29/12/2018

Retrospectiva (31DM?) 2018

Imagem abstrata com texto no centro "retrospectiva 2018"

Como escrever sobre 2018? Esse ano foi tão corrido e aconteceram tantas coisas que não sei por onde começar a falar sobre ele. Já tem um tempo venho sentindo que acontecem coisas demais em um ano só, e com 2018 não foi diferente. 2018 foi um ano extremamente complicado na minha vida, e justamente por isso, escrever, de uma forma geral, ficou meio de lado. 

Em relação ao 31 de Março, escrevi apenas 15 posts. Foi o ano que menos escrevi, em relação a tudo o que se passou, desde 2012. Foi também o único ano que eu disse adeus, achando que não voltaria mais. Passei por um período muito, muito complicado, e minhas perspectivas estavam limitadas. Sempre que eu me lembro, agradeço: esse momento passou, e eu venci. 

Meu primeiro post foi "When the time is right, it'll happen...", um ditado budista, que já refletia minha necessidade de desacelerar e compreender que as coisas tem seu tempo. Nesse post eu falo de jogar Tarô, e de ter tirado o Arcano 9: o eremita, aquele que sai na busca de si mesmo, e volta transformado. O Eremita não era a carta para aquele momento, mas uma carta pra agora. Olhando para trás, percebo que 2018 foi o ano que mais cresci psicologicamente, e o processo foi exatamente esse, sair em uma jornada, solitária, doída, difícil, mas também voltar com os frutos colhidos no processo. Ouvi de várias pessoas que eu "tinha nascido de novo". Não concordo completamente, visto que nascemos de novo todos os dias, mas compreendo que estou muito longe da pessoa que eu era, 365 dias atrás. Pra ser honesta, ao me lembrar de muita coisa do passado, em especial as que me faziam sofrer, vejo como uma vivência de alguém muito distante. Tenho minhas dores, mas já não são as mesmas que as de antes, nem possuem a mesma intensidade. Foi um momento difícil. E é isso. Apenas isso. Um momento difícil.

Em fevereiro escrevi um pouco mais: 5 posts, pra ser exata. Voltei a fazer crochê, que me trouxe um pouco de alívio no turbilhão de merda que estava sendo minha vida. Juntamente com o crochê, comecei a fazer terapia. A terapia, no início, foi uma completa decepção. Existem muitas possibilidades que podem explicar porque não deu certo no início, mas eu penso que foi assim porque precisava ser. Depois de ter sentido que a terapia não estava ajudando, minha saúde mental foi ladeira abaixo: eu tava sem esperança, cansada, sem tempo, arrependida da escolha que tinha feito (cursar Psicologia), e mais um monte de coisas, que acabou se refletindo nesse post aqui. Um monte de coisas aconteceram nesse tempo, eu fiquei afastada do blog e consequentemente, não escrevi a respeito, até que, no segundo semestre de 2018, parei um pouco e me dei conta que as coisas estavam dando certo. Três coisas foram fundamentais nesse processo: a filosofia budista, a terapia que comecei no início do ano, e o acompanhamento com um psiquiatra. Obviamente não estão em ordem de prioridade. Juntamente com esses três pilares, tive ajuda de amigos, de professores, de bichinhos e até de mim mesma. Aconteciam coisas boas antes, mas eu não conseguia ver. Agora consigo. Essa diferença é fundamental.

Como eu disse, tive muitas coisas boas. Não vou falar sobre elas aqui, porque pretendo falar sobre elas outro dia. E espero poder falar sobre outras coisas também, ao longo do tempo. Agora, sem a massa escura que me anestesiava o corpo e os sentidos, fica mais fácil ver, falar e escrever. Quero levar essa sensação para 2019. E que venha um ano ano, e com ele, novos aprendizados!

05/12/2018

Sobre o projeto 101 em 1001

Imagem com fundo rosa de um bolinho em formato de coração, empilhado em cima de outros bolinhos

Para quem não está familiarizado com termos blogosféricos, 101 em 1001 é um projeto que consiste em criar uma lista de 101 itens, e tentar cumprir todas essas metas em 1001 dias, que dá cerca de três anos. O projeto foi moda durante alguns anos atrás na blogosfera, e praticamente todo blogueiro criou uma lista dessas, ao menos uma vez. Inclusive eu mesma.

Minha lista foi criada no início de 2014, e meu prazo acabou no final de 2017, porém, somente agora estou de fato finalizando o projeto. No último ano cheguei a fazer um post com algumas considerações sobre o 101 em 1001, já apontando as dificuldades que encontrei, e também já apontando que provavelmente não conseguiria completar a lista, nem mesmo criar outra. Dito e feito, não terminei minha lista, mas cumpri 46 das 101 metas, ficando com algumas que se tornaram incapazes de serem cumpridas, como terminar um projeto de 365 Days (uma foto por dia durante um ano).

Como eu mencionei ano passado, o projeto acaba perdendo o sentido, visto que o prazo é muito longo, e mudam nossos objetivos, nossas prioridades, e algumas metas acabam passando até mesmo despercebidas depois de cumpridas. Apesar disso, não foi uma experiência completamente negativa. Serviu como aprendizado: não pretendo mais participar de projetos tão longos, mas já estou planejando projetos mais curtos para (tentar) colocar em prática nos próximos anos. O que é blogar sem fazer listinha de projetos inúteis, não é mesmo? xD

Link para minha lista: 101 coisas em 1001 dias

27/11/2018

Algumas considerações sobre estar quase formando

Imagem colorida com o título do post ao centro
Eu não faço a menor ideia se a concordância do título está certa. Mas vamos que vamos
Tem tanta coisa que eu gostaria de escrever, comentar, compartilhar, que não sei muito bem por onde começo. 2018 foi um ano corrido, pra dizer o mínimo. Último ano de faculdade, mil coisas para fazer... nunca achei que daria conta. Passei por muita coisa, aprendi muita coisa, e acabei encontrando uma força que nem sabia que tinha. Estou formando, e carregando comigo uma série de aprendizados. 

Não vou mentir: não vou sentir falta das aulas, dos slides, dos trabalhos em grupo (Deusa me livre!!), das provas intermináveis, das centenas de relatórios, das noites em claro... Também não vou sentir falta das (poucas) festas que fui, os churrascos que participei, os rolês que marcaram comigo. Eu vou sentir — e inclusive já estou sentindo — falta daqueles pequenos momentos que não foram controlados, marcados, que a gente costuma nem se importar; Vou sentir falta de sair de sala, de saco cheio, e topar com alguém no corredor. Sentar um pouco, pra reclamar e fazer hora, pra ficar menos tempo dentro de sala. De almoçar com alguém antes de ir pro estágio, e chegar no estágio caindo de sono por estar de barriga cheia. De sair da aula e ir comer pipoca na rua. Ou, no auge do desespero, chegar mais cedo na faculdade pra se reunir e estudar. Vou sentir falta de sentar no sol nos intervalos, quando tava muito frio, e da sensação gostosa de faltar aula só porque estava chovendo. Vou sentir falta porque, mesmo que venham outros cursos, e outras pessoas, nunca mais vai ser a mesma coisa. Acho isso bonito, mas também um pouco triste. Ou seria o contrário?

Escrevi e apresentei meu TCC. É engraçado, olho para esse texto e tenho vontade de colocá-lo em Arial 12, Espaçamento 1,5 linhas. Não consigo desver as coisas em ABNT rs.

20/10/2018

Uma performance no meio da rua

Foto de um pequeno aglomerado de pessoas deitadas no chão umas sobre as outras

Sexta eu tive, sem sombra de dúvidas, uma das melhores experiências da minha vida até o momento. Participei de uma performance artística, em público, no meio do calçadão de Juiz de Fora. O local mais movimentado da cidade no horário mais movimentado: a hora do rush.

Como eu fui parar nessa situação? Não sei direito. Ano passado participei de um momento de jogos do Teatro do Oprimido, em Uberlândia. Entre os jogos, participei de um que precisávamos rolar no chão, uns por cima dos outros. Na quinta-feira, um amigo que participou desse jogo comigo me mandou uma mensagem: "bora rolar no chão de novo Marina?". Era um convite pra oficina do Mercúrio Líquido. Na quinta-feira deitei no chão de uma galeria, pra aprender a performance, na sexta, apresentei a performance em público, com mais outras 13 pessoas.

Eu não vou explicar a performance, porque arte não se explica. Vou descrever, e cada um reage como quiser. Uma pessoa deita no chão, e as outras deitam com ela, ou por cima dela, ou por baixo... Não importa. Deitam até se formar uma massa, um único corpo, sem contorno, respirando em conjunto. É isso. Tudo feito em silêncio. Um corpo se move, os outros movem junto, se ajustando, se integrando, escorrendo feito líquido mesmo. Um líquido pesado: Mercúrio Líquido. E apresentamos no meio do calçadão.

Vou falar da minha experiência. Em primeiro lugar, foi libertador. Quem me conhece sabe: sou tímida demais, tenho medo de me expor e o julgamento alheio me preocupa muito. Mas nesse momento, esqueci de tudo isso. Eu só estava ali, deitada no chão do calçadão, completamente relaxada, deitada sobre os corpos de outras pessoas. Até senti o sol bater no meu rosto, foi lindo.

Bom, calçadão não é um lugar onde se costuma deitar, logo, nossa performance gerou estranhamento. Críticas, muitas críticas, comentários negativos, teve até quem disse que aquilo era o Apocalipse.  Teve quem gostou, aplaudiu, elogiou. Teve até quem quis participar, colocou criança pra tirar foto. Um senhor foi atrás de nós ao fim da performance. Sentiu necessidade de falar sobre o assunto. Gostando ou não, quem passou por nós reagiu de alguma forma. Pensou.

Partimos do pressuposto que toda reação é válida: as pessoas tem o direito de achar o que quiser. Aliás, o objetivo não é concordar, é incomodar, fazer pensar, romper com a lógica mecânica de todo dia: acordar, comer, trabalhar, comer, ver TV, dormir, acordar... Enfim, a rotina. Muita gente associou o que via a política. Era político, mas não tinha a ver com eleições. Mencionaram candidados, e não preciso dizer de que lado imaginaram que estávamos. Não era sobre candidatos, mas era político. Porque é assim: arte é política, independente de falar ou não de candidatos.

Saí de lá renovada. Com energia pra correr maratonas. Percebi que quero trabalhar com algo assim: arte, corpo, público, cotidiano... Ainda não sei como, mas vou encontrar meu caminho. Estou muito feliz com a experiência. Quero participar de outras. Queria poder eternizar o momento.

Tem mais no Meu Instagram e no Instagram do Mercúrio

24/09/2018

Querida Alice


Querida Alice,

faz tanto tempo que não escrevo para você. Não sei se ainda sei como fazer... Aconteceram muitas coisas, não tive tempo, perdi a vontade. Achei que deveria voltar e escrever para você, mais uma vez.

Primeiro, eu gostaria de explicar a mudança súbita no formato. Do papel real para o virtual. Eu joguei todas as outras cartas fora. Acredito que sobraram apenas algumas. Reler todas aquelas palavras, escritas durante tantos anos, me trazia muita dor. Eu precisei fazer, como uma forma de deixar o passado para trás. Me sinto melhor assim. Esse novo formato traz algumas mudanças: é provável que tenhamos espectadores, alguns que talvez escrevam para você também, outros mais silenciosos. Tenho certeza que você não se importa.

Estou no décimo período da faculdade agora. Quando foi a última vez que lhe escrevi? No oitavo? Início do nono? Não me lembro. Escrever o TCC vem sendo uma experiência estressante, mas não tanto quanto imaginei que seria. Esses anos todos escrevendo para você, lendo e fazendo resenhas, escrevendo meu blog e outras coisas, talvez tenham servido para alguma coisa, algo além de desabafar. O décimo período traz perspectivas assustadoras: o que fazer depois de formatura? Que caminhos seguirão eu e meus amigos? Como enfim viver a prática sem orientações de professores? Sendo bastante sincera, não estou com medo. Penso que eu deveria estar, mas não estou. Olho para trás e vejo o quanto vim caminhando: das inúmeras mudanças de escola, ao início da faculdade, mudança de amigos e de cidade, as várias mudanças de cabelo, opinião e outras coisas... Posso dizer com segurança que nunca tive medo do novo. Não me conhece quem diz que não me arrisco: minha vida tem sido uma série de tiros no escuro, um atrás do outro. Eu sei que não vai ser diferente depois da faculdade. Assim como não foi ao fim do ensino médio. Eu fico feliz que tenha dado certo.

Tem algo que eu preciso lhe contar! Comecei minha terapia! Estava morrendo de medo no início, mas a terapia não é o que parece. Não chega nem perto do que vi e ouvi na faculdade. Atrasava propositalmente dez minutos em todas as sessões, no início, mas hoje, se pudesse, chegaria adiantada. Sinto como se aquele fosse o único lugar onde eu sou por completa. E o único lugar onde tem alguém que vê isso - eu mesma. Minha psicóloga é maravilhosa, mas consigo ver que ali tem um ser humano. E me sinto bem com isso. Aliás, esse é o propósito da Gestalt-terapia: terapeuta e paciente crescem no contato. Minha terapia me conquistou tanto que decidi seguir por esse caminho: quero ser uma Gestalt-terapeuta também :)

Tem alguns detalhes sobre a terapia que pretendo te contar um outro dia, como, por exemplo, o fato que faço terapia sentada no chão, em uma sala quase-vazia, fugindo completamente do padrão sofá/divã que vamos por aí. Foi uma escolha minha, obviamente, minha psicóloga tem uma sala de verdade. Não me lembro dos pormenores que me levaram a pedir para trocar de sala, mas depois que trocamos, nunca mais voltei. Às vezes me esqueço que nem todas as terapias são assim. É estranho, eu percebi na terapia que buscava me encaixar e me enquadrar num "padrão", mas minha terapia desde o princípio fugiu disso, como se algo em mim, lá no fundo, gritasse por uma existência fora da curva. Não foi intencional, principalmente porque só percebi com meses de sessão que eu andava me esticando, me enquadrando, puxando aqui e ali pra caber no mundo - que eu achava que era - dos outros. Me sinto bem dessa forma, sentada no chão, de frente para a psicóloga (que também senta no chão, e desde as primeiras sessões nunca mais veio de salto, porque atrapalha), falando do que me vier a cabeça, sem me preocupar se é assim que se faz ou não uma terapia, se estou fugindo ou não de algo, se eu deveria ou não ocupar o silêncio. É minha terapia, e eu a faço da minha forma. Aliás, existo da minha forma, e nada é mais importante para mim do que isso. 

E o que mais? Acho que preciso falar sobre a dor. Eu ainda a sinto. Aquela dor que tanto escrevi para você, que dói o peito, que sufoca, que puxa e aperta, que queima a alma... eu ainda não descobri o que é, e de onde veio. Tenho medo que nunca vá descobrir, tenho medo que nunca vá embora. Dói muito, ainda. E quase o tempo todo. Tenho aprendido a viver assim mesmo, com ela. Porque não quero esperar para viver quando ela passar. Quero viver aqui e agora. Com o que tenho, do jeito que tenho. Com ou sem ela. Não foi fácil chegar a essa conclusão, nem sempre consegui (e consigo) pensar dessa forma. Mas estou caminhando, um dia de cada vez. E se vale ou não a pena, só vou descobrir no final, quando chegar.

Enfim, me prolonguei muito, como sempre faço. Não consigo mais escrever com tanta frequência, por isso os assuntos se acumulam. Como sempre, agradeço o espaço que tenho durante todos esses anos, e espero poder te escrever de novo, em breve. Até logo!

20/08/2018

Do que tem feito eu me sentir em paz

Imagem em tom púrpura de uma flor de lótus boiando ao lado de um lírio
Foto por Devanath
Às vezes eu me pego pensando em vir aqui, escrever algo, um texto grande como eu costumava fazer. Ultimamente tenho escrito pouco, me expressado pouco. Na verdade, tenho feito tudo um pouco devagar. Diminuí o ritmo, e isso está se mostrando nas coisas que ando fazendo. Sempre escrevi bastante porque pensava bastante, e também pensava rápido, e as ideias iam se acumulando. A solução era escrever. Hoje não está mais assim. Tomo o meu tempo, e desacelerando um pouco, conseguir apreciar mais o que está a minha volta. Tenho me sentido em paz dessa forma.

Quase todo dia antes de deitar para dormir, leio algumas frases Budistas que salvei no meu pinterest. Budismo para mim tem sido calmaria em meio à uma tempestade. Tinha deixado de lado minhas leituras dos ensinamentos do Buda, mas depois de um tempo afastada, voltei. Sempre me fez bem e sempre me deixou tranquila, mas por falta de tempo, e talvez por dar crédito demais as torcidas de nariz alheias, me afastei. Hoje voltei a ler, estudar e colocar em prática algumas coisas. Pretendo, talvez no futuro, me dedicar oficialmente a essa filosofia. Ainda não sei. Por enquanto deixo como está. Estou em paz dessa forma.

Ando seguindo um dia de cada vez. Muitas pessoas me perguntam o que vai ser do meu futuro. Do fundo do meu coração, respondo que não sei. Em relação aos meus planos, digo com sinceridade: ainda não planejei. Tinha receio de admitir essa verdade: de que acredito que o futuro é incerto e é inútil planejar muito a longo prazo; muita coisa acontece, nada sai como esperado. Mas por viver em meio a pessoas que estão sempre um passo a frente, sempre um dia adiante, sempre pensando no futuro, acabei me adaptando. E acabava fazendo planos também, apenas para me adaptar. Atualmente respiro e digo para mim: uma respiração de cada vez, um dia de cada vez, um passo de cada vez. Também é um ensinamento budista, e estou em paz por segui-lo. Meus planos para o futuro nunca funcionaram, sempre acaba me limitando e me frustrando. Tenho deixado as coisas seguirem seu rumo, e na maioria das vezes me surpreendo: a vida me traz mais do que eu esperava. Está sendo bom. Estou em paz com isso.

Percebi que me levo pouco pelo medo. É engraçado, porque sempre me vi como medrosa. Mas o medo mesmo, não me impede. Tenho me visto como corajosa. Não aquela coragem que as pessoas tanto falam, que não sente nada, que não pensa em nada, que passa por cima de tudo e não se permite ser frágil. Me sinto frágil, mas também corajosa. Acho que é preciso sim, ter muita coragem pra ser frágil. Admito: sou medrosa, e às vezes um pouco frágil. Ainda há muito o que fazer, mas estou em paz, assim mesmo. Estou caminhando, um passo de cada vez.

Estou em paz porque, eu estava — e ainda estou — em um momento muito, muito difícil da minha vida. Estou passando por um período turbulento, e acreditava que nunca conseguiria me sentir em paz. Ainda tenho muito o que caminhar, mas o pouco de paz que ando sentindo, o pouco de tranquilidade, eu não acreditava ser possível. E estou em paz por perceber que é. Não sei como vai ser daqui para frente, e no momento não estou preocupada. Hoje estou em paz, amanhã já não sei. Continuo seguindo um dia de cada vez.

13/05/2018

Por enquanto, um adeus

Foto por Oldiefan

Passei as últimas semanas pensando em como escreveria esse post. Um capetinha em um ombro, um anjinho no outro, e um diálogo entre nós três: "são seis anos escrevendo nesse espaço", "sua alma está ali", "insiste só mais um pouquinho", "vamos só esperar"... Eu não queria que isso fosse uma despedida, mas é. Precisa ser. Chega um momento em que é preciso definir prioridades, e minha saúde mental é uma delas. Não que escrever nesse blog traga prejuízos para minha saúde mental: manter esse blog sempre me trouxe alívio. Mas, ultimamente, por vários motivos, escrever tem sido frustrante. Entre um texto pela metade e outro, percebi que talvez seja melhor não insistir, e que, por mais que eu não goste de pensar nisso, talvez seja melhor deixar o blog de lado. Percebi que precisava ficar longe, cuidar de mim, e segurar a barra o máximo possível, até que as coisas cheguem no lugar. Tomei minha decisão. Pensei em deixar o blog apenas parado e voltar quando pudesse, mas não consegui fazer isso, me senti culpada. Por respeito a esse espaço, por respeito a quem se dedicou a ler, por respeito ao tempo que me dediquei escrevendo, decidi que o melhor a fazer era me despedir, e voltar se (ou quando) eu me sentisse em condições para isso. Às vezes é preciso coragem pra desistir. Ainda não me caiu a ficha, mas estou me despedindo.

Andei desativando algumas redes sociais. Falei em março sobre minha rotina corrida. Parece que foi ontem, mas já tem alguns meses. Estou ficando muito cansada. Nunca pensei que os últimos períodos de uma graduação fossem tão desgastantes. Mas é. As responsabilidades são enormes, e as cobranças (nossa e dos outros) são ainda maiores. Os conteúdos das disciplinas mexem conosco, e a prática — o contato com as pessoas que nos procuram, na maioria das vezes com um grande sofrimento — mexe mais ainda. Não tenho tempo para escrever, e quando tenho, não quero. Deixar o blog em aberto me fazia pensar que eu precisava voltar aqui, e dar alguma explicação. Me sentia culpada. Eu não tenho muito o que dizer: estou cansada, estou triste, estou desanimada, e preciso cuidar disso. 

Isso é um adeus. Isso significa que eu não vou mais escrever, nem postar, nem atualizar o layout ou as páginas... Pretendo voltar um dia. Quem sabe, no final do ano? Ainda tenho muita coisa para dizer, mas nesse momento, isso precisa ficar um pouco de lado. Vou sentir falta desse espaço e de todas as pessoas que conheci por aqui, mas não tenho condições de continuar agora. Estou dizendo adeus, mas espero que seja um "até logo". Me mandem boas energia, por favor!.

04/04/2018

...esta é a terra de ninguém. Sei que devo resistir, eu quero a espada em minhas mãos"

Foto por 3888952, só porque eu gostei

Post-desabafo. Cuidado com gatilhos! Dê uma lida no post da primeira estrofe da música pra entender o contexto

Sábado foi meu aniversário. Meu aniversário costuma ser uma data muito importante pra mim, e acho que o nome do blog deixa isso bem claro. Não sou de comemorar, nem fazer festa. Mas mantenho uma tradição desde os 15: escrevo uma carta, pra ler no aniversário do ano que vem. Ano passado esqueci da carta e li meses depois, mas ainda assim escrevi outra, pra ler esse ano. A cada ano, escrevo determinado número de perguntas, relacionadas a idade que estou completando, pra responder no próximo ano. No ano seguinte, respondo as perguntas na carta, e crio outras. Com 16 anos, escrevi 16 perguntas, e respondi as 16 quando fiz 17. Escrevi mais 17 perguntas pra responder quando completasse 18. Fiz isso até completar 20, e voltei para 15, porque estava chato demais criar perguntas novas (pois é). 

Mantenho essas cartas guardadas até abrir a próxima, e então jogo fora. Sempre tenho uma aberta, e outra fechada. A de 2016 joguei fora logo que li a de 2017, e escrevi a de 2018. A ideia é ter sempre uma carta aberta, que fica durante o ano todo, e outra fechada, que ainda será lida.

28/03/2018

"Tenho os sentidos já dormentes, o corpo quer, a alma entende...

Por Deus nunca me vi tão só / É a própria fé o que destrói / Estes são dias desleais... 



Imagem de um relógio de ponteiro

Quando eu acho que não existe mais possibilidade de ficar sem tempo livre pra fazer alguma coisa, a vida me surpreende e me arruma mais responsabilidades pra cumprir. Escrevi sobre o tempo em agosto do ano passado, na época do BEDA. Pensar em BEDA nesse momento é quase um delírio. Tem dias que eu literalmente não tenho tempo nem para comer: preciso fazer um lanche rápido na rua, já que cozinhar se torna impossível. 

Estou no 9º período do curso de Psicologia. Poucas vezes falei sobre meu curso por aqui, o que é uma surpresa: esse foi o único aspecto da minha vida que sobrou. Tudo foi morrendo aos poucos, até desaparecer por completo. Mantenho alguns hobbies e assisto séries no final de semana. Encaixo um pouco de lazer nos poucos minutos que existem entre uma responsabilidade e outra. Não fossem esses minutos de lazer, eu já teria surtado. Faço quatro estágios, dois obrigatórios, um extracurricular, um de licenciatura... tenho as disciplinas comuns do curso, mais uma que fiquei devendo, além do projeto da monografia, que preciso escrever esse mês. Meu guarda-roupa está uma bagunça, tenho uma pilha de roupas pra lavar e não sei quando vou fazer isso. 

11/03/2018

Experiência de trocas no skoob

Foto de livros com laço formando coração
Foto por congerdesign
Já tentei várias vezes escrever um post sobre trocas no skoob, mas nunca termino. Chego na metade e abandono o post, assim como muitos outros que tentei começar, mas não consegui chegar ao fim. Parece bobagem, mas reflete muito do que estou passando no meu momento atual: comecei muitas coisas, abri várias portas, não fechei nenhuma. Tenho andado em círculos a respeito de muita coisa, sem chegar a nenhuma conclusão: seja a respeito dos posts desse blog, seja a respeito de aspectos da minha vida. Tem sido assim, e eu espero ir concluindo as coisas aos pouquinhos. A começar pelas minhas trocas no skoob. 

Resolvi começar a disponibilizar livros para troca no skoob depois de um problema com traças em 2016. Não só as traças começaram a me incomodar, como também a falta de espaço e o excesso de livros que sequer eram tirados da estante. Sabe aquele livro que está ali, você gosta, mas sabe que não vai lê-lo de novo? A grande maioria dos meus livros faziam o tipo. E eu percebi que não via motivo, e nem mesmo queria acumular tantos livros assim. Não vejo problema em quem coleciona livros. Acho mesmo digno de orgulho ter vários livros na estante, mostrar todas aquelas leituras que já foram feitas e às vezes tirar um ou outro exemplar só pra dar uma foleada. É lindo, mas não serve para mim. Tive mais de 200 livros, doei vários deles e separei outros tantos para troca. Atualmente tenho 28 livros disponíveis para troca no skoob, concluí outras seis trocas e acredito que o número só vai aumentar.

26/02/2018

(Quase) releitura: A menina que roubava livros

Foto do livro A menina que roubava livros

Estou relendo A menina que roubava livros pela quinta vez, desde que comprei meu exemplar da Avon, por volta de 2011. Já li esse livro tantas vezes que sei algumas passagens de cor. Meu exemplar está ficando bastante surrado, mas ainda conserva o mesmo cheio de quando o comprei — apesar do cheiro ter ficado um pouco mais fraco nos últimos anos. É engraçado que, só de pegar o livro nas mãos e sentir o cheiro dele, consigo me lembrar de situações das outras vezes que o li. Me lembro com mais facilidade da primeira leitura: eu devia ter no máximo cinco livros em casa, e os guardava numa gaveta. Tive um pouco de dificuldade de entender a leitura na primeira vez, mas lembro de ter gostado tanto que reli para entender melhor. Posso explicar minha dificuldade: a narrativa do livro não é linear. A Morte, a narradora, começa pelo final, volta no início, avança e retrocede no tempo, sem se preocupar em entreter o leitor ou fazer suspense. Também não se preocupa em explicar que está falando de algo que ainda vai acontecer, ela simplesmente conta, e então volta, a fim de nos mostrar os fatos que levaram até lá. E — essa é a parte mais interessante — quanto mais conhecimento você tem da leitura, mais interessante o livro se torna.

18/02/2018

Daqueles blogs que deixam o coração quentinho: E agora, Isadora?

Foto de um gato olhando para o alto e plantas atrás dele
Foto por Kirkandmimi | Gatíneos ❤️
Quem me acompanha há algum tempo sabe que de vez em quando eu escrevo sobre blogs que leio ou andei lendo. Essa é uma forma que encontrei de mostrar as pessoas o quanto achei o blog delas especial, além de divulgar pra todo mundo boas leituras que existem por aí. Tenho uma série de blogs que gostaria de indicar, mas vou fazendo isso aos poucos, quando bate a inspiração. Hoje, rolou uma identificação tão grande com o blog que estou indicando, que eu copiaria e colaria o conteúdo dele todo, se isso não fosse plágio — que, além de desrespeitoso, é crime. Uma vez que não posso plagiar o blog alheio, vou indicando posts que li e gostei, pra todo mundo ler e se identificar também. Mas é pra ler mesmo, viu?

Eu conheci o blog da Isadora pelo blog da Mia Sodré, que é outra blogueira que gostaria de indicar aqui, um outro dia. O blog se chama E agora, Isadora? e o que me fez entrar nele foi o título do post mais recente no blogroll da Mia: "30 antes dos 30 - aquele em que eu tricotei meias de presente pra todo mundo". Fiquei interessadíssima porque a) parecia um projeto novo e interessante que talvez eu pudesse bolar pra mim (30 antes dos 30, mas ainda vou demorar pra chegar lá) e b) falava de tricô, que na minha cabeça é um primo do crochê, que estou aprendendo. Eu me identifiquei com a fala dela sobre insegurança em relação a dar presentes feitos pela gente mesma, e concordei com a parte "propaganda de quem faz artesanato": cada horinha e ponto que dá errado no artesanato (e a gente refaz) é uma horinha a mais que a gente gasta se dedicando a uma pessoa... Não tem caixinha de bombom comprada na Cacau Show que pague...

16/02/2018

O céu estava tão bonito que meus olhos se encheram de lágrimas...

Foto de uma pena turquesa
Foto por ContactFundMatters | (Eu só gostei da cor)
Tenho passado por uma montanha russa emocional que está sugando toda minha energia. Num dia acordo depressiva e desanimada, no outro, querendo desbravar o mundo. Pra piorar, gripei, e as secreções da gripe estão desencadeando crises de sinusite que fazem parecer que tem uma bomba pulsando dentro do meu rosto.

Não está sendo fácil.

Tive todas as emoções do espectro emocional em uma semana. Algumas vezes, em apenas um dia. Hoje, por sorte, me mantive estável durante a maior parte do dia — mas também me mantive a maior parte do tempo lendo contos de terror no Twitter, o que me ajudou a tirar o foco de mim e colocá-lo em outra coisa. 

Não se preocupem, eu já estou providenciando a ajuda necessária.

Em determinado momento do meu dia, depois de sair do Twitter, e depois de trocar mensagens com um amigo, fui para o terreiro da casa. Vi um pedaço do céu e percebi que ele estava lindo. Subi para o terraço para ver melhor. Meus olhos se encheram de lágrimas.

Tentei tirar uma foto, mas a câmera do meu celular não captou muito bem. Eu gostaria de poder descrever para vocês: o azul fazia um degradê, começando escuro no alto, e ficando mais claro aos poucos, a medida que ficava próximo ao horizonte. As nuvens pareciam algodão: rasgado e espalhado pelo céu, em tiras, quase como pinceladas. As bordas delas estavam alaranjadas, por causa do brilho do sol que se escondia em algum lugar ali atrás. Era final da tarde e o sol estava se pondo.

Fiquei ali por alguns minutos, observando. Meu cachorro passou pelas minhas pernas em alguns momentos. A paisagem ao redor fazia contraste com o céu, formando silhuetas (eu amo silhuetas): as antenas da casa, o telhado do vizinho, o muro do meu próprio terraço... O momento durou apenas alguns minutos. Escureceu e as nuvens foram embora. Mas foi um bom momento. Queria que todo mundo tivesse visto.


14/02/2018

Crochê e outras coisas

Foto de um gato dentro de uma caixa amarela
Foto (nada a ver com o post) por Obpia30. Quem não gosta de gatos?
Tô aqui a semana toda tentando escrever algo. Tentando elaborar um texto e fazer um post de verdade. Tentando escrever com uma pressão maluca de que não está bom o bastante, que não tá legal o suficiente e que ninguém vai querer ler isso. Tentei escrever até sobre não conseguir escrever, mas nenhum texto fluiu. Ficou abandonado pela metade, me olhando com aquele ar de "e aí minha filha, você vai terminar isso ou não?". Mesmo tendo passado por bloqueios criativos outras milhões de vezes na minha existência, bateu um desespero gigante e eu pensei que nunca mais ia conseguir escrever. Comecei a ler outros blogs, com os olhos cheio d'água, pensando em como era bom quando eu também conseguia fazer isso. Deu até pra ouvir a musiquinha nostálgica tocando no fundo, o narrador explicando a situação e os flashbacks de vários momentos meus no computador. So much drama. 
Gif "Então é isso. É assim que acaba"

05/02/2018

“Encontro-me dentro da minha própria mente, mas trancada em casa errada”

Foto de Anne Sexton em preto e branco, apoiando o braço em uma mesa

A frase do título do post é do poema "A prayer", do livro "For the year of the insane", de Anne Sexton. Conheci sua poesia no filme "O Mínimo Para Viver" e fiquei tão tocada que resolvi procurar por outras. 

Anne Sexton, apesar de ter ganhado um Pulitzer em 1967, não possui nenhuma obra publicada em português. Ela nasceu em Massachusetts, em 1928, e ao longo da vida, teve várias tentativas de suicídio, além de episódios de internação em hospitais psiquiátricos e um histórico de abuso de substâncias e dependência alcoólica. Em 1956, seu psiquiatra recomendou que ela escrevesse poesia, como uma forma de lidar com suas crises depressivas. Anne escreveu vários poemas e publicou vários livros até o ano de sua morte, em 1974, quando cometeu suicídio por intoxicação de monóxido de carbono, ao se trancar na garagem com o motor de seu carro ligado. Quem tiver interesse, a história de Anne foi contada com mais detalhes por David Furtado

Achei simplesmente lamentável que nenhum livro de Anne tenha sido publicado em português. Apesar disso, ainda conseguimos encontrar vários de seus poemas traduzidos pela internet. Acredito que seja desnecessário fazer uma introdução aos poemas de Anne, eles falam por si só! Selecionei alguns que me tocaram e que gostaria que todos conhecessem:

CORAGEM - Anne Sexton


É nas pequenas coisas que a vemos.
O primeiro passo da criança,
tão incrível como um terremoto.
A primeira vez que você andou de bicicleta,
desequilibrando-se pela calçada.
A primeira surra, quando seu coração
saiu sozinho em viagem.
Quando o chamaram de bebê chorão
ou pobre ou gordo ou maluco,
e o tornaram um completo estranho,
você bebeu aquele ácido
e o ocultou.

Mais tarde,
se você enfrentou a morte das balas e bombas,
não o fez com um estandarte,
mas apenas com um chapéu para
cobrir seu coração.
Você não afagou sua fraqueza
embora ela estivesse ali.
Sua coragem era um carvão
que você continuou engolindo.
Se seu camarada o salvou
e morreu fazendo-o,
então aquela coragem não era coragem,
mas amor; amor tão simples como espuma de barbear.

Mais tarde,
se suportou um grande desespero,
você o fez sozinho,
recebendo uma transfusão do fogo,
raspando as crostas de seu coração,
e então o arrancando feito uma meia.
Depois, meu irmão, você pulverizou sua pena,
fez-lhe uma massagem nas costas,
então a cobriu com uma manta
e, após haver dormido um pouco,
ela acordou para as asas das rosas
transformada.

Mais tarde,
quando tiver de encarar a velhice e a natural conclusão,
sua coragem ainda se mostrará nas pequenas coisas,
cada primavera será uma espada que você afiará,
aqueles que você ama viverão em febres de amor
e você barganhará com o calendário
e no último instante,
quando a morte abrir a porta dos fundos,
você vai calçar suas pantufas
e sair.


O poema acima é recitado no filme O mínimo para viver, filme que retrata a vida de adolescentes lutando contra anorexia. O filme é incrível e vale muito a pena assistir também!

15/01/2018

"When the time is right, it'll happen..."

Quando for o tempo, vai acontecer

No último post comentei que várias vezes sentei para escrever algo, mas não consegui. Isso (ainda) não mudou. O último semestre de 2017 foi tão cansativo que sinto necessidade de repetir isso mais uma vez. Foi tudo tão corrido e tão exaustivo que, mesmo depois que minhas férias começarem, e mesmo continuando apenas no estágio, não tinha energia pra fazer absolutamente nada. Sobrevivi da última semana de novembro até ontem, apenas cumprindo com minhas obrigações, passando todo o tempo livre deitada, e somente hoje que eu tive ânimo pra me dedicar a algum hobby, sem precisar me arrastar ou sentir vontade de desistir o tempo todo. 

Achei que talvez fosse melhor me afastar e deixar tudo em stand-by, mas sem perder de vista que seria temporário, que era uma fase e logo eu estaria bem de novo. Confesso que várias vezes pensei que nunca ia conseguir sair da letargia que eu estava. A gente tem dificuldade de imaginar o futuro sem se deixar influenciar pelas emoções do presente: tudo sempre parece eterno. No meu cansaço, pensei que talvez estivesse doente, fisicamente doente, e comecei a marcar minhas consultas — ou ao menos pensar nisso.

Excluí definitivamente meu Facebook — pra nunca mais voltar —, desativei todas as notificações do whatsapp, desinstalei o Instagram, deixei o blog de lado e me mantive longe de redes sociais nas últimas semanas. Não tenho me sentido bem em nenhum desses lugares e resolvi me afastar. No fundo, uma vontadezinha de aparecer por aqui ou postar no Insta ainda existia: eu não queria desistir, mas também não queria aparecer. Mantive quase como mantra uma frase com a foto do Buda que li no Pinterest: "não apresse nada. Quando for a hora certa, vai acontecer". Sempre que me sentia mal por não fazer o que eu gostaria de fazer, sempre que eu me cobrava pelo tempo que estava parada sem fazer nada, repetia "quando for a hora certa, vai acontecer". E assim foi.

Hoje depois do almoço resolvi escutar um Podcast. 56 minutos de duração, primeiro Podcast que ouço na vida. Fiquei maravilhada com o formato. Deixei os alto falantes ligados, e meu apartamento encheu de vida. Foi como ter os três rapazes do Podcast (Uma semana na vida) conversando dentro da minha casa. Até respondi algumas coisas pra eles, mesmo sem eles conseguirem ouvir. Tive vontade de gravar também.

Depois do Podcast, lavei roupas, meditei, comi biscoito, joguei Tarô. Ainda não aprendi a jogar, mas ando aprendendo bastante. Uma das cartas que saiu para mim foi o Arcano 6, A Indecisão. Pelo que entendi, uma carta que fala sobre diversos caminhos, possibilidades. Também saiu o Eremita, o Arcano 9: alguém que saiu em busca de si mesmo e agora volta com os resultados da jornada. Não consegui interpretar sozinha, obviamente, e tive que recorrer ao Dr. Google. Não faço a menor ideia se estou certa.

Depois de tudo isso, abri o editor do blogger, e sem perceber, comecei a escrever. E o texto fluiu, sem eu precisar forçar. Ficou até grande, e eu dei mil voltas, como costumava fazer (principalmente antes de aprender a enxugar hehe). 

A gente vive num mundo onde tudo tem de ser feito depressa, pra ontem! Não é a toa que tem muita gente sofrendo de algum tipo de ansiedade — e eu também. Nesse tempo todo que passei desanimada (e que não sei se vai ou não continuar), percebi que não era só o desânimo, a vontade de ficar parada: mas a minha cobrança e falta de paciência em cima disso. Porque eu queria ficar bem, e queria ficar bem logo. Porque é assim, não é? "Está todo mundo bem, o tempo está passando e eu estou desperdiçando meu tempo parada nessa casa". Tirar um tempo pra descansar não é um desperdício, mas uma necessidade. E a gente precisa exercitar a paciência e a confiança de esperar que as coisas vão acontecer, quando for a hora. Vale pra tudo: do post no blog ao tema do TCC. Só espero não me esquecer disso nos próximos dias.