09/02/2017

Pra me lembrar o sentido das coisas

O sentido das coisas
Foto por Tasla Brewis
A minha mente não para. Parece ligada a um botãozinho que sempre me faz questionar as coisas. De certa forma, isso é muito legal, porque estou sempre revendo meus conceitos, avaliando minhas atitudes e mudando minha forma de pensar. Posso ter certeza de algo em uma semana, e na semana seguinte, já não estou tão certa daquilo que pensava. Já acreditei e deixei de acreditar em muitas coisas, e por mais que algumas pessoas me vejam como alguém inconstante, que não sabe o que quer, eu sei que esse meu jeito me ajuda a crescer e entender que não existe uma forma única de se enxergar a realidade.

O problema é que existe um lado ruim nisso tudo, perco o interesse pelas coisas muito rapidamente, me afasto de alguns amigos por não ter mais nada a ver com eles, e vivo com uma sensação constante de incerteza, que me gera muita ansiedade. A maioria das pessoas tem o que eu costumo entender como um "pilar", algo que sustenta a vida delas, que serve de ponto de partida e lhes diz o que fazer. Seja um conjunto de crenças, um sonho (como viajar pelo mundo) ou apenas um simples objetivo, essas pessoas sabem onde estão e o que querem, e tentam agir de acordo com isso (ou não, já que algumas pessoas sonham em ganhar na loteria mas não jogam). De qualquer forma, elas não pensam no porquê fazem o que fazem, ou querem o que querem, elas apenas fazem ou querem fazer, e isso basta. Eu também tenho meus pilares, e é aí que voltamos ao início do parágrafo. Eu penso. Penso no que faço e porquê eu faço, qual o sentido aquilo tem, e vou descendo num espiral gigantesco de perguntas que me levam sempre a um ponto em comum: não existe um "porquê". Não existe uma lógica ou motivo real que nos leva a fazer o que fazemos, e essa falta de "sentido" sempre me faz perder o interesse nas coisas.

Sentido
substantivo masculino
aquilo que se pretende alcançar quando se realiza uma ação; alvo, fim, propósito.

substantivo masculino
encadeamento coerente de coisas ou fatos; lógica, cabimento

Mas eu tento lutar contra isso. Tento lutar contra a quase necessidade que minha mente tem de encontrar um propósito para as coisas. As coisas não precisam ter um propósito. Os animais não tem um propósito, eles dormem e correm atrás do próprio rabo e não ficam pensando a respeito disso. Eles apenas fazem. A chuva não tá nem aí se ela está caindo em cima do telhado de alguém ou em uma terra fértil pro plantio. Ela cai. E a maioria das pessoas não pensa se faz ou não diferença deixar o vaso de flores na mesa de centro, mas ainda assim elas deixam. E é nessa falta de sentido que parece estar o sentido: ter ou não ter o vaso não faz diferença, mas ele ainda está lá mesmo assim. Alguém o colocou lá. E isso basta.

Eu preciso me lembrar disso toda vez. Toda vez que começo a questionar o sentido das coisas, eu preciso me lembrar que as coisas não precisam ter sentido, que eu posso sim, escrever um blog ou tirar uma foto, mesmo que não vá fazer diferença, e que tudo vai cair no esquecimento, no final. Não tem problema me dedicar horas a fio num joguinho que eu sei que vou parar de jogar em dois meses, ou a montar um quebra-cabeças que sei que vou ter que desmontar no final. O objetivo é esse, e é muito simples, a gente faz porque a gente gosta e nos faz bem, e essa deveria ser a única razão pra gente fazer qualquer coisa. É como diz aquela frase budista:

"Somos como crianças construindo um castelo de areia. Nós o enfeitamos com lindas conchas, pedaços de madeira e caquinhos de vidro colorido. O castelo é nosso, sabemos que, inevitavelmente, ele será levado pela maré. O truque está em desfrutar dele ao máximo, sem se apegar e, quando chegar uma onda, deixar que ele se dissolva no mar."

A frase é sobre desapego, mas também se encaixa no que estou dizendo. Um castelo de areia não tem um propósito, não faz diferença se está ali ou não, e pra piorar, ainda vai ser levado pela maré, e ainda assim nós o montamos, e talvez seja esse o truque, montar o castelo, não pensar a respeito do que você está fazendo, desfrutar dele ao máximo, e então deixar que se dissolva no mar.

10 comentários:

  1. Texto maravilhoso, as vezes me pergunto o sentido das coisas...
    Fico me questionando certas coisas o que parece bom, e logo começo a mudar minha forma de pensar também, o que torna um duplo bom heuhe. Já me cansei de coisas rapidas, deixei algumas amizades por perceber que não tenho nada a ver, já fiz muitas coisas por causas de pensamentos aleartorios e tentando buscar o sentido do porque estava fazendo tudo isso e porque.
    Seu texto me abriu para outros pensamentos de como e porque existe sentido em algo que fazemos ou pensamos, gostei até da idéia de como colocaste o significado dessa palavrinha que perturba muita gente (como eu no caso heue), sempre procuro encontrar o sentido de tudo. Isso é algo que me ajuda a revisar meu conceito e pensamentos. Gosto disso, gosto do que faço.

    http://mundo-mikas.blogspot.com.br

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    1. Oi Mikah!

      É exatamente isso que você falou. Coloquei o significado justamente por se tratar de buscar o significado/sentido das coisas. E porque não da própria palavra? heheh'

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  2. Sabe que eu me identifico com algumas coisas que tu disse... Eu sou uma pessoa que "muda de interesses" rápido demais e essa característica muitas vezes me atrapalham.
    Gostei do seu ponto de vista sobre isso, tu me fez refletir bastante. Acho que o certo seja exatamente isso: desfrutar. Desde que seja bom para nós mesmos, que não faça feliz (e que não atrapalhe a felicidade do outro) que mal tem? Se tem sentido ou não, não importa.

    Beijos.

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    1. Vale como regra pra tudo: te faz feliz e não faz mal a ninguém, então aproveita! Acho que parte dessa cobrança vem do fato de querermos fazer coisas "importantes" o tempo todo.

      Bjs!

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  3. É, tipo a vida. Crença, religiões, verdades, enfim, o humano busca em si ou no exterior um sentido completo pra vida, cada um com seu modo de pensar, cada um com seu modo de viver. Mas a vida em si, sem detalhamento, é um castelo de areia, se pensarmos na morte como uma maré, e a vida como uma construção. Minha mãe vive a vida com o propósito de que ela pode acabar amanhã, ela quer correr, aproveitar, fazer tudo, aproveitar todos os detalhes ainda hoje. Já eu, vivo a vida devagar, sem correr, com o propósito que pode ter a magia de uma vida inteira transcrita apenas num detalhe, de toda poesia tirada daquilo, de qualquer forma, é apenas um castelo de areia, mesmo que acredite que toda poesia tem sua eternidade, todo pensamento tem a magia que se fixa, mesmo sem sentido, como um arrepio involuntário que SEMPRE vem, em situações parecidas, tudo sempre acaba.

    Sou uma pessoa com muitos alicerces, a maioria criados por princípios que são criados por mim. Tenho um pensamento mimado e narcisista de acreditar que o real é apenas o que eu sinto, que só faz sentido quando aquilo me toca a pele de verdade e me faz sentir uma real presença (como a presença de Deus, ou do amor). Se eu sentir, faz sentido, se não, toda lógica é repensada, e nesse ponto eu me identifico muito com teu texto, Marina. O mundo não faz sentido se não for refletido, a não ser que seja apenas para ser sentimento, apenas para ser poesia.

    Na minha opinião, a busca do sentido é importante, quando entendemos que nem tudo precisa ou tem isso, e ainda assim, é suficiente.

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    1. Seu comentário!! <3<3 (tá melhor que o post haha).

      Eu também compartilho do seu modo de viver: devagar, sem pressa, acreditando que um simples detalhe pode significar mais que acontecimentos de um vida inteira. Mas dá no mesmo, com pressa ou não, todo mundo tá caminhando pro fim.

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  4. Adorei Marina, seu texto ficou bem profundo.

    Engraçado, também me sinto assim, mas aprendi a fazer uma coisa, me desligar ou deixar de importar com as coisas. Quando eu começo a questionar os porquês, percebo que não há por que, que justifique nada na existência humana e esse vazio existencial quase me leva a loucura.

    Outro dia, estava questionando a importância do ser humano em relação ao universo e fiquei irritado com quão infantil nós podemos ser ao nos acharmos os seres mais importantes da galáxia. Tanto que nos damos ao luxo de criar religiões e deuses que justifiquem essa pífia existência, e o pior, ainda matamos por isso.

    No fim das contas, não entendo os meus porquês ou os das pessoas, mesmo assim, tento seguir em frente levando ao extremo o sentido da frase do Cyfer, que no filme Matrix diz: A ignorância é uma benção! E como é...

    Ultimamente, me sinto tão bem ao dizer para alguém: Cara, não entendo nada sobre isso. Evitando assim, horas ou dias de discussões inúteis sobre política, religião, sexualidade, comportamento, futebol ou de qualquer outro assunto que acho insignificante perante minha "insignificante" existência para esse universo. Quem pensa o contrário que me dê uma boa justificativa para o valor de sua vida (se viver muito, viverá 100 anos) para um planeta que tem aproximadamente 4.543.000.000 anos, ou para a via-láctea e para o universo que têm mais mais de 13 bilhões de anos de idade.

    Sério, camarada? Você acha mesmo que somos o planeta mais importante do universo ou que algum ser celestial se importa com esse minúsculo torrão de pedra no qual vivemos? E com isso, nem estou questionando ou não a existência deles.

    Enfim, não se questione Marina, tente viver como eu disse, à beira das margens da ignorância, pois disso tenho certeza, os ignorantes são mais felizes, pois eles questionam menos e vivem mais. Pergunte a um lavrador ou morador do campo, qual o significado da vida? E ele talvez lhe responderá algo que não estará preparada para entender.

    Abraços!

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    1. Oi Mateus!

      Adorei seu comentário <3

      Também costumo comparar nosso tempo de existência com o tempo de existência do universo, e olhando dessa forma, as coisas parecem ter ainda menos sentido do que já (não) tem. Olhando dessa forma, a ignorância parece uma benção mesmo, ao menos a pessoa não sofre o vazio de não ver sentido na própria vida.

      Geralmente eu não discuto tema nenhum, mesmo que eu saiba falar a respeito (às vezes até mais que a pessoa que está falando). Costumo também me fazer de boba e dizer que não sei nada, deixando a pessoa chover no molhado, falando coisas que já sei. Quando não sei mesmo, digo abertamente que não sei, deixando abertura para a pessoa falar o que sabe sobre o assunto. Em resumo, nunca exponho meus pontos de vista, a menos que seja uma pessoa que eu goste de discutir, ou que esteja muito aberta a isso. A maioria das pessoas não te escuta de verdade, apenas espera que você pare de falar pra dizer o que pensa, e eu tenho preguiça disso. Guardo a minha opinião pra quem realmente vai ouvir, e tem dado certo até agora.

      Vou tentar seguir seu conselho de não questionar, mas não prometo nada, hoje em dia é quase automático hahaha

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  5. Mari, que poética essa reflexão. Percebi que preciso pensar mais assim: desfrutar e não me preocupar se vai se desfazer ou não. Fiquei um bom tempo pensando sobre isso depois de ler o seu texto.

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    1. É nisso que eu acredito, e desde que tive esse pensamento, não ando deixando de fazer as coisas por pensar que não tem sentido fazer.

      Um amigo disse que esse foi o sentido que encontrei pra fazer as coisas que eu gosto: faço porque gosto. Nem sempre isso é suficiente, mas na maioria das vezes funciona.

      Espero que encontre o sentido para suas coisas também :)

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