27/11/2016

[Resenha] Persépolis - Marjane Satrapi

Título: Persépolis
Autora: Marjane Satrapi
Editora: Cia das Letras
Páginas: 352
Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

Persépolis foi o livro do mês do Clube do Livro do qual eu faço parte. Não conhecia e nem mesmo tinha ouvido falar de Persépolis antes do clube do livro, e confesso, não foi o livro que eu votei. Frustrações a parte, foi o livro que ganhou a votação, e eu aproveitei para ler algo que não leria não fosse a ocasião. A minha primeira surpresa com ele foi quando descobri que não era exatamente um romance, mas uma história em quadrinhos. A minha segunda surpresa foi que a história é riquíssima em conteúdo sobre a história do Irã e a vida dos iranianos. Persépolis é uma verdadeira aula, e eu terminei a leitura sentindo que meu conhecimento sobre o país estava mais próximo da realidade deles.

Marjane Satrapi, uma mulher iraniana, criada numa família moderna e politizada, conta através dos quadrinhos, sua infância no Irã, o momento em que aconteceu a revolução islâmica, e todas as mudanças sofridas pelo país devido a revolução. Vemos como pouco a pouco a liberdade dos indivíduos são tomadas, sobretudo a liberdade das mulheres, que se viram obrigadas a usar véu, cobrir seus corpos e deixar de lado tudo o que poderia lembrar o ocidente, como maquiagem, itens de moda ocidental, festas, bebidas, entre outras coisas. Marjane, ou apenas Marj, como é chamada nos quadrinhos, foi criada para ser uma pessoa livre e crítica, além de situações do cotidiano e da vida de Marj, somos presenteados com várias reflexões sobre a situação política do Irã, ricos diálogos que ela troca com sua família a respeito de tudo o que estava acontecendo.

Com o tempo, os problemas sociais vão aumentando, a repressão se torna mais forte e Marjane começa a ter dificuldades de se adaptar. Criada para ser uma mulher livre, Marjane começa a desafiar as autoridades. Seus pais, temendo por seu futuro, a mandam para fora do país. Marj se vê na situação de ser uma estrangeira, iraniana, sozinha em um país com um extremo preconceito com iranianos, sem qualquer estrutura para suportar a nova vida. Passa por um intenso sofrimento, mas aos poucos consegue se encontrar.

Além da leitura fácil e envolvente, o que mais gostei em Persépolis foi poder ver e entender o outro lado da história do Irã, ver uma imagem completamente diferente daquela que vemos na mídia, de pessoas submissas, fanáticas religiosas, que aceitam tudo que seu governa os impõe. Marj nos mostra que não é assim que acontece. Tanto ela quanto seus amigos, mantinham uma espécie de "vida dupla". Em público, seguiam as regras do governo e aparentavam ser aquelas pessoas submissas que vemos na TV, mas na vida privada desafiavam as leis, faziam festas escondidas, consumiam produtos proibidos e faziam o que podiam para manter um pouco de liberdade. 

E pra quem ficou na dúvida se lê ou não (recomendo muitíssimo a leitura!), Persépolis possui uma animação que conta a mesma história. Vale a pena dar uma olhada.


7 comentários:

  1. Gente! Achei interessante contar a história Iraniana. É tipo "você não sabe como é se não passa por algo parecido", e ler uma história assim é ter consciência como outras tantas pessoas sofrem por ai. Gostei bastante da sua resenha.

    Até mais!
    Karolini
    womenrocker.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente isso! Eu não fazia ideia de como eram as coisas por lá até ler esse livro. Valeu muito a pena a leitura!

      Excluir
  2. Qual o livro que você votou? E por quê? Vi esse livro diversas vezes na livraria cultura, e confesso que não chamou minha atenção pelo tema. Sabe, eu amo livros que acrescenta quando tem haver com a história de algo, principalmente quando é algo cultural, mas quando o vi achei que era algo menos abrangente, sabe? Parece ser bem legal.

    Você continua escrevendo tão beeem Marina. É sempre nostálgico vim em teu blog, mesmo sendo o mais novo dos quais eu visitei (dos seus). E sim, parece que tudo isso de blog começou ontem e tudo mais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu votei no O livro do cemitério, do Neil Gaiman. Por que? Porque é o Neil Gaiman (um dos meus autores favoritos haha). É uma autobiografia, mas a autora estudava bastante e lia muito, então ela fala bastante sobre política também. É bem legal mesmo ^~^

      Obrigaaada! Parece que começou ontem mesmo, às vezes fica difícil acreditar que tem mais de 5 anos que estou por aqui, passa muito rápido! (o blog não é exatamente novo, eu só mudei o nome hahaha).

      Abraços Kuroh!

      Excluir
  3. Preciso muito ler! Sempre que passo pela livraria acabo passado por ele <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se puder, traz ele pra casa um dia desses, o livro é ótimo!

      Excluir
  4. Gente, mas eu to pra comprar esse livro faz tempo e não consigo! Preciso comprar urgente, eu sei que é um livro incrível!

    http://desneurando.com.br

    ResponderExcluir

Vai comentar? Lembre-se de seguir algumas regrinhas: nada de arrumar brigas com outras pessoas, e não use palavras de baixo calão! Não diga nada que você não diria para sua avó.

Obrigada pelo comentário, vou retribuí-lo assim que puder. Volte sempre (/◕▽◕。)/