08/01/2016

Puro/Impuro,
e o ponto de vista de quem está olhando

Acho interessante quando um livro te desperta um questionamento, lá no fundo, e de repente você se sente como se tivessem lhe aberto os olhos, colocando um pouquinho de luz no seu caminho. Meu professor de Sociologia indica e gosta muito de um autor chamado Zygmund Bauman, e vive nos mostrando vídeos e trechos de capítulos de livros desse gênio. Quando me deparei com as ideias dele, fiquei logo encantada, e procurei um livro do autor na biblioteca da faculdade. Infelizmente não tinha o livro que eu procurava, que era Modernidade Líquida, mas me contentei em pegar outro, chamado O mal estar na Pós modernidade. Não terminei de ler o livro, estava cansada e o prazo de devolução se estendendo, então acabei devolvendo o livro sem terminar a leitura. Na verdade, cheguei a ler, no máximo, uns três capítulos. Mas valeram a pena.

Um dos três capítulos (e aqui posso cometer algum engano, porque minha memória não é perfeita) trata-se do conceito de pureza, puro, impuro, sujo, limpo, e em como tudo isso é influenciado pelo contexto. Um belo exemplo que o autor usou é o do sapato engraxado, que, brilhando, no seu pé, pode ser considerado limpo e belo, enquanto que se ele estiver na mesa de jantar, ele vai ser considerado sujo e nojento. O mesmo acontece com um omelete, pode parecer maravilhoso, limpo e bonito no seu prato, uma coisa deliciosa para comer, mas sujo se estiver no seu travesseiro, uma mancha nojenta que deve ser lavada. 

A partir daí, é fácil levar essa ideia para qualquer coisa na nossa vida: damos valores as coisas de acordo com o lugar em que ocupam, fora de contexto, as coisas são apenas o que são. Um sapato é apenas um sapato, o que o torna bonito, feio, limpo ou sujo, depende do contexto em que está, do ponto de vista de quem está olhando. Sempre que me pego com nojo de algo, me pergunto onde, aquilo que estou com nojo, não seria nojento. Na maioria das vezes, percebo que o nojo está em mim, não na coisa em si. 

Quando li isso (depois pareceu até óbvio) me senti como se estivesse enxergando com mais clareza, ainda que muito míope. Mesmo não tendo lido o livro todo, só esses capítulos já foram o suficiente. É claro que não é tarde para pegar o livro novamente e tentar ler até o fim, a biblioteca ainda está lá. 

E para quem se interessou pelo autor, vou deixar um vídeo dele que gostei muito (ele é um senhor muito fofo), que fala sobre a modernidade líquida. Vale muito a pena ver, principalmente a parte em que ele fala sobre o Facebook e os laços humanos ;)

7 comentários:

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    1. Verdade Peterson, também gosto muito dele :)

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  2. Meu deus, sério, você escreve muuuito (não é pouco não) bem! Eu fiquei fissurada pelo textos e mandei para várias pessoas, essa questão de contexto é completamente verídica, as coisas são bonitas em seu ambiente, mas em outros casos não são, fiquei encantada com o trecho "o nojo está em mim, não na coisa em si".
    Faça mais textos de questões sociológicas, please! Adorei esse estilo de conteúdo.

    XOXO Gabbs,
    Feche a Porta

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    1. Nossa, obrigada! Fico muito feliz que goste da minha escrita, significa muito pra mim. (*´∀`*)

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  3. Oi Marina!
    Adoro sociologia e gostei muito de conhecer este autor, e esta reflexão é mesmo muito interessante. Com certeza parece bem óbvio agora, mas faz total sentido. Assistirei a mais vídeos dele com certeza. :)
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com | Participe do sorteio

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    1. Assiste sim Daniela, tem vários pela internet, já vi um monte e ele sempre traz algo novo e interessante

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  4. Má! Como eu nunca havia pensado nisso antes? É o que vc falou, acaba ficando óbvio quando conhecemos o conceito, né?
    Adorei, vou ver a entrevista depois.
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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