03/05/2016

[Resenha] Will & Will: um nome, um destino - John Green, David Levithan

Will & Will: um nome, um destino
Autor: John Green, David Levithan
ISBN: 9788501093882
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Onde Comprar: Americanas; Submarino;
Sinopse: Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.


Will Graysom é um garoto quieto e "na dele", seguindo algumas regras de vida que ele determinou para si mesmo. Seu amigo Tiny Cooper é o cara mais espalhafatoso da escola, o completo oposto de Will, vive chamando atenção e se apaixonando a cada semana. Tiny Cooper também é gay, e pretende fazer um musical sobre isso. Certo dia, Will Graysom está tranquilamente seguindo suas regras, quando encontra um garoto, chamado... Will Graysom? Exatamente isso! Will & Will (experimentem falar esse nome em voz alta) se encontram, dividem o mesmo nome, e as semelhanças param por aí! 

A narrativa de Will & Will é dividida em capítulos narrados por um Will diferente. Um Will do Levithan, outro Will do John Green. Como diferenciar os dois? Bom, cada Will tem seu modo de ser, que fica claro logo a princípio, sendo o Will mais novo (vou chamar de garoto Will nesse resenha), diagnosticado com depressão, e o Will mais velho o amigo do Tiny. A narrativa do garoto Will é carregada de sentimentos depressivos, mas se isso não deixar claro a princípio de qual Will se trata, todas as letras do capítulo dele são minúsculas. Isso mesmo, não se trata de um erro da editora, TUDO está em minúsculo. Por que estou falando essas coisas? Porque vi no skoob várias resenhas de pessoas que só foram perceber que se trata de duas pessoas diferentes para mais da metade do livro, não entendendo bulhufas do que estava acontecendo e achando que o livro estava com defeito, então faço questão de explicar para novos leitores, caso falte interpretação. 

Will & Will: um nome, um destino


Agora voltando ao livro, gostaria de esclarecer uma coisa. O livro não é um romance LGBT. Fiquei um pouco decepcionada ao perceber que o foco do livro não é o romance, que era o que eu esperava. Na verdade, antes de ler pensava que o romance era entre os dois Will's, mas não é. Se fosse para definir o tema central do livro, eu diria que é Tiny Cooper o amor, ou a amizade. Toca um pouco na questão da aceitação e da tolerância, não só da aceitação da homossexualidade, mas da aceitação de si mesmo, seja gay ou não. Nesses aspectos, o livro não é muito profundo. Acredito que a literatura tem um grande potencial para informar e desenvolver pensamento crítico, mas esse não era o foco do livro e eu entendo. Se alguém conhecer livros jovens adultos que se aprofundem mesmo nesse tipo de questão, me indiquem.

Apesar de não ser uma história muito profunda, foi uma leitura maravilhosa para mim. Já tinha lido outros livros dos autores, vários do John Green e Todo Dia, do David Levithan, e sendo uma grande fã de ambos, não fui decepcionada. Confesso que me emocionei várias vezes, principalmente com alguns pensamentos do garoto Will. A narrativa foi tão sensível e real em alguns pontos, que senti que ambos os autores realmente sabiam do que estavam falando, tinham vivido aquilo e não estavam escrevendo baseado apenas em achismos ou no que imaginavam ser os sentimentos de alguém na situação dos personagens. Minhas partes favoritas foram as dos questionamentos e reflexões que os personagens fazem sobre a vida, os diálogos que trocavam e as metáforas que faziam. Como diria uma amiga minha, todo livro tem uma lição. E é incrível como encontro essas lições em livros que são considerados apenas "literatura de entretenimento".

Will & Will: um nome, um destino


Sobre o garoto Will (meu personagem preferido), percebi que, embora ele não perceba, ele sente bastante, e com muita intensidade. Tudo parece afetá-lo de forma mais intensa que as outras pessoas, e talvez isso seja uma característica da depressão. Lembro que percebi essa mesma característica no Leonard, do livro Perdão, Leonard Peacock, que também estava em depressão, embora não tivesse sido diagnosticado como o garoto Will. E o mais interessante nisso tudo é que mesmo sentindo com tanta intensidade, Will age como se fosse um garoto frio, vazio, sem sentimentos ou emoções. Ele pensa que é assim e acredita realmente nisso. Uma das partes mais lindas do livro foi quando o garoto Will entendeu que ele também sentia, e que não era um garoto vazio e sem coração. Me emocionei demais.

Enfim, Will & Will é um ótimo livro, com algumas lições, uma história cativante e envolvente, embora não muito profunda. A história pode passar a impressão de inacabada ou deixar um sentimento de "tá, mas e daí?", pois não tem foco em acontecimentos ou eventos, mas nos sentimentos e pensamentos das personagens, e isso pode parecer estranho a princípio, mas nada que tire o brilho da história. A parceria entre os dois autores foi maravilhosa e passa a impressão de Will & Will ter sido escrito por uma pessoa só, tudo se complementa e se encaixa perfeitamente, com detalhes que se mesclam nos capítulos dos dois autores. Leitura recomendadíssima! 

Will & Will: um nome, um destino


quando as coisas se quebram, não é o ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam. é porque um pedacinho se perde — as duas bordas que restam não se encaixam, mesmo que queiram. a forma inteira mudou

6 comentários:

  1. Olá, tudo bom?
    Eu queria muito ler esse livro, na verdade esse é o único livro do John Green que não li até agora, acredita? E eu me sinto bem mal por isso, sério. Mas eu li muitas resenhas dizendo que o livro é ruim e confuso. Eu nem devia acreditar muito nisso, por que Cidades de Papel e Teorema Katherine não tem uma critica tão positiva assim e eu gostei.
    Mas um dia eu leio Will & Will.

    http://s-sessaoproibida.blogspot.com.br/

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    1. Adorei as imagens da postagem, ficaram linda!

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    2. É o que acontece com autores muito populares, muita gente pega pra ler com expectativas altíssimas, e acabam se decepcionando. Não achei o livro confuso, como eu falei na resenha, ele é muito focado nos pensamentos dos personagens, a história é só um pano de fundo, as coisas importantes estão acontecendo "dentro" dos personagens. Também gostei de Cidades de Papel e O Teorema Katherine.

      Fico muito feliz que você gostou das fotos, significa muito pra mim <3

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  2. O povo achando que o livro esta com defeito é o pior hauehauheuaheuahe
    Olha, tbm tive essa sensação de nao sentir profundidade nos livros do John Green.

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    1. suhaushaushaushush' é cada uma que aparece!

      Alguns livros dele não são muito profundos mesmo, mas a gente tem que levar em consideração que o público que ele escreve é gente bem jovem, que está vivendo aquelas coisas no livro (formatura, ensino médio, adolescência). Pra mim, que estou na faculdade e minhas preocupações envolvem provas e carreira, o amigo gay na escola ou a garota bonita (quem é você, alasca?) não fazem a menor diferença.

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  3. Oi Marina, amei a resenha, ´´e um livro que estou querendo ler, quem sabe agora tomo coragem.. bjs
    http://preguicaliteraria.blogspot.com.br/

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