25/08/2017

V - Alberto Caeiro
(Heterônimo de Fernando Pessoa)

V
Foto por sPenincillins


Há metafísica bastante em não pensar em nada. 

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso 

Que ideia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do mundo? 
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa.

24/08/2017

Sobre o tempo, mais uma vez

Sobre o tempo
Foto por Obpia30
Sentar todos os dias e tirar uns minutinhos do meu tempo para escrever é uma das poucas formas que encontrei de não sucumbir a correria do dia a dia. Tenho uma série de obrigações a cumprir, roupas para lavar e coisas para fazer, e preciso sair em menos de uma hora. Tudo o que fiz desde que acordei foi resolver pendências, algumas do dia anterior, correndo contra o tempo, enquanto o prazo de deixar tudo isso pronto fica cada vez mais próximo.

Em julho, comecei a aprender crochê e violão, mas faz quase uma semana que não pratico nenhuma das duas coisas, porque me parece um desperdício de tempo me dedicar a isso, quando na verdade poderia estar lendo todos os textos das aulas — ou quem sabe, escrevendo aquela resenha que o professor pediu, e que já está em cima da hora. A verdade é que estamos todos assim. Faz um bom tempo que não converso de verdade com nenhum de meus colegas porque não podemos parar para fazer isso. Nós nos sentamos para conversar com hora marcada para levantar e ir embora. Estamos constantemente checando o relógio. Não podemos parar. Escrever para esse blog ainda me faz dar uma pausa nesse ritmo — mas veja bem, estou de olho no relógio, porque preciso sair em meia hora. Vai dar tempo de terminar esse texto até lá? Não posso me atrasar.

Sinceramente, às vezes me pergunto se existe algum sentido em fazermos o que fazemos. Se no final, toda essa correria e afobação vai nos trazer algo diferente do desespero e ansiedade gerado por estarmos constantemente lutando contra o tempo. Se vai valer a pena. Ou se estamos apenas seguindo no automático, sem pensar a respeito, como uma amiga me disse "enxergando tudo como se já estivéssemos aqui há séculos, acostumados com tudo". Seria mais fácil nunca fazer essas perguntas. Se eu pudesse escolher nunca perguntar, o que eu escolheria? Ser ou não ser?

Penso que, por não ter mais pelo que sofrer, exageramos nosso próprio sofrimento. Exageramos o que sentimos para podermos sentir algo. Nós progredimos tanto que não temos tempo para nada que não seja mais progresso — e o resultado disso é que, sem tempo para se dedicar aquilo que só tem beleza (a arte, a música, poesia, dança...), invertemos a situação e passamos a colocar beleza naquilo que só é útil. Enfeitamos nossos diplomas, trabalhos e salários com um tom poético e nos forçamos a acreditar que é isso que queremos. Viver às custas de um salário indigno e uma jornada de trabalho miserável, porque é disso que precisamos. Mas é claro que, no fim, isso é apenas eu fazendo drama. Já se passaram trinta minutos e eu não posso me atrasar pro meu compromisso. Depois de todo esse discurso, continuo seguindo no automático, correndo contra o tempo, fazendo exatamente aquilo que estou criticando.



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23/08/2017

#JFpramim e o Desafio do Cavalo do Contra

Museu Mariano Procópio

Hoje fui pela centésima vez, dar uma volta no Museu Mariano Procópio. O museu fica perto da minha casa e tem uma vista linda. Gosto de dar uma volta por ele sempre que quero ficar sozinha e fugir um pouco do barulho do centro da cidade. Cresci em bairro, com barulho de galinha e cachorro, e o som constante de carros, ônibus, músicas e pessoas na minha rua, às vezes me incomoda. A foto que ilustra o post foi tirada por mim, no museu. Minha intenção hoje, ao ir para lá, era apenas ler um texto para um exercício de amanhã e comer alguns biscoitos. Nem mesmo estava carregando minha compacta, que costumo levar quando quero tirar fotos em algum lugar. Eu não queria tirar fotos. Faz um bom tempo que não quero fotografar nada, e estava apenas levando a vida, assim.

Hoje resolvi que visitaria a casa. A casa é uma parte do museu (a casa rs) com algumas peças expostas, que diferente do resto da área, tem algumas regras. Você não pode entrar de mochila nem fotografar com flash. Não uso flash em nenhuma ocasião, mas me incomoda que enquanto eu olho as peças, tem alguém me observando — os funcionários, que precisam ver se não vou tocar em nada, e garantir que as peças continuem inteiras. Eu quase nunca vou lá, justamente porque sempre que vou, a casa está vazia, e eu sou a única pessoa olhando todas aquelas peças, pela milésima vez.

22/08/2017

[Tag] Os últimos

Tag Os últimos
Foto por Utroja0
Estou me sentindo orgulhosa porque demorei exatos 22 dias para recorrer a uma TAG nesse mês de BEDA. Tá certo que pulei alguns dias, por necessidade, mas hoje é 22 e eu ainda tiro um tempinho no final do meu dia pra pensar em algo pra postar — nem que seja pra ir dormir sem postar nada. Passamos da metade do projeto sem surtar, e como eu comecei impulsivamente e não planejei absolutamente nada, podemos considerar que estou me saindo bastante bem. Como não tenho nenhum rascunho e ainda não recorri a tags, roubei uma Tag do blog da Ana, que achei bacaninha de responder. Bora lá!

A última série que você viu: Última série foi Preacher. É um pouco violenta, mas a gente só quer passar o tempo certo?
O último filme que você viu: Filme...? Foi Viktor Frankestein. Já tinha visto, mas foi bacana assistir de novo, quase não lembrava dos detalhes.
A última pessoa que você viu: Estou olhando para meu irmão nesse exato.
A última música que você ouviu: Eu tava ouvindo um blues no Spotify que não me lembro o nome. A última que lembro o nome foi Smoke on the Water
O último grupo favorito: Meudeusdocéu grupo não. Odeio todos os grupos.
A última roupa que usou: Calça jeans, camiseta e moletom.
A última coisa que comeu: Pão torrado com queijo e mortadela :p
O último doce que comeu: Um bombom, acho.
A última conversa do WhatsApp: Tava pedindo informações a uma amiga sobre como chegar na casa dela.
A última foto favorita (bônus): A que está ilustrando o post, achei super fofa.



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20/08/2017

"Vocês se comparam com quem, se está todo mundo assim?"

Se comparar

Tive hoje confraternização de um ano da Liga Acadêmica que eu participo. Voltei de carona com mais três meninas, muito queridas. Duas do segundo período, uma do sexto, e eu, do oitavo. Foi a primeira vez que percebi que era a pessoa com mais experiência na roda de conversa. O tempo voa.
Conversávamos sobre nossa experiência com os estudos. Falávamos sobre como nos sentíamos no papel de estudante. Seguiu-se o diálogo:
— Eu acho que sou muito relaxada — disse uma delas. — Deixo os materiais se acumularem, fico adiando, depois eu piro. 
— Também — disse a outra — sou uma péssima aluna. Deixo tudo pra véspera, fico desesperada. 
Todas concordamos, fazíamos o mesmo. 
— Até em relação a comida. Me alimento mal, só como porcaria, queria ser como as outras pessoas que se alimentam direito.
E eu, ouvindo aquilo, e percebendo que nós quatro repetíamos o mesmo discurso, perguntei:
— Gente, vocês se comparam com quem, se está todo mundo assim?
Foi uma risada coletiva. "Melhor reflexão da noite", segundo uma delas. A gente se compara com alguém que nem mesmo existe.


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17/08/2017

A Fila das Lojas Americanas

A fila das Lojas Americanas

Lá estava eu, na fila do caixa das Lojas Americanas — uma fila enorme — , enquanto a mulher que estava a minha frente não parava de reclamar do quanto a fila estava demorando. Tinha apenas uma única atendente e um rapaz estava comprando um produto eletrônico, que necessitava de todo um check-up que parecia demorar horas. Depois de testar toda a aparelhagem, rapaz e atendente começaram a discutir os termos de garantia, o que levou um bom tempo, e não demorou a gerar uma indignação coletiva na fila das Americanas. Nada melhor para unir seres humanos do que um suposto serviço mal feito.

Quando a indignação começou a ficar muito barulhenta e todos da fila se juntaram à mulher para reclamar, a atendente, meio puta da vida, apontou uma placa meio escondida que dizia que aquele caixa era exclusivo para produtos eletrônicos, e quem quer que quisesse ir nele com outra coisa teria de arcar com a demora no serviço. Como se quisessem justificar a reclamação, A Fila, que já estava se comportando como um ser único, disse que a placa estava escondida demais e que ninguém ali tinha visto.

Foi então a vez da atendente reclamar, dizendo que o caixa era específico para produtos eletrônicos e que a fila demorava porque, citação direta: "algumas pessoas vão até o final da loja, pegam uma barra de chocolate e vem nesse caixa aqui, pra não ter de sair na rua lá de trás.". Nesse momento, eu, que estava apenas sendo um ser silencioso na A Fila, olhei para a barra de Lakta na minha mão e tentei fingir que aquilo era o modelo mais recente de algum Smartphone top de linha, tão top que até parecia chocolate. Enquanto meu rosto corava de vergonha, a mulher à minha frente engatou num papo com a atendente sobre "essas coisas deveriam ser avisadas" que durou mais tempo que o rapaz do eletrônico. Por fim, ela foi embora, e eu passei minha única barra de chocolate com o constrangimento de quem ouve "a noite vai ser boa ein!" ao comprar preservativos. Desde então, tenho evitado pegar longas filas pra comprar chocolate.



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15/08/2017

Textos incríveis que li esses dias


Nem só de desespero e angústia vive um ser humano. Também tive muita coisa boa nos últimos dias, incluindo textos maravilhosos espalhados pela blogosfera afora. Visitei muitos blogs nesses tempos de BEDA e li várias coisas interessantes que merecem ser compartilhadas por aqui.


Pra começar, um texto muito bacana no DoisBits sobre uma pergunta complicada: O que eu quero ser? que combinou demais com a reflexão da Luana sobre as xícaras do Chapeleiro, que serviu de metáfora para a situação no seu curso.

Tem o texto de retorno da Samyle, com o título de Em Prosa, e o texto de quase despedida da Ana, ou como ela mesma disse, Provavelmente, uma pausa.

O Bruno explicou a Diferença entre destralhe e minimalismo, e o Thiago escreveu sobre Convenções Sociais. Você não é o único que se incomoda com essas coisas, Thiago.

A Regina escreveu um poema sobre Celulares, o tempo e as imagens, que casou com o post da Mariana Menezes (quase minha xará) "estamos nos tornando reféns das redes sociais?".

Tem post da Mia sobre não se levar tão a sério, e uma reflexão incrível da Bruna sobre namorar alguém que ama sua arte.

Pra finalizar (e como menção honrosa) cito o post da Luana sobre as cartinhas do 31 de Março, que enviei para ela. Ela teve todo um cuidado ao tirar as fotos e eu fiquei muito feliz. Muito obrigada chuchu ♥


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Tentando escrever poesia

Tudo é sofrimento
Dizia a Palavra
Que eu não compreendi
Tudo é sofrimento
Eu repeti
Ainda sem compreender
Como alguém pode resumir
Toda a beleza da vida
No ato de sofrer

E então, desvio meu olhar
À esquerda e à direita.
No rosto dos colegas
No bom dia do porteiro
Nos passantes pela rua
Eu vejo o sofrimento

Começo a compreender
Compreender o sofrimento
Compreender que sofremos
Mas não temos tempo
Não temos tempo
Para o sofrimento

Tem sempre a próxima aula
E vamos perder a chamada
E o horário de almoço é curto
E precisamos bater o ponto
Vamos perder o ônibus
Tentamos dormir cedo
E enfrentar mais um dia

E o sofrimento
Esse que está estampado
Vai ficando de lado
Porque não temos tempo

E nós
E nossos colegas
E o porteiro e seu bom dia
E os passantes pela rua
Continuam sofrendo
Porque não temos tempo

Encontramo-nos doentes
Mas não podemos parar
Porque não temos tempo

E a doença aumenta
Agrava
Consome
E não nos damos conta
Porque não temos tempo


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13/08/2017

"Só sei que não estou perdido"


Hoje eu me peguei pensando, enquanto lavava meu cabelo, quando foi que me perdi no caminho da minha própria vida. Quando foi que, eu mesma, por livre vontade, dei aos outros o direito de acharem que sabem o que é bom pra mim. Quando foi que eu comecei a seguir conselhos a torto e a direito de gente que mal me conhece, e de algumas pessoas que me conhecem um pouco, como se eu fosse algum tipo de ser incapaz de decidir ou pensar por si próprio, necessitando de alguém que me apontasse o caminho. Me tornei café-com-leite, uma figurante na minha história.  

Sempre fui teimosa. Isso me trouxe um bocado de problemas, mas apesar deles, eu sempre soube o que eu queria. Sempre soube quem eu era, o que me servia e o que me faria bem. Hoje me dei conta de que nos últimos anos não tem sido assim. Tenho me arrastado de um conselho a outro, uma decisão a outra, decisões que não foram tomadas por mim. Percebi que nem mesmo sabia se as coisas que eu estava fazendo, fazia por vontade própria. Tive um estalo quando notei que estava numa situação desconfortável, não porque eu não sabia sair dela, mas porque me disseram que seria bom para mim estar nessa situação. Não foi surpresa perceber que não só não era bom, como eu já sabia disso, mas insistia em seguir um caminho que não é meu. Como diz o meme: "que que eu tô fazendo com a minha vida?". Por que eu estou me deixando levar pelo que os outros acreditam? Quando me coloquei nessa situação?

Como diria Renato Russo: "não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido". Não sei exatamente o que quero ou como conseguir o que quero, o que não significa que qualquer coisa serve. Eu sei muito bem o que não serve. E isso já me dá (e retira) várias direções. Sempre segui meu próprio caminho e não vai ser diferente agora, a única mudança é que antes de seguir esse caminho, eu preciso encontrá-lo.


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11/08/2017

Sobre blogs de "criação de conteúdo"

Foto por Edar

Tem duas coisas que me irritam muito em blogs sobre criação de conteúdo (ou blogs sobre blogs, com dicas pra blogs, enfim...). Essas duas coisas são:
  1. Gente que mal começou na blogosfera e sai por aí dando dicas;
  2. Cagação de regra no blog alheio, disfarçada de "você só vai ter um blog de sucesso se..."

Sobre a primeira, nada soa mais irônico que post falando sobre como obter mais engajamento/comentários em um post que não tem comentário nenhum. Eu me pergunto o que passa pela cabeça das pessoas. A pessoa mal tem um mês de blogosfera e já está dando dicas pra ter "sucesso" com o blog. Ou então, como se não bastasse, ela entrou na blogosfera com um blog sobre isso. É como se eu tentasse vender para você um livro sobre vendas, sem ter vendido coisa nenhuma (exceto o livro). É a lógica de (algumas) auto-ajudas: o indivíduo tenta te ensinar a conquistar coisas, mas a única conquista dela é tentar te ensinar isso. Como dizia sabiamente Douglas Adams: "a qualidade de qualquer conselho que uma pessoa pode dar deve ser avaliada de acordo com a qualidade da vida que essa pessoa levou." A qualidade de um conselho sobre blogs deve ser avaliado de acordo com o blog que dá o conselho.

10/08/2017

Amélie Poulain e as pequenas coisas

Amélie Poulain e as pequenas coisas
Foto por Boknam2
Ontem minha professora comentou do quanto estamos anestesiados com a violência. Falou de filmes franceses e americanos. Pensei a respeito, percebi que concordava com ela. O último filme francês que vi, passei a maior parte do tempo pensando "que filme parado, não acontece nada!". Nada. Desde quando fazer amigos, conhecer pessoas novas, visitar um lugar interessante passou a ser considerado nada? Quando foi que passamos a considerar as tragédias as únicas coisas relevantes nas nossas vidas? Quando foi que nós começamos a nos deparar com a dor e pensar que existem outros que sofrem mais? E porque é que criamos essa noção de "mais"? Dor não deveria ser motivo de cuidado, em qualquer nível?

Eu me lembrei de Amélie Poulain e das pequenas coisas. Na sensibilidade do filme, e em como a protagonista encontra prazer em pequenas coisas: enfiar a mão num saco de grãos, jogar pedras no lago... Tentei pensar em coisas que me aconteceram recentemente, coisas que me trouxeram alegria, mas que eu não pude perceber por estar focada demais nas tragédias da vida. Eu poderia fazer uma lista gigante, mas não acho que seja necessário. Essas coisas estão por aí: no banho quente que a gente toma num dia frio, no vento que seca o suor do rosto depois de uma caminhada, na risada de um amigo que entendeu a piada, no momento em que você deita na cama, quando está cansado.

Talvez seja mesmo questão de encontrar um equilíbrio. Tornar-se sensível as pequenas alegrias, mas sem cair no extremo de ignorar a dor e a tragédia. Porque elas existem e também fazem parte. E precisamos lidar com elas.


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09/08/2017

DIY: Como complicar a vida em passos simples

Como complicar a vida
Foto por Oldiefan

Já que está na moda postar tutoriais, resolvi trazer um tutorial de "faça você mesmo" muito simples e fácil de seguir sobre como complicar a vida

Material:


Uma vida;
Pensamentos;
Você mesm@;

Passo a passo:


Existem várias formas de complicar a vida, algumas pessoas tendem a complicar mais, outras menos, mas no final todo mundo complica um pouco. A forma como cada um complica a vida é uma mistura da personalidade da pessoa juntamente com os passos abaixo. É claro que essa é a forma que eu uso normalmente, mas você pode adaptar de acordo com você.

08/08/2017

Um introvertido e um extrovertido conversam

Foto por Victor Filippov
Um introvertido e um extrovertido conversam. O extrovertido diz:
— Você tem características que não são valorizadas socialmente. Características que são importantes, mas não tem valor. Você fica quieto no seu canto observando tudo, cumprindo suas obrigações, e no fim, quem consegue as melhores oportunidades é aquele que mais fala, que tem mais carisma...
O introvertido completa:
— ...O que tem o melhor discurso, que vende melhor o peixe.
— Exatamente! Os melhores cargos vão para aqueles que possuem o melhor discurso, que se destacam mais, pelo que falam.
— Sim. Pessoas como você, que conversam muito, que criam vínculos, que correm atrás dos outros. Pessoas como você, que são lembradas quando surge uma oportunidade. Pessoas que todos sabem nome e sobrenome. Pessoas que a popularidade conta mais que a competência.
O extrovertido, que não tinha se dado conta que é o extrovertido da história, se sente culpado. O outro, percebendo a culpa, tenta reconfortá-lo:
— Não é culpa sua. É só como as coisas funcionam.
— Eu sei — diz, e promete: — Suas características vão ser valorizadas um dia, você vai ver. Você vai se dar bem.
O introvertido sabe que, caso não se torne como o outro, a batalha será árdua. Percebe também que o amigo está fazendo aquilo que lhe é característico: preenchendo o silêncio com palavras vazias. Perdido em pensamentos, faz também aquilo que faz de melhor: não diz nada, deixando a conversa morrer num silêncio constrangedor. Manteriam um belo equilíbrio se conseguissem emprestar um pouco de si para o outro.

Juro que não estou de recalque de extrovertidos. Mas olha só a imagem que achei enquanto procurava algo pra ilustrar o post. Tá de sacanagem né?



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06/08/2017

Dia Comum

Eu passei mal ontem e acabei pulando um dia de BEDA — mas tudo bem. Passei o dia a base de biscoito de polvilho e Gatorade, que me lembrou uma época da minha infância em que eu passava mal todo dia. Não tive nenhum sentimento de nostalgia, só fiquei contente que ao menos agora eu acho o gosto do Gatorade bastante aceitável. Aproveitei para terminar o livro que eu estava lendo, chamado Carbono Alterado, e como estou melhor, hoje escrevi uma resenha. Pretendo tirar umas fotos dele, já que acho fofinho quem faz isso *--*

Falando em livros, recebi um livro ontem pelo correio, do Grupo Editorial Record, e também uma proposta de troca no skoob. Primeira vez que faço uma troca pelo skoob e estou achando maravilhoso, libero espaço na minha estante e ainda faço os livros que tenho circular. Já dizia Zafón “Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.” O espírito do livro vai se fortalecer logo logo, quando ganhar uma nova leitora. 

Meu domingo está com cara de domingo, e esse post também. Sou só eu, ou vocês também pretendem passar o dia todo de pijama?


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04/08/2017

O Zen e a arte da escrita - Ray Bradbury

O zen e a arte da escrita - Resenha
Autor: Ray Bradbury
Editora: LeYa Brasil
Páginas: 168
Sinopse: Neste livro exuberante, o incomparável Ray Bradbury compartilha sua sabedoria, experiência e estímulo de uma vida de escritor. Aqui estão dicas sobre a arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Um livro que reúne tudo, desde encontrar ideias originais até desenvolver a própria voz e o estilo, bem como leituras, impressões da infância e os bastidores da notável carreira de Bradbury como um autor fecundo de romances, contos, poemas, roteiros de filmes e peças de teatro. O Zen e a arte da escrita é mais do que um simples manual para o aspirante a escritor, é uma celebração do ato da escrita, que vai encantar, exaltar e inspirar o escritor em você.

Decidi ler esse livro quando li em um blog (infelizmente não me lembro qual) uma resenha cheia de elogios. Resolvi colocá-lo na lista de desejos do skoob, mas percebi que o livro já estava nela há bastante tempo. Um livro, pensei, que mistura Zen e escrita, duas coisas que amo muito nessa vida? Eu precisava ler! Então aproveitei que estou pensando em adotar um Kindle, para ler o ebook no aplicativo Kindle do celular. Estou fazendo alguns testes para ver se me adapto a leitura digital, para então - quem sabe - investir em um Kindle de verdade.

Comecei a leitura de O zen e a arte da escrita muito empolgada. Esse é, acredito eu, o segundo ou terceiro livro que eu leio pelo Kindle, porém em nenhum deles usei todas as funções disponíveis no aplicativo. Nessa leitura, fiz questão de fazer anotações e destacar frases, e posso dizer que foi uma experiência muito nova, nunca na vida marquei meus livros físicos, e poder fazer isso no livro digital me deu uma sensação de liberdade muito grande, estou quase marcando meus livros físicos também. Mas vamos deixar o Kindle para outro post dedicado a ele, vamos voltar ao Zen e a arte da escrita.

03/08/2017

Quando Buda me fez chorar

Quando Buda me fez chorar
Foto por Silentpilot

Quem me conhece geralmente me acha uma pessoa fácil de conviver. Não estou falando isso como quem está se exibindo, apenas é essa a imagem que eu passo. Se eu não consigo trazer algo de produtivo, faço o máximo possível pra não causar dano a ninguém. Apenas não deixar ninguém pior do que estava quando cheguei. Penso que isso é o melhor que eu posso fazer, por qualquer um. Isso significa que é raro eu ser dura ou grossa com alguém — se fui, ou foi sem intenção, ou não estava bem. Conscientemente evito trazer mais sofrimentos, por que acho que as pessoas já sofrem demais. A vida que cada um leva é sofrimento suficiente.

Em contrapartida, eu sou geralmente meu carrasco. Nunca perdoo meus erros: carrego eles comigo e me lembro até mesmo das coisas mais simples que fiz de errado. Sempre exijo demais de mim: tudo que faço tem de chegar o mais próximo possível da perfeição. Estou sempre me criticando e me colocando pra baixo, mesmo sabendo que estou fazendo meu melhor. É como se eu tivesse uma vozinha na minha cabeça que pega o pior de mim, ainda que seja algo mínimo, transforma aquilo num monstro e esfrega na minha cara. De todas as pessoas que me trazem problemas, eu sou a pior delas. Meu inferno sou eu mesma. Estou sempre ocupada lidando comigo.

Um dia estava navegando no Pinterest, que às vezes me sugere algumas imagens relacionadas a filosofia budista. O Budismo é uma das poucas filosofias que não só tenho interesse em me aprofundar de verdade, como também é uma filosofia que está sempre mudando minha forma de ver as coisas, e aquilo que coloco em prática. Eu gosto, e acho que se encaixa na minha visão de mundo. Como estou sempre salvando algumas frases budistas na minha pastinha, é natural que o Pinterest use seu algorítimo pra me fazer salvar mais imagens. Nesse dia, essa imagem apareceu:

Buda "Se sua compaixão não inclui você mesmo, ela é incompleta"
"Se sua compaixão não inclui você mesmo, ela é incompleta"
Eu nem mesmo precisei pensar a respeito do que estava lendo. Não foi necessário. Tão logo terminei de ler a frase, as lágrimas começaram a descer em cascata. Percebi o que estava fazendo e isso foi doloroso. Passei a madrugada toda chorando, e no outro dia, não conseguia esquecer o que li. Ficou martelando na minha cabeça, durante a aula, durante o caminho pra casa, durante o almoço, o banho... Comecei a perceber que, por mais que tentasse trilhar um caminho espiritual, não chegaria muito longe se eu não me incluísse nele, e se esse caminho não servisse pra mim. Na verdade, enquanto eu fizesse uma diferenciação entre "eu" e "os outros" ficaria rodando em círculos nesse caminho. Você não poderia considerar uma pessoa verdadeiramente paciente se ela deixa de ser paciente com alguém, mesmo que esse alguém seja ela mesma. E isso inclui todas as outras características que tentamos melhorar. 

Algumas semanas depois, um amigo me deu um conselho — na verdade uma bronca — que complementou a frase. Na verdade, foi a bronca dele que me fez entendê-la por completo. Ele me criticou por eu mesma me criticar, deixando bem claro que eu sou uma pessoa como qualquer outra, sujeita a passar pelo que todos os outros passam — e cometer os mesmos erros que eles. Foi doloroso ouvir isso, mas também necessário. Por mais estranho que possa parecer, me fez abrir os olhos para o que estava bem óbvio: eu nunca trataria nenhum dos meus amigos da forma como eu trato a mim mesma. Nem mesmo consigo me imaginar direcionando aos outros as mesmas palavras que uso para mim. Não combina comigo. Não faz parte de como eu quero passar por esse mundo. 

Tive que começar um doloroso processo de perdoar a mim mesma. Um processo nada fácil e que não posso dizer que está terminado: cada dia um erro "imperdoável" aparece, cada dia me sinto menos digna de receber o tratamento que daria a qualquer um, cada dia a vozinha aparece me dirigindo palavras duras que eu preciso lutar para não aceitar como verdade. Mas estou fazendo o meu melhor, tentando ser para mim o que geralmente sou para os outros: uma amiga, disposta a ajudar, disposta a ouvir, fazendo o possível pra não deixar as coisas pior do que estavam. Reconhecer que temos qualidades também não é fácil, tem sempre aquela parte de si  mas faz parte do processo. Chegarei lá.

02/08/2017

Séries que eu acompanho: Preacher

Série Preacher AMC

Segundo dia de BEDA e eu estava como? Isso mesmo, pensando em largar pra lá. Mas vamos que vamos que ainda faltam 29 dias pro mês acabar. 

Apesar de sempre responder que assisto muitas séries quando me perguntam o que ando fazendo, não sou de assistir tantas séries assim. Geralmente começo a assistir uma série nova quando ou me indicam muito, ou quando alguns dos meus irmãos começam a assistir, e eu acabo me interessando

Foi assim com Preacher. Meu irmão estava assistindo no quarto, passei por perto, parei um tempo para ver e acabei me interessando. Ele já estava um pouco avançado, mas assisti os primeiros episódios depois, por conta própria, e comecei a acompanhar a série sozinha. 

01/08/2017

BEDA #1 - Sentimentos e as palavras que usamos para descrevê-los

Sentimentos e as palavras que usamos para descrevê-los
Foto por FlashBuddy

Resolvi que esse ano participaria do BEDA (Blog Everyday August - um desafio para blogueiros postarem todos os dias, durante o mês de Agosto), mesmo sabendo que eu tenho dificuldade de postar duas vezes por semana. Fico neurótica quando começo um projeto novo e geralmente abandono pela metade, mas sem neuras com o BEDA, a ideia é vir aqui uma vez por dia e postar algo que eu esteja com vontade de postar, e se não der, de boas.

Minhas aulas voltaram hoje, e durante a disciplina de estágio, minha professora falou um pouco de emoções. Fiquei a aula toda pensando no que ela disse, e senti que queria escrever algo sobre isso. Na nossa língua, existem muitas palavras para descrever emoções e sentimentos. Muitas mesmo. Mais de quinhentas, talvez. E, por mais que existam palavras para os mais variados sentimentos, nós tendemos a usar sempre as mesmas palavras para descrever como estamos nos sentindo. Por exemplo, "estou feliz", "estou triste". Como você está? "Estou bem". Como assim bem? "Bem" não é exatamente um sentimento, é?.