10/08/2017

Amélie Poulain e as pequenas coisas

Amélie Poulain e as pequenas coisas
Foto por Boknam2
Ontem minha professora comentou do quanto estamos anestesiados com a violência. Falou de filmes franceses e americanos. Pensei a respeito, percebi que concordava com ela. O último filme francês que vi, passei a maior parte do tempo pensando "que filme parado, não acontece nada!". Nada. Desde quando fazer amigos, conhecer pessoas novas, visitar um lugar interessante passou a ser considerado nada? Quando foi que passamos a considerar as tragédias as únicas coisas relevantes nas nossas vidas? Quando foi que nós começamos a nos deparar com a dor e pensar que existem outros que sofrem mais? E porque é que criamos essa noção de "mais"? Dor não deveria ser motivo de cuidado, em qualquer nível?

Eu me lembrei de Amélie Poulain e das pequenas coisas. Na sensibilidade do filme, e em como a protagonista encontra prazer em pequenas coisas: enfiar a mão num saco de grãos, jogar pedras no lago... Tentei pensar em coisas que me aconteceram recentemente, coisas que me trouxeram alegria, mas que eu não pude perceber por estar focada demais nas tragédias da vida. Eu poderia fazer uma lista gigante, mas não acho que seja necessário. Essas coisas estão por aí: no banho quente que a gente toma num dia frio, no vento que seca o suor do rosto depois de uma caminhada, na risada de um amigo que entendeu a piada, no momento em que você deita na cama, quando está cansado.

Talvez seja mesmo questão de encontrar um equilíbrio. Tornar-se sensível as pequenas alegrias, mas sem cair no extremo de ignorar a dor e a tragédia. Porque elas existem e também fazem parte. E precisamos lidar com elas.


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4 comentários:

  1. Se as pessoas (e com "pessoas" me incluo também) vissem a beleza e prazer das pequenices, todos nós seríamos tão mais leves, felizes, realizados. Acho que nós somos, de certa forma, ensinados a só dar bola pra grandes acontecimentos. Eu acredito muito que a felicidade tá contida nas coisas mínimas como as que tu citou.
    Fantástica análise, Mari.

    um beijo,
    acid-baby.blogspot.com

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    1. A gente vai aprendendo desde o início a esperar os "grandes" acontecimentos: formatura, casamento, primeira vez de qualquer coisa... Como se o que estivesse no meio do caminho não contasse

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  2. Você tem toda a razão. Também me questiono e digo que o filme está parado quando não acontece algo impactante. A gente esquece que a vida não é cheia de ação e aventura 24h.

    Com amor,
    Bruna Morgan

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    1. Pior é que mesmo sabendo que não é, nós esperamos que seja. Triste isso não?

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