18/07/2016

Quando estar perdido é a melhor forma de se encontrar

Sobre estar perdido... e o que fazer daqui para frente
Eu preferia não colocar títulos nos meus posts
Passei os últimos dias pensando na falta de assuntos que falei no último post, e pensando também em como seguir com o blog (e com a vida) daqui para frente. De alguma forma esse blog reflete muito do que estou passando na minha vida offline, e mesmo depois de todo esse tempo eu ainda me espanto com tudo isso. Estou em um "capítulo" da minha vida que não sei muito bem o que quero fazer ou aonde quero chegar. E pela primeira vez eu acho que isso é bom. Quero dizer, existe oportunidade melhor para se encontrar do que quando se está perdido? De alguma forma, parece que tudo a minha volta conspirou para que eu pensasse a respeito disso. Estou assistindo uma série onde o personagem principal está passando por uma grande mudança, e diferente de mim que ficou sem saber o que fazer, ele ficou animado com as possibilidades, animado com a falta de controle sobre sua vida e principalmente curioso com o que podia acontecer. Eu costumava me sentir assim às vezes, em um passado muito distante, mas essa curiosidade foi embora a medida que eu dei espaço para o medo. Me iludi achando que estaria segura se estivesse no controle de tudo, e acho que isso roubou grande parte da minha criatividade e espontaneidade. E só agora estou percebendo isso. Estive moderando e controlando tudo o que eu fazia e escrevia, com medo de ser julgada, e o blog — e o Instagram, e o Twitter, e todas as minhas redes — começaram a perder o sentido e se tornar um estorvo para mim. "Ah, eu tenho que editar essas fotos? Que chato", "Como posso escrever sobre isso? Não tenho domínio para isso", "Não ficou bom o bastante", "Isso realmente vale a pena ser compartilhado?", "Quem vai querer ler isso?", "Eu só falo bobagem", "O que os outros vão pensar se eu postar isso?", "Minha vida não é tão legal quanto a da Fulana, não tem nada para eu contar aqui"...

Banquei minha própria terapeuta e precisei de algumas horas de conversa comigo mesma, cerca de 7 episódios de uma série nada a ver com o assunto e ler alguns posts de um blog chamado Desancorando (que acabei de conhecer) para me lembrar que um blog é um espaço pessoal, e que você não precisa ser um expert em alguma coisa para falar sobre ela, muito menos ter uma vida digna de uma celebridade para falar sobre, você só precisa ser você. E não é exatamente essa a graça dos blogs? Encontrar alguém com uma vida tão comum quanto a sua, mas que de alguma forma torna as coisas especiais? Pelos comentários que eu recebi no post passado (e pelos quais eu fico imensamente grata), percebi que não sou a única nessa situação. Precisei lembrar porque eu mesma leio blogs para me lembrar porque eu escrevo o meu. Quando eu procuro um tutorial, uma dica, ou mesmo um texto sobre a vida, eu não procuro a opinião de um especialista, alguém formado e com anos de experiência no assunto, eu procuro alguém que tenha uma vida parecida com a minha, que veja as coisas como eu vejo, e que me transmita a ideia de que, se essa pessoa conseguiu, eu também consigo. Se ela tirou determinadas conclusões sobre algo, ou se pensou de determinada forma, eu também posso pensar assim. Nós somos parecidas, essa pessoa é como eu e como dizem por aí "é gente como a gente". Afinal, se eu quero uma indicação de série nova, eu não procuro em sites de críticas, eu vou direto nos meus amigos que choram e torcem com os personagens, se apaixona por eles e com eles ou desiste da série se ela não agradar. Pessoas como eu, que reagem como eu reajo. É isso que eu procuro, e é isso que um blog deveria ter.

A pessoa por trás de um blog é a coisa mais importante em um blog. Vou imprimir e botar no meu guarda-roupa para me lembrar disso a todo momento. Não é que você tenha que ser um personagem saído de um livro para poder blogar, ou a última coca-cola num deserto (essa expressão é pejorativa não é?), o modo como você vê as coisas, o modo como eu vejo as coisas, o modo como cada um vê as coisas é único, e se a visão de mundo de cada um não vale a pena ser compartilhada, eu sinceramente não sei o que vale a pena. Mas, para compartilhar o modo como vemos as coisas, é preciso largar o modo como queremos que as pessoas nos vejam, e essa é a parte mais difícil. É isso que eu preciso tentar daqui para frente. A propósito, o nome da série que estou assistindo é Lúcifer. Mesmo o protagonista sendo o diabo, deu pra aprender muita coisa com ele.


11 comentários:

  1. Compreendo perfeitamente os seus sentimentos. Como você, já estive perdido várias vezes. Sempre tive dificuldade de compartilhar as minhas opiniões, tanto que o meu primeiro blog foi anônimo. No fim, acabou não virando nada. Recentemente, criei um blog verdadeiramente meu, como o meu nome. Como você, percebi que podemos compartilhar as nossas opiniões sem medo dos julgamentos alheios. Adorei ler essa postagem, pois, por meio dela, tenho certeza que estou no caminho certo. Continue em frente, pois tenho certeza que você encontrará o melhor caminho para seguir. Sucesso e obrigado.

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    1. Oi Leandro!

      A melhor parte de escrever um blog é encontrar pessoas que se identificam com você. Quando li o seu comentário soube que não estava sozinha. Quando criei meu blog escreveria praticamente de forma anônima, não usava foto, não tinha sobrenome, nenhum link para redes sociais... mas aos poucos fui me expondo mais. Dá sim um medo enorme do que os outros podem pensar, a internet pode ser um ambiente muito ruim às vezes, mas ainda assim as coisas boas que encontramos aqui superam as más. Eu que agradeço o comentário!

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    2. Realmente, Mariana. Ainda estou no começo, mas hoje vejo que os benefícios de compartilhar as nossas ideias e opiniões são muito gratificantes e, muitas vezes, superar os aspectos negativos. Espero que continue sempre compartilhando coisas novas com a gente. Adoro conhecer pensamentos e pontos de vista novos, eles ajudam muito, principalmente a repensar nossa vida e atitudes também.

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  2. Nossa Marina, muitas passagens do seu texto, parecem ter sido tiradas de dentro da minha cabeça. É impressionante como podemos compartilhar pensamentos e sentimentos apenas por passar por situações parecidas.

    A maioria das pessoas que visualiza nossos blogs, não sabe quanto é difícil fazer o próximo post, por mais simples que o assunto seja. Às vezes, cerca de 4 vezes por mês, penso em jogar tudo no lixo, apagar o blog, as postagens e todo o conteúdo e não deixar rastro de sua existência. Tudo por que às vezes me sinto pressionado por ele, pela "responsabilidade" de continuar compartilhando um conteúdo que muitas vezes eu não quero nem conhecer ou que nem faz importância para mim e isso irrita. Quando algo que foi criado para te deixar feliz se torna um tormento (Tenho que editar essas fotos? Tenho que fazer esse desenho? Para quem? Por que? Por qual motivo?), o mundo gira devagar demais e nada faz sentido.

    Aí tive uma espécie de epifania e percebi que não importa o que escrevo no blog, como, por que ou de que forma... Quem acessa o conteúdo sabe que ele é escrito por um ser humano que hoje pode gostar de andar do lado direito da rua, amanhã pode querer passar do lado esquerdo e no mês seguinte, pode nem querer passar nessa rua. São palavras de um ser humano, não de uma empresa então eu estou livre para fazer o que eu quiser, escrever o que eu quiser, mesmo que não conheça sobre aquilo profundamente. kkk

    Enfim, nós somos livres para fazermos o que quisermos dentro desse espaço, ele é nosso e de mais ninguém.

    Por isso gosto de ter muitos materiais, quando canso de um, mudo para o outro, quando canso, vou para o digital e se cansar de tudo, vou ler, jogar videogame antigo ou ficar atoa. Não recebo um centavo para fazer o que faço, então não tenho obrigação alguma com isso. kkkkk

    Você me inspirou a fazer posts diferentes pra o meu blog, posts assim, mais íntimos.

    Abraços! Se precisar, é só chamar.

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    1. Oi Mateus!

      Que bom que se identificou! Eu também sinto essa pressão, e é bem cansativo. Não imaginei que você passava pelo mesmo. Juro que enquanto lia seu blog, pensei comigo "é esse tipo de coisa que quero pro meu blog". Consigo ver muito de você nele, ver que é você falando sobre os materiais, o interesse que tem por cada coisa que aprende, a vontade de compartilhar o que sabe.... Não desista, e não deixe seu blog se tornar um peso pra você. Como você disse, você é livre pra fazer o que quiser com ele, então continue postando o que você gosta :D

      Se precisar, estou aqui também. Abraços!

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  3. Marina,

    Obrigada por esse post!

    Sei exatamente como é isso. Me inspirou...

    Beijos

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    1. Oi Silvia! Fico feliz que gostou, fico mais tranquila pra trazer posts assim. Volte sempre!

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  4. Realmente dá muita saudade dos blogs antigos e de como eram assuntos aleatórios mesmo. Mas eu acabei passando por uma situação bem chata, umas meninas malvadinhas do colégio que estudava descobriram meu blog e fizeram o maior inferno, fazendo bullying dentro e fora dele. Claro que a culpa não era minha, porém me arrependi de ter me aberto tanto no blog, pois se elas conseguiram achar ele, qualquer um consegue e isso pode ser até perigoso. Hoje eu sou mais neutra em assuntos pessoais!

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    1. Oi Mayara! Que situação chata a sua. É claro que se expor demais não é recomendado, porque na internet qualquer pessoa pode ler o que a gente escreve. Mas a exposição que eu digo é deixar de ser você por medo, sabe? Se você começa a escrever assim, seu blog passa a se tornar um peso chato, e não algo que você escreve porque gosta. Abraços, e sinto muito pelas meninas do colégio, espero que hoje você não tenha mais esse tipo de problema

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  5. Oii Mari,
    Olha, quando criamos o nosso blog já tínhamos definido que era um espaço pessoal nosso, apesar de ter um tema em foco tentamos cada vez mais deixá-lo com nossa cara, e bom, está dando certo. Foi muito bom você ter se dado esse tempo para pensar, as vezes nos sentimos assim deslocado... Espero que agora volte com força total e com foco no objetivo!
    Se precisar de qualquer coisinha pode contar conosco. Beijão <3

    Preguiça Literária

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  6. ' existe oportunidade melhor para se encontrar do que quando se está perdido? "
    Mari eu sou uma pessoa completamente perdida! As pessoas - principalmente familiares - me pergunta como consigo ser assim: uma pessoa sem planos e que futuro que espero disso sabe?
    Não é que eu queira ser assim, eu admiro e muito aquelas pessoas que conseguem escolher o que querem, quando querem .. Mas não me sinto eu quando tento fazer isso .. =/
    Me encontro nas minhas distrações ..

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