04/08/2017

O Zen e a arte da escrita - Ray Bradbury

O zen e a arte da escrita - Resenha
Autor: Ray Bradbury
Editora: LeYa Brasil
Páginas: 168
Sinopse: Neste livro exuberante, o incomparável Ray Bradbury compartilha sua sabedoria, experiência e estímulo de uma vida de escritor. Aqui estão dicas sobre a arte da escrita dadas por um mestre do ofício. Um livro que reúne tudo, desde encontrar ideias originais até desenvolver a própria voz e o estilo, bem como leituras, impressões da infância e os bastidores da notável carreira de Bradbury como um autor fecundo de romances, contos, poemas, roteiros de filmes e peças de teatro. O Zen e a arte da escrita é mais do que um simples manual para o aspirante a escritor, é uma celebração do ato da escrita, que vai encantar, exaltar e inspirar o escritor em você.

Decidi ler esse livro quando li em um blog (infelizmente não me lembro qual) uma resenha cheia de elogios. Resolvi colocá-lo na lista de desejos do skoob, mas percebi que o livro já estava nela há bastante tempo. Um livro, pensei, que mistura Zen e escrita, duas coisas que amo muito nessa vida? Eu precisava ler! Então aproveitei que estou pensando em adotar um Kindle, para ler o ebook no aplicativo Kindle do celular. Estou fazendo alguns testes para ver se me adapto a leitura digital, para então - quem sabe - investir em um Kindle de verdade.

Comecei a leitura de O zen e a arte da escrita muito empolgada. Esse é, acredito eu, o segundo ou terceiro livro que eu leio pelo Kindle, porém em nenhum deles usei todas as funções disponíveis no aplicativo. Nessa leitura, fiz questão de fazer anotações e destacar frases, e posso dizer que foi uma experiência muito nova, nunca na vida marquei meus livros físicos, e poder fazer isso no livro digital me deu uma sensação de liberdade muito grande, estou quase marcando meus livros físicos também. Mas vamos deixar o Kindle para outro post dedicado a ele, vamos voltar ao Zen e a arte da escrita.


Como eu disse, comecei empolgada. Os primeiros capítulos do livro são todos sobre o processo de escrever. O autor nos conta todo seu processo de escrita, no início da sua carreira, incluindo as técnicas de escrita que criou e aperfeiçoou, técnicas que usou por muito tempo para lhe dar ideias de contos e histórias. Eu resolvi testar algumas coisas que o autor fala, como por exemplo, fazer uma lista de palavras e temas, e escrever um conto baseado nas ideias que as palavras lhe trazem. Funcionou, até certo ponto. Escrevi um conto com algumas ideias que surgiram daí, e foi divertido. Outra coisa que o autor fala muito nos primeiros capítulos é sobre escrever com entusiasmo, e você percebe que esse entusiasmo vem de situações que o autor viveu. A maioria dos seus contos vem de situações e cenas que ele vivenciou, e que acabaram se transformando em contos, fantasia misturado a realidade. Perceber como o autor conseguia transformar realidade em fantasia foi a coisa mais interessante no livro. De toda a leitura, talvez seja essa é a lição que eu vou levar para a vida: qualquer coisa pode virar uma boa história, se você estiver atento o suficiente para perceber isso. Eu poderia ter parado a leitura aí, mas infelizmente continuei até o final.

O Zen e a arte da escrita começa inicialmente falando do processo de escrita, das lágrimas e risos que um escritor passa durante o processo de escrita, até se tornar uma desculpa para o autor falar das histórias que escreveu. Eu não conheço o autor, e se ele for realmente bom como diz ser, até entendo que ele fale muito de si mesmo e que saiba o quanto é bom, mas sinceramente, depois dos primeiros capítulos o livro começou a parecer mais como masturbação massagem de EGO do que como escrita. O tempo todo o autor fala de si mesmo, de como ele é um cara de sorte, especial e diferente dos outros, e de como nasceu cheio de criatividade e inspiração. Acreditem em mim, foram poucas as páginas em que ele não falou de si ou dos seus contos, dos lugares em que viveu e de como absorveu tudo isso e transformou nas histórias que vendeu. Chega a ser cansativo, para não dizer ridículo, o quanto de vaidade o autor colocou no livro. O autor se colocou em um pedestal, tive dúvidas se estava lendo um livro de um ser humano real ou de algum deus mitológico. Acredito que, para cinco acertos e qualidades suas que você conta, ao menos um erro e um defeito você tem de contar também, para não soar narcisista ou arrogante. 

Embora tenha detestado o fato do livro ser uma espécie de autobiografia disfarçada, tenho de admitir que o autor escreve muito bem. Você tem a sensação de estar em uma conversa com o autor o tempo todo, embora seja uma conversa nada agradável. Sabe aquelas pessoas que só sabem falar de si? Você se sente como se estivesse conversando com uma (toda a raiva e tédio inclusos). 

E o Zen, onde ele se encaixa nisso tudo? Bom, não tem Zen. O título é apelativo, o autor colocou apenas para atrair a atenção do leitor (e ele mesmo admitiu isso!). O Zen aparece em um pequeno capítulo, onde o autor força completamente a barra tentando ligar tudo o que ele está falando ao Zen, que na verdade a ligação que está tentando fazer é com o livro de Eugen Herrigel, "A arte cavalheiresca do arqueiro Zen", que no livro está traduzido como "O zen na arte da arquearia". Já li o livro de Eugen e posso dizer que nada tem a ver com essa masturbação massagem de ego que o autor publicou. Me senti completamente enganada ao ler o livro, o autor critica escritores que escrevem apenas por dinheiro, dizendo que deveriam escrever por amor, mas pública um livro apelativo que mais parece aqueles com formulas magicas do tipo "como conquistar um amor em três passos". Decepção total, só não digo ter sido completamente perda de tempo porque os primeiros capítulos me deram algumas lições que eu acredito serem úteis para mim.

6 comentários:

  1. Kindle é um app de leitura? Parece ser bem interessante, fala mesmo sobre ele depois, fiquei interessada :p
    Sinto muito pela sua decepção com o livro AHUAHS Do jeito que falou, parece mesmo ser desestimulante. Nunca havia ouvido falar nem na obra nem no autor. No entanto, você pode tentar ler outra coisa dele, já que gostou da escrita :)

    um beijo,
    acid-baby.blogspot.com

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    1. É sim, da Amazon! Tem o dispositivo chamado Kindle também, próprio para leitura, o app para celular e o programa para computador. Assim que der faço um post sobre ;)

      Foi decepcionante demaaaaiss! Eu achei que era um livro sobre escrever e o autor só ficou falando dele SUAHSUAHUS' :P

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  2. ahuahuha eu ri muito lendo a sua resenha, massacrou o Ray e com razão. Deve ter sido muito enfadonho ler um livro cheio de babação egocêntrica, argh

    Com amor,
    Bruna Morgan

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    1. Eu tava com raiva que geralmente não abandono livros pela metade, e tive que ler esse até o fim. Foi uma resenha-desabafo! suahsuahus'

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  3. Eu tenho uma certa dificuldade em ler livros virtuais, mas a parte de poder marcar o livro é muito libertador. Gosto muito de separar as minhas frases preferidas e tal, dependendo do livro eu não me sinto mal em riscar, mas sempre de grafite, acho agressivo colocar marca texto ou caneta. Já vi muita gente falando bem do kindle, espero um dia ser adepta a ele. Sobre o livro assim como você, o título me chamou de imediato a atenção. Ambos são assuntos que eu gosto e me identifico, seria incrível um livro que tratasse de fatos sobre essas duas coisas. Vou tentar procurar pra ler pelo menos os primeiros capítulos e retirar algumas dicas. Mesmo a leitura não tendo sido de todo prazeirosa acho que a indicação valeu. Beijos

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    1. Não risco meus livros físicos de jeito nenhum! Até conheço quem faz e acho divertido ler livros com anotações e grifos, mas os meus ficam inteirinhos.

      Se o livro cumprisse o que promete seria incrível mesmo. Mas os primeiros capítulos que falam sobre escrita valem muito a pena. Vale como aprendizado

      Bjs!

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