. E esse poderia ser o slogan do nosso: um monte de coisas inúteis guardadas por anos sem ninguém se lembrar, simplesmente porque não tinham um destino certo e a gente se sentia culpado em jogar no lixo. Encontrei por exemplo, um controle remoto de uma televisão de tubo que foi dada pra outra pessoa há anos. Nem sabia que aquela televisão velha tinha controle remoto. E pior, por que o controle continuou aqui, se a televisão nem era mais nossa? Encontrei o primeiro celular com câmera que a gente teve. Uns cartões cafonas de quando meus pais namoravam, amarelados e velhos (eles tem mais de trinta anos de casados), um monte de brinquedos e bonecas inteiros que já deveriam ter sido doados, papéis, papéis e mais papéis, fios e caixas vazias (???) e mais uma infinidade de coisas, todas sem nenhuma utilidade. Separamos o que dava pra ser doado, o que dava pra ser reciclado e o que realmente é lixo, e enchemos vários sacolas. Ainda assim, não arrumamos tudo.

Minha família tem um 'Q' de colecionismo patológico. Meu pai odeia jogar as coisas fora e se bobear te impede de jogar algo no lixo, ou até tira de dentro dele, dependendo do que for e da profundidade do objeto na cesta. Essa limpeza, fizemos meio as escondidas, no dia em que ele estava trabalhando, para evitar que ele resolvesse guardar algo que era inútil, com aquela história de vai precisar um dia. Mas eu percebi que não era só ele quem fazia isso. Era todo mundo, a família toda, incluindo a mim. Eu também tinha muita coisa guardada por causa dessa história de "ahh vai precisar um dia". Até essas coisas foram pro lixo. O planeta que me desculpe, mas muita coisa não tinha outro destino. Ao menos eu consegui perceber isso a tempo. Deus me livre se as traças evoluíssem pra outros insetos. A intenção agora é tentar consumir menos, gerar menos lixo (e não guardá-los dentro de casa). Percebi que não preciso me organizar melhor, nem ter mais espaço, mas ter menos coisas. E embora eu as ache extremamente nojentas, tenho que dar um crédito as traças, aprendi essa lição com elas.

12 comentários:

  1. Tenho um post sobre isso guardado em algum lugar do blog pra postar quando a mudança em mim chegar... queria muito a coragem de doar, trocar meus livros ( e eu tenho poucos), mas continuo comprando mais. é um horror. Nunca tenho lugar pra guardar nada, e sempre tem lugar para poeira.
    Bem, compartilhando do sentimento de querer minimalizar a vida.
    xoxo

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    1. hahahaahah Regina não espera a mudança chegar não, vai atrás dela! Com roupas eu já me desapeguei completamente, mas com livros ainda é complicado. Separo os que são pra doação e troca, e me dá aquela dorzinha! Mas já estou preparando tudo, tocar os que não me agradaram muito, doar alguns pra bibliotecas. Só preciso vencer a preguiça de fazer uma nova arrumação

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  2. Viva as traças não é mesmo? Hahahaha.
    Teve um período na minha vida a uns aninhos atrás que eu estava acumulando coisas de uma forma meio doentia hahahaha. Eu guardava tudo, brinquedos velhos, roupas de quando eu era pequena, papeis, até lápis minúsculo sabe? Eita kkkkk. Enfim, quando me mudei de apartamento minha mãe quase me obrigou a jogar todas aquelas tralhas fora. Depois de muito protestar acabei jogando e olha... Foi a melhor coisa que eu fiz! Só depois dessa limpa notei o quanto o ambiente em que vivemos nos influência. Quando dizem que arrumar o quarto ajuda a arrumar a vida é a mais pura verdade. Dá uma leveza sem igual sabe? Hahahaha.
    Então sim! Desapega de tudo, joga tudo fora, doa, ou sei lá hahahaha. Vai em busca dessa vida mais "minimalista" que os resultados serão ótimos, sério! Ainda quero enxugar mais e mais as minhas coisas, aos poucos chegamos lá <3

    Beijos!
    Clareando Ideias

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    1. Apesar de tudo, viva elas! ahahhaah (mas continuo odiando as pobrezinhas)

      Sei como é Clara, também já acumulei assim. Eu me sinto bem mais leve quando abro uma parte do guarda roupa e vejo muito espaço sobrando. Dá um alívio tão grande, tipo, nada caiu em cima de mim hoje. Eba!

      Força nessa luta!

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  3. Eu tenho MUITA coisa tbm e sofro da sindrome do esquilo, guardo tudo e não sei jogar fora rs..
    Minha roupas, consegui diminuir a quantidade de peças depois que diminui o tamanho do guarda-roupa ^^

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    1. Desde que isso não te atrapalhe, tudo bem. Só não vale acumular bagunça que nem eu ok?

      Bjs!

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  4. Nossa, aqui em casa a gente é muito acumulador. Principalmente minha mãe. O guarda roupa dela até tá com um cheiro estranho de tanta coisa velha misturado com nova, e isso faz muito mal! O negocio é que ja tentei de tudo fazer ela parar com isso ou dimibuir um pouco, só que ela nao me escuta!
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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    1. Não posso te dar um conselho, também não sei o que fazer! hahha' Aqui na minha casa pegamos as coisas do meu pai, aquelas que são lixo mesmo sabe, e jogamos fora quando ele não está em casa. Dependendo do que sua mãe tem, até dá pra arriscar a fazer isso, mas a melhor opção é conversar com ela, se começar a virar um problema

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  5. Adorei!!!!!!!!!!!Deu vontade de fazer uma limpa na minha estante e no meu guarda-roupa agorinha mesmo!

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  6. Eu sou bem desorganizada e não arrumo meu quarto diariamente. Eu sempre limpo para evitar traças e aranhas que é o que mais tem aqui em casa, mas a desorganização reina. Sempre que estou inspirada e com vontade de limpar e organizar eu fico o final de semana inteira separando coisas que não uso e limpando tudo. É sempre bom renovar o quarto, tirar aquilo que você não precisa e colocar fora ou até doar. Aqui em casa também somos acumuladores, a diferença é que quando estamos inspirados fazemos aquela limpeza de colocar metade da casa fora HIUAEHIUAEHIA :D

    www.criatividadesem.com.br

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    1. Eu boto na minha cabeça "vou arrumar todo dia" e na primeira semana vai a mil maravilhas, depois já era, vira bagunça de novo. Eu tento manter as coisas sempre limpas, o problema é a umidade que junta nos cantos e atrás dos móveis. Tem lugar que não dá pra controlar

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