24/03/2019

Sobre as primeiras leituras de 2019

A imagem mostra uma mesa, em cima dela um leitor de livros digitais, ao lado do leitor, uma caneca com estampa de um rosto de um gato, ao fundo, um prato com biscoitos de chocolate

Faz muito tempo que não falo de leituras aqui no blog. Apesar de ainda amar literatura, meu perfil enquanto leitora mudou muito. Tenho lido mais livros acadêmicos/científicos/teóricos que livros de literatura/ficção, e justamente por isso tenho escrito pouco a respeito disso. Não é que eu não ache válido criar posts sobre livros teóricos, mas não me sinto a vontade para fazer posts completos sobre eles, principalmente porque me sinto insegura de escrever sobre coisas que eu não tenho tanto domínio ou conhecimento. Outra coisa que me tem sido um obstáculo nos meus posts sobre livros (não que eu venha publicando muita coisa por aqui), é que a própria forma como eu leio também mudou: estou lendo devagar, de forma desatenta, me distraio durante páginas e não retorno com a leitura, pulo introduções/comentários de outros autores, me preocupo mais em terminar a leitura que absorver o conteúdo da mesma, enfim... já fui uma leitora mais dedicada. Apesar disso, estou tentando retornar o hábito, porque ler ainda é minha forma favorita de adquirir informação.

Esse ano eu já li 3 livros. Considerando que ano passado li somente 5 livros completos durante o ano todo, posso dizer que estou indo bem. Lógico que não parei de ler, só não acrescento a lista de "livros lidos no ano" capítulos e livros lidos pela metade, nem artigos ou outros tipos de leitura, se fizesse isso, a lista seria muito maior. Meus livros lidos esse ano refletem um pouco de um movimento que começou em 2017: leituras de clássicos livros teóricos. Enfim, vamos a (dois d)eles:

Vamos aos livros:



Capa do livro Livro 108 contos e parábolas orientais com a Monja Coen unindo as mãos e o título dentro de um círculo laranja

108 Contos E Parábolas Orientais. da Monja Coen.


De todas as religiões/filosofias que conheço, o Budismo é que eu mais gosto de estudar, e que tenho mais vontade de praticar. Conheço um pouco de diferentes escolas (o budismo tem ramificações, como uma árvore), e entre elas, sou apaixonada pelos contos da escola Zen. A escola Zen nasceu na China, se espalhou pela Ásia e ganhou duas divisões principais, no Japão: a escola soto e rinzai. A Monja Coen representa a escola Soto aqui no Brasil. Uma das características da escola Zen é o uso de Koans, espécie de contos que são usados para fazer o aluno refletir sobre determinado tema dentro do Budismo. Esse livro traz um compilado com vários koans e histórias da Monja, com um comentário dela para facilitar a compreensão do que está sendo dito.

Foi uma leitura prazerosa para mim, porque me permitiu conhecer um pouco mais do Budismo e refletir sobre questões da minha própria existência. Cada capítulo é formado por um conto ou parábola, seguido da explicação da Monja, nem sempre tão clara, visto que essa tradição compreende que nem tudo pode ser explicado em palavras. Não é um livro técnico, voltado para estudiosos, mas é inevitável escrever sobre alguns detalhes do budismo para contextualizar para quem está lendo. Além disso, a Monja compartilha um pouco da vida dela no mosteiro e suas próprias experiências de vida, o que torna tudo mais rico. Fiquei surpresa de ler detalhes sobre atitudes "negativas" que ela tomava, principalmente em relação as pessoas que viviam com ela no mosteiro, visto que normalmente tendemos a esconder e justificar coisas desse tipo, ao invés de admitir o erro e aprender com ele. Aumentou ainda mais meu encanto com a tradição  ❤️


Capa do livro Admirável Mundo Novo que mostra a parte de trás de uma cabeça com vários circuitos de computador

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.


Admirável Mundo Novo é um clássico que despertou minha curiosidade depois de ler um quadrinho comparando Huxley com Orwell. O final do quadrinho dizia "Orwell temia que o ódio nos arruinaria | Huxley temia que o amor nos arruinaria" e eu quis saber qual era a ideia dele de uma sociedade arruinada pelo amor. Basicamente, o livro se passa em uma sociedade no futuro, em que o Estado tem controle absoluto sobre as pessoas, desde o nascimento à morte. O Estado determina quem vai nascer e quando, para onde as pessoas vão, em quais lugares vão trabalhar, quais serão suas habilidades e competências, o que vão ou não consumir, quais serão seus gostos e modos de vestir, enfim, controla todos os aspectos da vida das pessoas. De forma a manter a "ordem", e aliado a ciência, o Estado cria mecanismos de manter todos satisfeitos, alienados, condicionados a seguir sua função de forma automática, sem pensar ou questionar o que estão vivendo.

Tenho que admitir, eu fiquei horrorizada nos primeiros capítulos. A descrição dos métodos de "cultivo" dos bebês e a forma como eles eram condicionados para seguir seus padrões... quase desisti da leitura. Mas aos poucos fui me familiarizando com o universo criado por Huxley, comecei a perceber certas semelhanças com nossa sociedade, e para minha surpresa, o livro me deu o que pensar. 

Apesar do horror de vermos seres agindo de acordo com decisões determinadas por outras pessoas, sem saber disso, eles nasceram em uma sociedade onde o conceito de livre-arbítrio e decisões próprias simplesmente não existe, ao mesmo tempo em que estão condicionados a ficarem satisfeitos com todos os aspectos de suas vidas, independente da função ou classe social, e o resultado de tudo isso é índices baixíssimos de violência, nenhuma frustração ou sofrimento, nem mesmo dor diante da morte. É necessário ressaltar que eles tem tecnologia suficiente para não envelhecer nem ficar doentes, e aqueles que possuem mais ou menos capacidade (que também é determinado pela ciência), adquire determinada função desde o nascimento. Para nós, acostumados a nossa forma de viver, pensar em tais possibilidades parece desumano. Mas, se visto de outra perspectiva, para uma pessoa nascida nesse contexto, nossa sociedade pareceria desumana. Não a toa vemos isso no livro rs

Não pensei nesse livro em termos de "profecia" ou "retrato de uma possível realidade", mas como uma leitura de como o Estado e a ciência podem se aliar a práticas perversas. Algo importante a ser pensado é que aqueles que eram escolhidos para serem líderes tinham pleno conhecimento dos condicionamentos que todos estavam submetidos, assim como as formas de continuar a fazê-lo. Excelente leitura.

Finalizando...


Já que meu post ficou quilométrico, resolvi finalizar por aqui. Ainda tenho mais um livro que li e pretendo escrever a respeito, e outro que estou lendo no momento, então é bastante provável que eu escreva algum post no futuro sobre eles. Estou testando novos formatos de posts, como esse que escrevo sobre mais de um livro em um único texto. O que você acha desse formato? Assim fica mais tranquilo de ler?

2 comentários:

  1. Tenho muita curiosidade sobre o Budismo também, já inclusive vi várias entrevistas com a Monja Coen, acho super interessante =D
    Em relação a Admirável Mundo Novo, adorei toda a ideia, mas não gostei de como a história foi se desenrolando... Gostaria que tivessem focado apenas no Mundo Novo e não no antigo, seilá...
    Beijão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim! Tinha muita coisa que eu queria saber como o autor imaginou no futuro,mas eu acho que sem fazer essa comparação com o mundo antigo o livro perderia o sentido. Sem o mundo antigo não teria trama pra desenvolver ;)

      Excluir

Recebo os comentários por e-mail. Leio todos com muito carinho e respondo sempre que posso.

Seja educado com os coleguinhas, e obrigada pela visita. Volte sempre! (/◕▽◕。)/