05/01/2017

De quando eu fiquei aberta as possibilidades

Se tornar aberto a possibilidades

Eu costumava ser uma pessoa muito "fechada". Não fechada no sentido de andar de cara amarrada ou dar medo em alguém só de olhar para mim. Mas "fechada" no sentido de ser uma pessoa com uma rotina bastante rígida e que recusava qualquer possibilidade de sair dela. Eu vivia tranquilamente na minha zona de conforto e não via problema nenhum nisso. Até que eu comecei a perceber que a zona de conforto não é tão confortável assim.

Estou sempre em um processo de reavaliar minhas decisões e procurar entender o rumo que minha vida está tomando. Junto a isso, também penso no tipo de pessoa que eu gostaria de ser no futuro, e o que posso fazer agora para chegar mais perto daquela pessoa que eu quero ser. Foi num desses momentos que eu percebi o quanto a minha vida estava previsível e sem graça. Estava caminhando para meu terceiro ano de faculdade, em um total de cinco, e percebi que até aquele momento, eu não tinha feito nada, participado de nada e conversava com as mesmas cinco pessoas todos os dias, sem exceção. Saía de casa e fazia o mesmo caminho, comprava as mesmas coisas nas mesmas lojas, e fazia tudo da mesma forma quando chegava em casa. Minha vida era uma espécie de loop, como se eu estivesse presa numa maldição grega, condenada a fazer a mesma coisa da mesma forma todos os dias (licença poética: eu amei essa metáfora rsrs).

Foi principalmente por causa da faculdade que eu decidi mudar. Sempre gostei de histórias, tanto das que a gente pode ler nos livros, tanto daquelas que as pessoas contam para nós. E, por mais que eu seja péssima em contar histórias, percebi que não estava construindo a minha. "Peraí, então quer dizer que vou passar cinco anos de faculdade sem ter feito uma coisa interessante? E quanto ao resto da minha vida? Eu preciso mudar isso". Decidi que, nos próximos anos, seria mais aberta as possibilidades. E não estava falando apenas de sair, ir para festas (coisas que raramente fazia, porque sempre detestei) ou experimentar coisas novas, estava falando em todas as possibilidades, desde alongar a conversa com a senhorinha no ponto de ônibus até ir no cinema com aquelas pessoas que você normalmente não toparia. Fiz as duas coisas que citei como exemplo.

Lógico que não foi fácil. Não se chama "zona de conforto" por acaso. Sendo ansiosa do jeito que sou, conseguia pensar em mil possibilidades de alguma coisa dar errado, antes mesmo de pensar em fazer tal coisa. Adotei como lema "não vou deixar de fazer as coisas por medo" e mesmo tremendo igual vara verde, eu fiz muita coisa. Não foi uma coisa tipo "Sim, senhor", não deixei de lado meu bom senso, também não topei participar de tudo e fazer tudo, porque respeito meus limites (seja ele físico, psíquico ou até financeiro rs). Mas aquilo que eu fiz, e principalmente, aquilo que eu não teria feito antes desse processo, valeu muito a pena. 

Eu conversei com muita gente diferente. Algumas pessoas, nunca mais vi, outras, levei a amizade pra frente. Conversei com gente em fila, em ponto de ônibus, em corredor, dentro de sala (pessoas que normalmente não conversava), por e-mail e até na rua. Parei pra brincar com a cachorra de uma senhora, esperando para atravessar a rua. O nome da cachorra é Nina (que coincidentemente é um apelido para Marina) e essa é uma das memórias que sempre me vem a mente, por mais simples que possa parecer. Repeti várias vezes "me chama que eu vou", e eu realmente fui em quase tudo que me chamaram. Fui em palestras e eventos acadêmicos interessantes e aprendi coisas novas com elas (descobri mindfulness em uma palestra que eu não teria ido, e hoje pratico na maior parte do tempo), fui no cinema ver filmes que normalmente não assistiria, e algumas vezes, com pessoas que eu não falaria nem "oi". Topei ir aonde quer que me levassem, desde ir na padaria buscar Toddynho com alguém, até uma festa que eu recusaria na primeira oportunidade. Topei tanta coisa que ouvi que não sabia dizer não, uma situação engraçada, porque "não" era tudo o que eu sabia dizer. 

E não foi só isso. Anotei todas as indicações que recebi e descobri séries, filmes, músicas e livros maravilhosos. Ainda não tive tempo de consumir tudo que me indicaram, mas está tudo anotado, um dia eu dou conta. Falei coisas que eu tinha vontade de falar, puxei assunto com quem eu tive vontade de conversar, fiz elogios que eu tinha vontade de fazer e fiquei cada vez mais curiosa para saber aonde cada coisa ia levar. Nem tudo deu certo. Teve filme ruim, e-mail sem resposta, livro que ainda luto pra terminar, bolha nos pés por topar usar sapatos que nunca usaria, e topar ir em lugares longe demais com eles; Teve sorriso amarelo quando tentei puxar assunto e um monte de coisa que não saiu nem um pouco como eu queria. Ainda assim, todos esses momentos me renderam histórias (que são geralmente as mais engraçadas) e principalmente, aprendizado. Aprendi que nem tudo sai como esperado, e dá pra tirar muita coisa boa naquilo que é considerado "ruim". Aprendi e vivi muita coisa boa nesse meio tempo, e continuo aberta a possibilidade de aprender e viver muito mais.

4 comentários:

  1. Que post delicioso de se ler, sério. Me prendeu do início ao fim e me deixou com vontade de ser mais aberta às possibilidades também. Preciso riscar um item dessa listinha, que é aceitar algum convite para festas na faculdade. Estou indo pro terceiro ano e ainda não fui em nenhuma.
    Sobre falar com as pessoas em qualquer lugar: eu sempre fui assim. E muitas vezes as pessoas me olham torto, tipo: "quem é essa doida"?! Mas as vezes acabo tendo umas conversas inesperadamente bem legais!
    Espero que sair da zona de conforto te renda muitos momentos sensacionais nesse ano :)
    No meu caso, preciso é me desapegar da preguiça; será que consigo? Se tiver dicas, divide comigo!

    Um beijo,

    www.meujardiminterior.com

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    1. Oi Lilian! Fico muito feliz de ler isso <3

      Sobre as festas, acho que você devia aceitar ir, mesmo que pra ter certeza de que não quer ir em nenhuma mesmo. É difícil mesmo quando bate a preguiça, mas tenta ir com preguiça mesmo! uhsausha' Ou você pode ver se é realmente preguiça que te faz recusar o convite, ou se não tem algo mais escondido atrás disso.

      "E muitas vezes as pessoas me olham torto, tipo: "quem é essa doida"?! Mas as vezes acabo tendo umas conversas inesperadamente bem legais!" Exatamente o que anda acontecendo comigo! ushausha'

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  2. MARARIINNAAA tu é MARAVILHOSA!!
    Sair da zona de conforto é difícil, Mas vc conseguiu!!
    Fazer o que todo mundo faz é fácil, pode perceber.. a maioria das pessoas têm dificuldade em elogiar, reconhecer, saber ouvir e até mesmo ajudar o próximo!
    Faz 3 anos que decidir mudar minha visão do mundo, comecei elogiando pessoas desconhecidas. Não foi facil kkk

    E todo mundo têm alguma coisa história pra contar. Hoje tenho muita facilidade em conversar. Puxar assunto. Todo mundo gosta de ser ouvido.
    Dentro da bolha dá pra ouvir direito do que acontece lá fora.

    Lindo aqui
    http://minhaformadeexpressao.blogspot.com.br/

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    1. Fazer elogios ainda tenho dificuldade. Fico encabulada e sempre soa muito falso, mesmo quado é sincero. Mas aos poucos a gente chega lá :)

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