24/08/2017

Sobre o tempo, mais uma vez

Sobre o tempo
Foto por Obpia30
Sentar todos os dias e tirar uns minutinhos do meu tempo para escrever é uma das poucas formas que encontrei de não sucumbir a correria do dia a dia. Tenho uma série de obrigações a cumprir, roupas para lavar e coisas para fazer, e preciso sair em menos de uma hora. Tudo o que fiz desde que acordei foi resolver pendências, algumas do dia anterior, correndo contra o tempo, enquanto o prazo de deixar tudo isso pronto fica cada vez mais próximo.

Em julho, comecei a aprender crochê e violão, mas faz quase uma semana que não pratico nenhuma das duas coisas, porque me parece um desperdício de tempo me dedicar a isso, quando na verdade poderia estar lendo todos os textos das aulas — ou quem sabe, escrevendo aquela resenha que o professor pediu, e que já está em cima da hora. A verdade é que estamos todos assim. Faz um bom tempo que não converso de verdade com nenhum de meus colegas porque não podemos parar para fazer isso. Nós nos sentamos para conversar com hora marcada para levantar e ir embora. Estamos constantemente checando o relógio. Não podemos parar. Escrever para esse blog ainda me faz dar uma pausa nesse ritmo — mas veja bem, estou de olho no relógio, porque preciso sair em meia hora. Vai dar tempo de terminar esse texto até lá? Não posso me atrasar.

Sinceramente, às vezes me pergunto se existe algum sentido em fazermos o que fazemos. Se no final, toda essa correria e afobação vai nos trazer algo diferente do desespero e ansiedade gerado por estarmos constantemente lutando contra o tempo. Se vai valer a pena. Ou se estamos apenas seguindo no automático, sem pensar a respeito, como uma amiga me disse "enxergando tudo como se já estivéssemos aqui há séculos, acostumados com tudo". Seria mais fácil nunca fazer essas perguntas. Se eu pudesse escolher nunca perguntar, o que eu escolheria? Ser ou não ser?

Penso que, por não ter mais pelo que sofrer, exageramos nosso próprio sofrimento. Exageramos o que sentimos para podermos sentir algo. Nós progredimos tanto que não temos tempo para nada que não seja mais progresso — e o resultado disso é que, sem tempo para se dedicar aquilo que só tem beleza (a arte, a música, poesia, dança...), invertemos a situação e passamos a colocar beleza naquilo que só é útil. Enfeitamos nossos diplomas, trabalhos e salários com um tom poético e nos forçamos a acreditar que é isso que queremos. Viver às custas de um salário indigno e uma jornada de trabalho miserável, porque é disso que precisamos. Mas é claro que, no fim, isso é apenas eu fazendo drama. Já se passaram trinta minutos e eu não posso me atrasar pro meu compromisso. Depois de todo esse discurso, continuo seguindo no automático, correndo contra o tempo, fazendo exatamente aquilo que estou criticando.



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6 comentários:

  1. Olá, tudo bem com você?
    Bom, eu também tenho mil coisas para fazer, na verdade eu nem deveria está lendo postagens do blog, mas isso me faz tão bem e eu acabo perdendo tanto tempo aqui que acabo me assustando com o tempo que eu acabo perdendo em frente ao computador.
    Eu tentei fazer aula de violão mas acabei desistindo, pretendo tentar tocar qualquer dia desses mas por enquanto isso não está na minha lista de desejos.
    Eu espero que exista sentindo, pois eu estou fazendo tanto esses dias, não o suficiente mas tanto que não tenho como explicar. Exageramos muito mesmo, até na forma de gostar das pessoas.
    Retoricamente

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    1. Oi Laura, tô bem sim!

      Eu também fico cheia de coisas pra fazer, mas tento sempre ter ao menos alguns minutos pra algo que eu faço apenas por prazer. Como seria a vida se a gente cumprisse apenas uma obrigação atrás da outra? Ninguém ia suportar.

      Eu voltei a pegar o violão nesse feriado. Tinha esquecido algumas coisinhas, mas sempre fico bem quando começo a aprender algo novo. Só o crochê que ficou de lado mesmo, mas volto a fazer também :)

      Obrigada pela visita!

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  2. Oi Mari! Acho que tu já está se acostumando com minhas visitas por aqui né? Eu estou amando vir aqui ler teus post. E somos duas, essa correria nos consome, nos pesa, eu torço para o sábado chegar, nem torço para a sexta, porque ainda é dia de semana e ainda fica correria para mim, domingo mais ainda. Mas como você disse: "A verdade é que estamos TODOS assim..."

    Como a Laura falou sobre as aulas de violão, eu comprei um para mim, preto, eu acho ele lindo, mas já está cheio de poeira... já imprimi altas apostilas para aprender, já me inscrevi em sites que ajudam, mas nada deu certo, não tenho coordenação nos dedos para tal habilidade, que eu acho l-i-n-d-a. E não se preocupe em criticar aquilo que fazes, eu criticaria também.

    Sabe Mari, se me perguntarem qual frase me define, seria "tudo está pesado demais". Tenho dito isso no blog, no whatsapp, no facebook... não vou dizer instagram nem snapchat, pelo motivo de já ter excluído porque tomava o meu tempo. Mas qualé vida? temos 24h todos os dias para fazer absolutamente coisas que nos requer 25h ou 30h... acho que nos cobramos demais e ao mesmo tempo, não fazemos nada para mudar, porque é aquela né, não vemos na maioria das vezes ou nos acostumamos.
    E garota, eu preciso compartilhar teu texto com alguns amigos, grupos de família e com geral... Eu só venho no teu blog para comentar textão KKKK me perdoe por isso.

    Harmonizar | Beijos ♡

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    1. Oi Ju! Estou acostumando sim, e adorando seus comentários <3

      Eu comecei a aprender com o violão do meu pai, é preto também, ele tava encostado há uns cinco anos. Acho que a coordenação a gente vai pegando com o tempo... no início eu tinha muita dificuldade de fazer qualquer coisa, mas agora estou pegando o jeito. Só não pode desistir :3

      "temos 24h todos os dias para fazer absolutamente coisas que nos requer 25h ou 30h..." siim!! E os poucos minutos que a gente gasta em rede social ou em outras coisas de lazer (que nos toma tempo "demais") a gente se cobra, quase pedindo desculpas por dar uma pausa...

      Fica a vontade pra comentar textão, adoro <3<3

      Bjs!!

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  3. Tempo é uma coisa que não está existindo pra mim :C eu queria tanto te escrever as cartinhas e viver normalmente, mas parece que o dia mal começa e já está acabando, quando vejo mal fiz metade das coisas que precisava fazer.

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    1. Eu também! Quando me dou conta já se passaram semanas e ainda não fiz nada. Pretendia fazer uma retrospectiva do BEDA e já estamos em outubro hahah' Quem ficou de responder a última cartinha, eu ou você?

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