04/04/2018

...esta é a terra de ninguém. Sei que devo resistir, eu quero a espada em minhas mãos"

Foto por 3888952, só porque eu gostei

Post-desabafo. Cuidado com gatilhos! Dê uma lida no post da primeira estrofe da música pra entender o contexto

Sábado foi meu aniversário. Meu aniversário costuma ser uma data muito importante pra mim, e acho que o nome do blog deixa isso bem claro. Não sou de comemorar, nem fazer festa. Mas mantenho uma tradição desde os 15: escrevo uma carta, pra ler no aniversário do ano que vem. Ano passado esqueci da carta e li meses depois, mas ainda assim escrevi outra, pra ler esse ano. A cada ano, escrevo determinado número de perguntas, relacionadas a idade que estou completando, pra responder no próximo ano. No ano seguinte, respondo as perguntas na carta, e crio outras. Com 16 anos, escrevi 16 perguntas, e respondi as 16 quando fiz 17. Escrevi mais 17 perguntas pra responder quando completasse 18. Fiz isso até completar 20, e voltei para 15, porque estava chato demais criar perguntas novas (pois é). 

Mantenho essas cartas guardadas até abrir a próxima, e então jogo fora. Sempre tenho uma aberta, e outra fechada. A de 2016 joguei fora logo que li a de 2017, e escrevi a de 2018. A ideia é ter sempre uma carta aberta, que fica durante o ano todo, e outra fechada, que ainda será lida.

É incrível como, de alguma foram, as Marinas do passado sempre parecem ser mais espertas que a do presente. Como se eu estivesse emburrecendo ao longo da minha jornada, e não o contrário. Se engana quem pensa que a gente fica mais sábio quando envelhece: a Marina de 15 anos, que criou essa tradição, sabia mais da vida que a Marina de agora, que pensa que tudo isso é uma grande bobagem, e precisa se esforçar pra manter a tradição de pé. De alguma forma, a Marina de 2017 soube que isso iria acontecer, e começou a carta pedindo que eu não deixasse a tradição morrer. Pediu que eu terminasse de ler a carta e escrevesse outra, e respondesse as perguntas que ela deixou com tanto carinho. A Marina de 2016, antes dessa, foi ainda mais longe: criou perguntas complexas cheio de questionamentos existenciais para que, em 2018, eu pudesse ver a diferença entre as respostas de 2017 e as que daria atualmente, e pudesse ver o quanto eu cresci. O que as Marinas de antigamente não previram foi que eu guardaria a carta, cheia de dúvidas, ignorando suas mensagens de apoio, me perguntando se deveria ou não manter uma tradição ridícula dessas. A Marina de 2018 transformou toda a esperança das outras Marinas em sarcasmo e humor autodepreciativo. A Marina de 2018 não queria precisar escrever cartas pedindo que mantivesse a tradição de escrever cartas no ano seguinte. A Marina de 2018 está cansada, muito cansada. A Marina de 2018 não quer saber de cartas no aniversário, ela só quer descansar.

Eu sei que isso vai passar. Escrevi sobre isso em 2015, em 2016, em 2017... escrevi sobre isso aqui no blog, nos meus diários, para alguns amigos... escrevi sobre isso por anos e anos e eu sei que passa, mas também não muda. Um ciclo de cansaços e desânimos, e tristezas e falta de vontade, e você precisa seguir em frente, como se nada estivesse acontecendo, atropelando tudo e todos, sem nenhuma perspectiva de mudança, sem nenhuma esperança em relação ao futuro, tirando 50 minutos da sua semana para tentar resolver isso, quando você sabe que 50 minutos não é suficiente pra resolver quase nada. E o que mais se pode fazer? Não se tem tempo nem pra comer, imagine pra descansar. Você precisa se distrair e continuar seguindo de alguma forma, e o "alguma forma" que você encontra é se desligando de tudo, não pensando a respeito, fingindo que nada está acontecendo e morrendo de medo do que vai acontecer quando a negligência e sujeira que você varreu para debaixo do tapete venha a tona. E você também varre isso para debaixo do tapete porque sabe que não pode se dar ao luxo de pensar nisso também

Quadrinho personagem guardando pensamentos negativos em um pote. Ele pensa "isso pode não ser saudável a longo prazo" e então guarda esse pensamento em um pote também
Quadrinho por Shencomix

Gosto de culpar a faculdade e a rotina insana que a gente adota sem perceber como origem de todos os males, apesar de saber que não é só isso. Tenho medo de pensar no que vem depois, isso é, se existir algum depois. Tenho a sensação de que meu corpo vai entrar em colapso no meio do caminho, derreter como um boneco de neve, por falta de forças de se manter de pé. Penso nisso o tempo todo, mas não consigo fazer nada para mudar, porque não me sobra energia pra isso. A energia que tenho, gasto tentando organizar o caos que minha vida se tornou. "Depois que me formar eu vejo isso", fico repetindo para mim, mesmo sabendo que as coisas não vão se resolver com a formatura. Não só a formatura não terá resolvido nada, como minha saúde física e mental estará em frangalhos, e é esse o recurso que vou ter para tentar consertar o estrago que eu mesma causei, no início de tudo. Muito promissor, não?

Pensando nisso tudo, não consigo deixar de rir quando lembro ter ouvido que essa seria a melhor época da minha vida. Devo começar a me preocupar com isso agora, ou devo varrer para debaixo do tapete também?

Um comentário:

  1. Eu pediria pra você continuar a tradição, ela é maravilhosa e eu achei incrível! Mas isso é algo que você deve refletir se vale ou não à pena continuar.
    Se virou uma obrigação e um fardo, talvez seja o momento de terminar a jornada das cartas. Pense direitinho com o coração <3.

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